Santos Populares 2027
Santos Populares 2027 cai num domingo, 13 de junho de 2027, data comemorativa não feriada. Saiba mais abaixo sobre as tradições e a história desta data em Portugal.
Os Santos Populares enchem junho de arraiais, sardinha assada e manjerico, num ciclo de três noites, Santo António a 13, São João a 24 e São Pedro a 29. Nenhum dos três é feriado nacional obrigatório em 2027, mas cada um é feriado municipal em concelhos determinados, do 13 de junho em Lisboa ao 29 de junho em Sintra. São os "três santos casamenteiros" do calendário popular, e cada cidade festeja o seu à sua maneira. Aqui fica quem tem folga e onde, e depois as marchas, os casamentos, os martelinhos e as rusgas.
O essencial
Quando são
Três noites de junho, Santo António a 13, São João a 24 e São Pedro a 29.
São feriado
Nenhum é feriado nacional. Cada um é feriado municipal em certos concelhos, ao abrigo do artigo 235.º.
Quem tem folga
Só quem trabalha no concelho onde a data é feriado municipal. Fora dele, é dia útil.
As três datas e onde há feriado municipal
Os três santos partilham o mês de junho e um mesmo ambiente de festa de rua, mas têm dias fixos distintos. O quadro abaixo resume as datas e os concelhos onde cada uma é feriado municipal confirmado por fonte camarária.
| Santo | Data | Feriado municipal (exemplos confirmados) |
|---|---|---|
| Santo António | 13 de junho | Lisboa |
| São João | 24 de junho | Porto, Vila do Conde |
| São Pedro | 29 de junho | Sintra, Póvoa de Varzim, Montijo |
Os Santos Populares são feriado?
Nenhum dos três santos é feriado nacional obrigatório. Não constam do artigo 234.º do Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro), a lista dos treze feriados de observância em todo o país. O que existe é o feriado municipal, previsto no artigo 235.º, uma folga que só produz efeito no território do concelho e apenas para quem lá trabalha, e que não é automática em toda e qualquer empresa. Santo António é o feriado municipal de Lisboa, de que é padroeiro, a 13 de junho. O São João é feriado municipal na cidade do Porto e também em Vila do Conde, a 24 de junho. O São Pedro, a 29 de junho, é feriado municipal em pelo menos dezassete concelhos, entre eles Sintra, Póvoa de Varzim, Montijo, Évora, Seixal e Felgueiras. Fora do concelho onde se aplica, cada uma destas datas é um dia útil comum.
Santo António e as marchas de Lisboa
Santo António é o rosto do junho lisboeta. A grande imagem da festa, as Marchas Populares, nasceu em 1932. O primeiro desfile competitivo desceu a Avenida da Liberdade na noite de 12 de junho desse ano, ideia de José Leitão de Barros, então diretor do Notícias Ilustrado, com o apoio do olisipógrafo Norberto de Araújo. Bairros como Alfama, Bairro Alto, Madragoa, Alcântara e Campo de Ourique estiveram entre os primeiros a marchar. É a única festa do país em que os bairros históricos competem uns com os outros com fatos, arcos e canções feitos de raiz todos os anos, e Alfama é a marcha mais titulada.
A outra tradição que só existe aqui são os Casamentos de Santo António, ao santo casamenteiro por excelência. Começaram em 1958 como "Noivas de Santo António", com 36 casais na primeira cerimónia coletiva, pensada para ajudar quem tinha menos meios a casar com o apoio da comunidade. A tradição parou em 1974 e foi retomada pela Câmara Municipal de Lisboa em 1997, no formato atual de cerimónia civil de manhã e religiosa na Sé à tarde, no mesmo dia. Desde essa retoma já se realizaram 431 casamentos, entre uniões religiosas e civis, e a edição de 2026 juntou 16 casais, escolhidos entre mais de quatro dezenas de candidaturas. Os bairros, as marchas e os casais fazem parte das Festas de Lisboa, o programa que a empresa municipal EGEAC espalha por junho com dezenas de iniciativas.
São João no Porto e no Norte
A noite de 23 para 24 de junho é a grande noite do Porto. As raízes são anteriores ao próprio santo, já que as fogueiras de São João se ligam ao solstício de verão e a rituais de purificação, depois cristianizados e dedicados a São João Batista. Segundo a imprensa, o feriado municipal foi instituído no dia de São João de 1911. Pela cidade cruzam-se manjericos, cascatas, o fogo de artifício sobre o Douro à meia-noite e um gesto que se tornou marca da festa, bater na cabeça dos outros com um martelinho de plástico. O martelinho é recente, dos anos 60. Antes dele, o costume era tocar com um alho-porro, num toque de afeto e boa sorte de origem mais antiga.
Vila do Conde festeja o seu São João com o mesmo brilho e um imaginário próprio. Ali, a flor da festa é o cravo, e é tradição as raparigas solteiras atirarem cravos das janelas ao andor do santo. O programa junta Marchas Luminosas, o Cortejo das Mordomas com trajes típicos de cada freguesia, ruas cobertas de arcos e mastros enfeitados, e culmina no feriado municipal de 24 de junho com eucaristia solene, procissão e, à noite, a ida à praia.
São Pedro, o santo dos pescadores
São Pedro fecha o ciclo a 29 de junho, com força particular nas terras de pesca. Na Póvoa de Varzim, o dia é feriado municipal desde 1974, por deliberação da autarquia, depois de as Festas de S. Pedro terem nascido em 1962 por iniciativa da Comissão Municipal de Turismo. A cidade divide-se em bairros que competem nas "rusgas" e erguem os "tronos", altares dedicados ao santo, concebidos com meses de antecedência mas montados só na noite da festa para não serem copiados. Na tarde do feriado, a Procissão dos Santos Populares sai da Igreja Matriz com as imagens dos três santos e recolhe à Igreja da Lapa.
No Montijo, também feriado municipal, o dia 29 tem duas procissões. De dia, a fluvial, com barcos de pesca decorados a escoltar a embarcação que traz a imagem de São Pedro até ao Cais das Faluas. À noite, o cortejo pelas ruas, com andores, bandas filarmónicas e a charanga montada da GNR, antes do fogo de artifício e da "Queima do Batel", um pequeno barco simbólico. Em Sintra, onde o São Pedro é o único feriado exclusivo do concelho, o dia abre com o hastear da bandeira nos Paços do Concelho, às dez da manhã.
Cada terra festeja o seu santo à sua maneira
O ciclo é o mesmo por todo o país, mas cada cidade agarra o seu santo e faz dele festa própria. O quadro abaixo junta as terras onde há feriado municipal confirmado por fonte camarária e o que marca a festa em cada uma.
| Terra | Santo | Data | O que marca a festa |
|---|---|---|---|
| Lisboa | Santo António | 13 de junho | As marchas na Avenida da Liberdade e os casamentos coletivos, com cerimónia civil de manhã e religiosa na Sé à tarde. |
| Porto | São João | 24 de junho | Martelinhos, manjericos e o fogo de artifício sobre o Douro à meia-noite, com feriado municipal desde 1911. |
| Vila do Conde | São João | 24 de junho | O Cortejo das Mordomas com trajes de cada freguesia e os cravos atirados das janelas ao andor do santo. |
| Sintra | São Pedro | 29 de junho | O único feriado exclusivo do concelho, que abre com o hastear da bandeira às dez da manhã. |
| Póvoa de Varzim | São Pedro | 29 de junho | As rusgas dos bairros, os tronos ao santo e a noitada de fogueiras com sardinha assada. |
| Montijo | São Pedro | 29 de junho | A procissão fluvial de barcos de pesca decorados e a "Queima do Batel" no fecho da noite. |
Marchas, casamentos, martelinhos e cravos
Por baixo dos arraiais há um punhado de costumes com nome e gesto próprios, uns só de uma cidade, outros repartidos pelo ciclo. Estes são os que dão feição a cada festa.
Sardinha, manjerico e arraiais
A sardinha assada é o prato-símbolo de todo o ciclo, de Lisboa à Póvoa de Varzim, e não por acaso, já que junho coincide com o pico da época da sardinha. Nos arraiais dos bairros, o fumo das grelhas mistura-se com o cheiro do manjerico, a planta que se vende em vaso de barro com um cravo de papel espetado e uma bandeirinha com uma quadra, ora romântica ora trocista, oferecida entre namorados tanto em Lisboa como no Porto. Os arraiais tradicionais de Lisboa acontecem em Alfama, Mouraria, Graça, Bica, Bairro Alto, Madragoa e São Vicente, entre outros, decorados com arcos e balões coloridos. No Porto, os festejos concentram-se na Ribeira, nos Aliados, nos Jardins do Palácio de Cristal e na Foz.
A matriz seguinte arruma o que enche os arraiais, do prato à flor, com a cor a marcar se é comida, símbolo da festa ou tradição de rua.
| O que é | Tipo | O que representa na festa |
|---|---|---|
| Sardinha assada | Comida | O prato-símbolo do ciclo, no pico da época da pesca em junho. |
| Manjerico | Símbolo | A planta em vaso de barro, com cravo de papel e uma quadra rimada, oferecida entre namorados. |
| Marchas Populares | Festa | Os bairros de Lisboa a competir pela Avenida da Liberdade na noite de Santo António. |
| Arraiais de bairro | Festa | As noites de grelha, música e balões nos bairros históricos, de Alfama à Mouraria. |
| Casamentos de Santo António | Tradição | As cerimónias coletivas de casamento na Sé de Lisboa, ao santo casamenteiro. |
| Martelinhos | Símbolo | O gesto da noite de São João no Porto, herdeiro do antigo toque com alho-porro. |
| Tronos e rusgas | Festa | Os altares ao santo e os bairros em competição no São Pedro da Póvoa de Varzim. |
| Cravos | Símbolo | A flor do São João de Vila do Conde, atirada das janelas ao andor do santo. |
Onde ver os arraiais e as marchas
Quem quiser viver o ciclo tem escolha, e ela muda com o santo e com a data. Em Lisboa, na noite de 12 para 13 de junho, as marchas descem a Avenida da Liberdade, e os arraiais mais tradicionais acendem-se em Alfama, na Mouraria, na Graça, na Bica, no Bairro Alto, na Madragoa e em São Vicente, decorados com arcos e balões coloridos. No Porto, a grande noite é a de 23 para 24 de junho, com os festejos a concentrarem-se na Ribeira, na Avenida dos Aliados, nos Jardins do Palácio de Cristal e na Foz, e o fogo de artifício a rebentar sobre o Douro à meia-noite.
Mais a norte, Vila do Conde estende o seu São João por mais de duas semanas até ao feriado de 24 de junho, com as Marchas Luminosas e o Cortejo das Mordomas. E a 29 de junho, o São Pedro leva a festa à Póvoa de Varzim, onde as rusgas se juntam no estádio do Varzim, e ao Montijo, onde a procissão fluvial enche o rio de barcos de pesca decorados. Em Sintra, o mesmo dia é mais contido, aberto pelo hastear da bandeira nos Paços do Concelho.
Curiosidades dos Santos Populares
O ano de 1932, o das primeiras marchas, foi o único com dois desfiles, um em junho por Santo António e outro quinze dias depois, já por São Pedro. Alfama é a marcha mais titulada de Lisboa e, em 2026, arrecadou o seu 22.º triunfo. Os Casamentos de Santo António começaram em 1958 com 36 casais e, desde a retoma de 1997, já uniram 431. E o martelinho de plástico do São João do Porto é recente, dos anos 60, tendo destronado o alho-porro, que se tocava na cabeça dos outros num gesto de afeto e boa sorte de raiz bem mais antiga.
Enganos que convém desfazer
O engano mais comum é tratar os Santos Populares como feriado nacional. Não são. Quem trabalha fora dos concelhos onde há feriado municipal cumpre um dia normal. Outro equívoco é achar que Santo António é feriado apenas em Lisboa e mais em lado nenhum. É certo em Lisboa a 13 de junho, mas o ciclo tem feriados próprios noutras datas e noutras terras, com o São João a 24 no Porto e em Vila do Conde e o São Pedro a 29 em vários concelhos. Vale ainda uma distinção. Santo António é o casamenteiro das raparigas solteiras jovens, ao passo que São Gonçalo de Amarante, invocado pelas mulheres solteiras mais velhas, é figura de outra festa, em Amarante, fora do ciclo dos Santos Populares.
Os Santos Populares no calendário do ano
Os três santos repartem-se por junho, o mês em que o ano atravessa o solstício e o verão se instala. As noites, curtas e quentes, são o cenário natural dos arraiais de rua. A roda do ano marca onde cai o ciclo.
Santos Populares cai na primavera, em 13 de junho de 2027.
Perguntas frequentes sobre os Santos Populares
Os Santos Populares são feriado nacional?
Não. Nenhum dos Santos Populares consta dos feriados nacionais obrigatórios do artigo 234.º do Código do Trabalho. São feriado municipal apenas em concelhos específicos, ao abrigo do artigo 235.º.
Santo António é feriado em Lisboa?
Sim. O 13 de junho, dia de Santo António, é o feriado municipal de Lisboa, de que o santo é padroeiro. Só produz efeito no concelho de Lisboa.
São João é feriado no Porto?
Sim. O 24 de junho, dia de São João, é feriado municipal na cidade do Porto e também em Vila do Conde, onde a festa culmina nesse dia.
Onde é feriado o dia de São Pedro?
O 29 de junho é feriado municipal em pelo menos dezassete concelhos, entre eles Sintra, Póvoa de Varzim, Montijo, Évora e Seixal.
Tenho folga nos Santos Populares se trabalhar noutro concelho?
Não. O feriado municipal de cada santo só vale no território do respetivo concelho e para quem lá trabalha. Nos restantes, o dia é útil normal.
Quando nasceram as Marchas Populares de Lisboa?
As Marchas Populares nasceram em 1932, com o primeiro desfile competitivo a descer a Avenida da Liberdade na noite de 12 de junho desse ano, por ideia de José Leitão de Barros.
O que são os Casamentos de Santo António?
São cerimónias coletivas de casamento em Lisboa, nascidas em 1958 como "Noivas de Santo António" e retomadas pela Câmara em 1997. Desde a retoma já se realizaram 431 casamentos.
Porque se bate com martelinhos no São João do Porto?
É um costume da noite de São João do Porto que substituiu, a partir dos anos 60, o antigo toque com um alho-porro, gesto de afeto e boa sorte. Hoje usam-se martelinhos de plástico.
Qual é a comida dos Santos Populares?
A sardinha assada é o prato-símbolo do ciclo, sobretudo em Lisboa e na Póvoa de Varzim, a coincidir com o pico da época da sardinha em junho. Junta-se-lhe o manjerico em vaso, oferecido entre namorados.
Santo António é o único santo casamenteiro?
Não. Santo António é o casamenteiro das raparigas jovens, mas há também São Gonçalo de Amarante, invocado pelas mulheres solteiras mais velhas, numa festa distinta em Amarante, fora do ciclo dos Santos Populares.
Onde se veem as marchas populares dos Santos Populares?
As Marchas Populares veem-se em Lisboa, na noite de 12 para 13 de junho, quando os bairros descem a Avenida da Liberdade. Vila do Conde tem também as suas Marchas Luminosas, no ciclo do São João, a norte.
O que são os tronos de São Pedro na Póvoa de Varzim?
Os tronos do São Pedro da Póvoa de Varzim são altares dedicados ao santo, erguidos pelos bairros da cidade. São concebidos com meses de antecedência mas montados só na noite da festa, para não serem copiados pelos bairros rivais.
Porque se atiram cravos no São João de Vila do Conde?
No São João de Vila do Conde, o cravo é a flor da festa, e é tradição as raparigas solteiras atirarem cravos das janelas ao andor do santo, à passagem da procissão de 24 de junho.
Quais são os arraiais mais tradicionais dos Santos Populares em Lisboa?
Os arraiais mais tradicionais dos Santos Populares em Lisboa acendem-se em Alfama, na Mouraria, na Graça, na Bica, no Bairro Alto, na Madragoa e em São Vicente, decorados com arcos e balões coloridos e com o fumo das sardinhas na grelha.
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