Feriado Municipal do Corvo
O feriado municipal do Corvo é a 20 de junho, data fixa, e assinala o dia em que a povoação foi elevada a vila e ganhou câmara própria, em 1832. É o dia institucional do concelho menos populoso de Portugal e do único sem freguesias. Fica aqui quando é, o que fecha numa ilha com menos de quatrocentos habitantes, e porque razão a grande festa do Corvo é outra.
O feriado municipal do Corvo celebra-se a 20 de junho, é data fixa, e em 2026 cai num sábado. É um feriado municipal facultativo, previsto no artigo 235.º do Código do Trabalho, e abrange a ilha inteira, porque no Corvo o concelho e a ilha são a mesma coisa. A data não é a da padroeira. Marca o decreto de 1832 que transformou a povoação em vila com câmara própria, e a própria câmara chama ao dia Dia do Município. Aqui fica quando é, o que fecha numa ilha com menos de quatrocentos habitantes, e porque razão a grande festa do Corvo acontece dois meses mais tarde.
O essencial
Quando é
A 20 de junho, data fixa. Em 2026 é sábado.
É feriado
Sim, feriado municipal do Corvo. É facultativo (art. 235.º), não obrigatório como os nacionais.
O que fecha
A câmara, os serviços municipais e a escola da ilha. A Unidade de Saúde mantém a urgência.
Quando é o feriado do Corvo
A data não se move. É sempre a 20 de junho, e o que muda é o dia da semana. Em 2026, o feriado do Corvo cai num sábado. Nos próximos anos há duas particularidades a ver antes de contar com um dia de folga.
| Ano | Data do feriado | Dia da semana | Nota |
|---|---|---|---|
| 2026 | 20 de junho | sábado | fim de semana |
| 2027 | 20 de junho | domingo | fim de semana |
| 2028 | 20 de junho | terça-feira | dia útil |
| 2029 | 20 de junho | quarta-feira | dia útil |
| 2030 | 20 de junho | quinta-feira | coincide com o Corpo de Deus, feriado nacional |
Dois anos seguidos ao fim de semana, em 2026 e em 2027, tiram na prática o efeito do feriado a quem trabalha de segunda a sexta. E em 2030 o 20 de junho calha no Corpo de Deus, que já é feriado nacional obrigatório em todo o país, por isso nesse ano o feriado do Corvo não acrescenta um dia não útil, apenas se sobrepõe a um que já existia.
Feriado municipal é facultativo, não obrigatório
É a distinção que mais confusão gera. Ao contrário dos treze feriados nacionais do artigo 234.º do Código do Trabalho, o feriado municipal está no artigo 235.º e é facultativo, ao lado da terça-feira de Carnaval. Isto significa que o dia de descanso só se impõe quando essa observância estiver prevista em instrumento de regulamentação coletiva de trabalho ou no contrato individual. Num concelho desta dimensão a diferença é sobretudo administrativa, porque os serviços do município encerram e toda a gente sabe, sem consultar calendário, que aquele é o dia da vila.
O que abre e o que fecha
Numa ilha com uma só povoação, a lista do que fecha é curta e toda a gente a conhece de cor. Encerram a câmara e os serviços do município, que aqui fazem também o trabalho que noutros concelhos cabe às juntas de freguesia, e encerra a escola. Nas lojas, os horários são livres desde o Decreto-Lei n.º 10/2015, por isso encerrar é uma decisão de cada estabelecimento.
| Serviço | Estado típico |
|---|---|
| Câmara e serviços do município | encerrados |
| Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira | encerrada |
| Unidade de Saúde do Corvo | urgência assegurada |
| Pequeno comércio e restauração | por decisão de cada dono |
| Voos e ligação marítima | horário do operador, sujeito ao tempo |
Aqui não existe a pergunta habitual sobre transportes urbanos ou centros comerciais, porque a vila se atravessa a pé pelas canadas estreitas calcetadas com seixos rolados. A pergunta útil, no Corvo, é a da ligação ao resto do arquipélago.
Trabalhar no feriado dá direito a quê
Como o feriado municipal é facultativo, o ponto de partida é o que estiver acordado na empresa. Se houver trabalho num dia de feriado, numa entidade que não esteja obrigada a fechar, vale o artigo 269.º do Código do Trabalho, que dá ao trabalhador descanso compensatório de metade das horas prestadas ou um acréscimo de 50 por cento no pagamento desse dia, à escolha do empregador, e trata o incumprimento como contraordenação grave. Não existe em Portugal o pagamento automático a dobrar por trabalho em feriado. Nos Açores o Código do Trabalho aplica-se na íntegra, por isso a regra é a mesma que vale no continente.
O decreto de 1832 que deu câmara ao Corvo
A história por trás da data começa com um pedido. Em 1832, no meio da guerra civil, um grupo de corvinos foi à Terceira queixar-se do tributo pesado que a ilha pagava ao donatário e à Coroa. Quem os recebeu foi Mouzinho da Silveira, o ministro que organizava a administração liberal a partir de Angra. Impressionado com o que ouviu, propôs anular o pagamento em dinheiro e reduzir a metade o pagamento em trigo. No mesmo ano a povoação foi elevada a vila e sede de concelho, e passou a chamar-se Vila do Corvo.
A inscrição do decreto está hoje gravada em pedra, no centro da vila. Diz que a povoação fica elevada à categoria de Vila e terá Câmara Municipal independente. O seu nome será Vila do Corvo. 20 de junho de 1832. Foi essa frase que o município escolheu para o seu dia, e não uma romaria nem um santo.
O único concelho português sem freguesias
Há uma singularidade do Corvo que muda a forma de ler este feriado. O concelho não tem nenhuma freguesia, e é o único do país nessa situação. Como a ilha tem uma só povoação, os órgãos municipais assumem também as funções que noutros sítios pertencem à junta. Ao fechar no dia 20 de junho, a câmara fecha em simultâneo os dois níveis de administração local que o resto do país conhece separados.
A escala explica o resto. Nos Censos de 2021 o concelho tinha 384 residentes, o número mais baixo de Portugal. Em 1864 tinham sido cerca de 1.100, e entre 1900 e 1980 a população caiu de 808 para 370, por causa da emigração para os Estados Unidos e para o Canadá. É por isso o feriado de concelho com menos gente a quem se aplicar, e continua a ser o mesmo direito.
A ilha do Corvo ao longo do tempo
Estes são os marcos que a própria câmara conta na sua história da ilha.
Entre os séculos XVIII e XIX, os baleeiros americanos recrutavam corvinos para a caça ao cachalote, e a ilha ganhou fama de bons arpoadores. Hoje a base da economia é o gado bovino.
Como a câmara marca o dia
O município trata o 20 de junho como o seu dia institucional, e não como arraial. A única edição de que há registo publicado é a de 2025. Nesse ano a câmara descerrou, no exterior dos Paços do Município, uma escultura-monumento em basalto e mármore em homenagem a Mouzinho da Silveira, com a presença do presidente da câmara e do autor da peça, o escultor e ceramista Carlos Oliveira. É nessa escultura que está a inscrição do decreto.
A ligação a Mouzinho da Silveira não se esgota no monumento. A única escola da ilha, que junta o básico e o secundário, chama-se Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira, e leva o nome do homem que está na origem do concelho. Fechar as aulas nesse dia é, no Corvo, uma coincidência com algum sentido.
Quem procurar o programa do ano em curso deve contar com uma dificuldade de vocabulário. O sítio da câmara quase não usa a palavra feriado, e trata sempre o dia por Dia do Município.
Enganos comuns sobre o feriado do Corvo
O engano mais frequente é trocar o 20 de junho pela festa grande. A padroeira do Corvo é Nossa Senhora dos Milagres e a festa dela é a 15 de agosto, com o Festival dos Moinhos à volta, e é nessa altura que a população da ilha quase duplica e o alojamento esgota. O feriado municipal tem outro tom. Há também quem escreva Vila Nova do Corvo, forma que aparece em obras de referência e que está errada, porque o nome fixado em 1832 é Vila do Corvo. E há quem estenda o dia às Flores, a ilha vizinha, quando o feriado vale apenas para o concelho do Corvo e cada concelho dos Açores tem a sua data.
Perguntas frequentes sobre o feriado do Corvo
Quando é o feriado municipal do Corvo em 2026?
É a 20 de junho, data fixa, e em 2026 cai num sábado.
O que se comemora no feriado do Corvo?
Comemora-se o decreto de 20 de junho de 1832 que elevou a povoação a vila com câmara própria, sob o nome de Vila do Corvo. É um feriado de origem administrativa.
O feriado do Corvo é o dia da padroeira?
Não. A padroeira é Nossa Senhora dos Milagres e a festa dela é a 15 de agosto. São dois dias diferentes, com dois tons diferentes.
O feriado do Corvo é obrigatório?
É facultativo, pelo artigo 235.º do Código do Trabalho, e só se impõe como dia de descanso quando previsto em instrumento de regulamentação coletiva ou no contrato. Ainda assim, os serviços do município encerram.
Quantas freguesias tem o concelho do Corvo?
Nenhuma. O Corvo é o único município português sem freguesias, e o feriado abrange a ilha inteira.
A escola do Corvo fecha no feriado municipal?
Sim. A Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira, única escola da ilha, encerra no dia do concelho.
Há voos para o Corvo no dia do feriado?
A ligação aérea e a marítima seguem o horário do operador, e não o calendário do feriado, além de dependerem do tempo. Convém confirmar no próprio dia.
O que aconteceu no Dia do Município de 2025?
A câmara descerrou junto aos Paços do Município uma escultura-monumento em basalto e mármore dedicada a Mouzinho da Silveira, da autoria do escultor e ceramista Carlos Oliveira.
Quantas pessoas vivem no concelho do Corvo?
Nos Censos de 2021 residiam 384 pessoas, o número mais baixo de todos os concelhos portugueses. Em 1864 a ilha tinha cerca de 1.100 habitantes.
Recebo mais por trabalhar no feriado do Corvo?
Havendo trabalho num feriado, numa empresa não obrigada a encerrar, o artigo 269.º dá direito a descanso compensatório de metade das horas prestadas ou a um acréscimo de 50 por cento no pagamento do dia, à escolha do empregador.
Outros concelhos deste calendário
Nos Açores
Quem trabalha na região costuma precisar de mais do que um destes dias.
- Angra do Heroísmo, 24 de junho
- Horta, 24 de junho
- Vila Franca do Campo, 24 de junho
- Vila do Porto, 24 de junho
A seguir no calendário
Os feriados municipais que vêm logo depois deste, entre os concelhos que aqui cobrimos.
- Almada, 24 de junho
- Vila Nova de Gaia, 24 de junho
- Porto, 24 de junho