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Consoada 2026

Faltam 124 dias para a Consoada, numa quinta-feira, 24 de dezembro de 2026. Saiba mais abaixo sobre as tradições e a história desta data em Portugal.

Faltam 124 dias · Quinta-feira, 24 de dezembro de 2026

A Consoada de 2026 é na noite de quinta-feira, 24 de dezembro, a ceia que marca o momento central do Natal português, com o bacalhau a mandar na maioria das mesas. O dia 24 não é feriado por si só, mas o dia seguinte, 25, é feriado nacional. À volta desta noite gira uma geografia de tradições, do polvo de Trás-os-Montes ao Madeiro de Penamacor e às Missas do Parto da Madeira. Esta página reúne o lado prático do dia de trabalho e, depois, a mesa, os doces e os costumes de cada região.

O essencial

Quando é

A noite de 24 de dezembro. Em 2026, quinta-feira.

É feriado

O dia 24 não é feriado. O feriado nacional é o dia 25, o Natal.

O que se come

Bacalhau cozido na maioria do país, polvo em Trás-os-Montes, e doces como rabanadas.

O dia 24 de dezembro é feriado?

O 24 de dezembro é dia de trabalho normal, sem estatuto de feriado. Não consta do artigo 234.º do Código do Trabalho, que lista os feriados obrigatórios, e não há na lei geral qualquer regra de saída antecipada. O que existe é a tolerância de ponto. Em 2025, o Governo concedeu-a aos trabalhadores da administração direta do Estado e institutos públicos nos dias 24, 26 e 31 de dezembro, por despacho do Primeiro-Ministro de 18 de dezembro, com o dia 26 acrescentado por excecionalmente ter calhado a uma sexta. Essa tolerância abrange apenas a função pública. No setor privado, o dia 24 é normal, salvo o que estiver previsto em instrumento de regulamentação coletiva ou por decisão do empregador. Quanto às lojas, desde o Decreto-Lei n.º 10/2015 os horários são livres, e muitos estabelecimentos optam por fechar mais cedo nesta véspera por decisão própria, não por obrigação.

A mesa da Consoada, prato a prato

Nenhuma noite portuguesa junta tanta comida à mesa como a Consoada. Do bacalhau que manda na maioria do país aos doces conventuais que fecham a ceia, cada terra tem o seu prato-rei. Esta matriz reúne o essencial da mesa, com a cor a marcar o tipo de cada prato, do peixe ao doce.

PratoTipoOnde manda
Bacalhau cozidoPeixeA maioria do continente, com batata, couve e azeite.
Polvo cozidoMariscoTrás-os-Montes e Alto Douro, servido com ovo e batata.
Espetada em espeto de louroCarneMadeira, ao lado da carne de vinha-d'alhos.
Torresmos com inhamesCarneSão Jorge, nos Açores, com morcela e batata-doce.
RabanadasDoceDe norte a sul, fritas e polvilhadas de canela.
FilhósDoceRegião Centro, moldadas ao joelho.
AletriaDoceContinente, polvilhada de canela.
Bolo de melDoceMadeira, ao lado da broa de milho.

Na Madeira, à mesa junta-se ainda a poncha, a bebida de aguardente, mel e citrinos, e licores caseiros. O bolo-rei, doce transversal a toda a quadra, entra também nesta noite, mas a sua história pertence sobretudo ao dia de Natal.

O bacalhau e o polvo na mesa da Consoada

No continente, o bacalhau cozido com batata e couve, regado com azeite e alho, é o prato-rei da Consoada. E é uma paixão com números. Calcula-se que se consumam entre quatro e cinco mil toneladas de bacalhau só na noite de 24, cerca de um terço de todo o bacalhau que o país come no ano. Portugal lidera aliás o consumo per capita mundial, na ordem dos quinze a dezasseis quilos por habitante por ano. Mas o bacalhau não reina em todo o lado. Em Trás-os-Montes e no Alto Douro, o rei da noite é o polvo cozido, servido com ovo, batata e couve, numa preferência de raiz galega, ao ponto de haver famílias que atravessam a fronteira para o comprar.

4 a 5 miltoneladas de bacalhau consumidas só na noite de 24
1/3do bacalhau que o país come todo o ano, comido nessa noite
15 a 16 kgconsumo de bacalhau por habitante e por ano, o maior do mundo
1685primeiro registo das Missas do Parto na Madeira

Os doces da Consoada

A parte doce da mesa é longa. As rabanadas, fatias de pão duro embebidas em leite e ovo, fritas e polvilhadas com açúcar e canela, têm origem conventual e um nome curioso, chamam-se também "fatias paridas", por antiga tradição de as oferecer a mulheres que tinham dado à luz, na crença de que o leite e os ovos ajudavam a amamentar. Ao lado, aparecem as filhós, com a variante "do joelho" na região Centro, moldadas nessa forma, e a aletria polvilhada de canela. Na Madeira, os doces mudam de figura, com o bolo de mel e a broa de milho a acompanhar a ceia. O bolo-rei, transversal a toda a quadra, entra nesta noite, mas a sua história pertence sobretudo ao dia de Natal.

Como muda a ceia de região para região

O estatuto do dia 24 é o mesmo em todo o país, dia útil, mas a mesa muda de terra para terra como poucas coisas mudam em Portugal. Esta tabela resume quem come o quê na noite da Consoada, do prato-rei ao doce típico.

RegiãoPrato-reiTraço próprio
Continente, em geralBacalhau cozido com batata e couveRabanadas, filhós e aletria a fechar a ceia.
Trás-os-Montes e Alto DouroPolvo cozido com ovo e batataPreferência de raiz galega, com quem atravessa a fronteira para o comprar.
Região CentroBacalhau com todosAs filhós do joelho, moldadas nessa forma.
MadeiraEspetada e carne de vinha-d'alhosBolo de mel, broa de milho e poncha à mesa.
Açores, em São JorgeTorresmos com inhames e morcelaAo lado do bacalhau com todos e da canja comuns às ilhas.

A Missa do Galo e os costumes da noite

Para muitos fiéis, a Consoada fecha à meia-noite com a Missa do Galo. O nome vem da lenda de um galo que teria cantado à meia-noite a anunciar o nascimento de Jesus, antes do amanhecer. Segundo a tradição, a primeira terá sido celebrada no século V pelo Papa Sisto III, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, e hoje reza-se em quase todas as paróquias do país no arranque simbólico do dia 25, ainda dentro da noite da Consoada. À volta da ceia crescem outros costumes, do presépio armado em casa às tradições próprias de cada ilha.

Missa do Galoa missa da meia-noite, em quase todas as paróquias do país
O presépioarmado em casa, com a Lapinha sobre rochas nos Açores
"O Menino mija?"a visita de casa em casa nos Açores, do dia 24 aos Reis
Noite do Mercadoa festa do Funchal a 23 de dezembro, tradição do século XIX

O Madeiro de Penamacor

Na Beira Interior, a noite tem uma fogueira à altura. O Madeiro de Penamacor, a fogueira do Menino Jesus, é a maior do género no país. Prepara-se desde 7 de dezembro, quando começa o corte e a recolha de árvores secas ou doentes por todas as freguesias do concelho, transportadas por jovens em idade de serviço militar. A pilha de lenha, empilhada no adro da igreja, é acesa às 23h50 do dia 23 e fica a arder vários dias; depois da ceia, a população reúne-se à sua volta, num gesto de encontro que os historiadores locais ligam a antigos cultos do fogo e do solstício de inverno. Outras aldeias históricas da região, como Monsanto, Belmonte, Linhares da Beira e Marialva, acendem o seu próprio madeiro, mais pequeno, ao anoitecer do dia 24.

As Missas do Parto na Madeira

Na Madeira e no Porto Santo, a Consoada é o fecho de uma preparação longa. Durante a novena que antecede o Natal, de 16 a 24 de dezembro, celebram-se as Missas do Parto, nove missas ao início da madrugada, entre as cinco e as sete da manhã, em todas as paróquias, a comemorar os nove meses de gravidez de Maria, na devoção a Nossa Senhora do Ó. Há registo delas na ilha já em 1685, na Ribeira Brava, introduzidas por frades franciscanos nos primeiros tempos do povoamento. Depois da liturgia, o adro enche-se de convívio, com chocolate quente, licores, bolo de mel e broa de milho. A quadra madeirense, chamada "A Festa", estende-se até 7 de janeiro e tem outro momento maior na Noite do Mercado, a 23 de dezembro no Funchal, tradição do século XIX. À mesa da Consoada, a Madeira troca muitas vezes o bacalhau pelas espetadas de carne em espeto de louro e pela carne de vinha-d'alhos.

Os Açores e a mesa da Consoada

Nos Açores, a noite tem cor própria. Vive-se a tradição do "O Menino mija?", em que grupos percorrem as casas de familiares e amigos entre o dia 24 e o Dia de Reis, quase obrigados a fazer a pergunta antes de entrar, e os presépios ganham a forma da "Lapinha", em São Miguel, encenações em miniatura sobre rochas, com musgo e figuras de barro pintadas à mão. A gastronomia muda de ilha para ilha, e em São Jorge, à mesa da Consoada, podem vir torresmos com inhames e morcela com batata-doce, ao lado do bacalhau com todos e da canja de galinha comuns às outras ilhas. É a prova de que, na Consoada, a divergência entre continente, Açores e Madeira está nas tradições, não no estatuto do dia, que é útil em todo o território.

A quadra da Consoada ao longo do tempo

A ceia de hoje carrega séculos de tradição por baixo. Da missa da meia-noite nascida em Roma às Missas do Parto que os frades trouxeram para a Madeira, alguns dos costumes têm data conhecida. Estes são os marcos que ajudam a explicar a noite de 24.

Séc. VA tradição atribui ao Papa Sisto III a primeira Missa do Galo, em Roma.
1685Primeiro registo das Missas do Parto na Madeira, na Ribeira Brava.
Séc. XIXA Noite do Mercado do Funchal firma-se como festa da véspera da véspera.

Enganos que convém desfazer

O engano mais comum é chamar feriado à Consoada. A Consoada é a ceia da noite de 24; o feriado obrigatório da quadra é apenas o dia 25, o Natal. Também não é verdade que toda a gente tenha folga a 24. Só a função pública, quando o Governo concede tolerância de ponto por despacho anual, e no privado depende do contrato. E se o bacalhau é maioria, não é regra universal. O polvo em Trás-os-Montes, as espetadas na Madeira e os torresmos com inhames em São Jorge lembram que a mesa da Consoada muda muito de terra para terra. Há ainda quem julgue que a Missa do Galo é do dia 25, quando se reza à meia-noite de 24 para 25, dentro da própria noite da Consoada.

Curiosidades da Consoada

As rabanadas chamam-se também "fatias paridas" porque eram oferecidas a mulheres que tinham acabado de dar à luz, na crença de que o leite e os ovos ajudavam a amamentar. O polvo transmontano tem raiz galega, e há famílias da região que atravessam a fronteira para o comprar do outro lado. E o Madeiro de Penamacor começa a preparar-se a 7 de dezembro, quase três semanas antes da noite, com o corte de lenha a percorrer todas as freguesias do concelho.

A Consoada no calendário do ano

A Consoada acontece no coração do inverno, a 24 de dezembro, a poucos dias do solstício, a noite mais longa do ano. É essa escuridão que chega cedo que ajuda a explicar a mesa farta e as luzes à volta da ceia. A roda do ano marca onde cai esta noite.

Consoada cai no inverno, em 24 de dezembro de 2026.

JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ24 DEZInverno
PrimaveraVerãoOutonoInverno

Perguntas frequentes sobre a Consoada

A Consoada é feriado em 2026?

Não. A Consoada é a ceia da noite de 24 de dezembro e o dia 24 não consta dos feriados nacionais obrigatórios do artigo 234.º do Código do Trabalho. O feriado da quadra é o dia 25, o Natal.

Saio mais cedo do trabalho a 24 de dezembro?

Depende. A administração pública teve tolerância de ponto a 24 de dezembro de 2025, por despacho do Governo. No setor privado, a saída antecipada depende do contrato ou de decisão do empregador, não é um direito legal geral.

O que se come na Consoada?

Na maior parte do país come-se bacalhau cozido com batata e couve, seguido de doces como rabanadas, filhós e aletria. Em Trás-os-Montes, porém, o prato central é o polvo cozido.

Porque é que em Trás-os-Montes se come polvo na Consoada?

Porque a região tem, por influência da vizinha Galiza, a tradição do polvo cozido como prato central da Consoada, servido com ovo, batata e couve, em vez do bacalhau.

O que se come na Consoada na Madeira?

Na Madeira, a mesa da Consoada troca muitas vezes o bacalhau pelas espetadas de carne em espeto de louro e pela carne de vinha-d'alhos, com bolo de mel, broa de milho e poncha a acompanhar.

O que é o Madeiro de Penamacor?

O Madeiro de Penamacor é a fogueira do Menino Jesus acesa junto à igreja na noite de 23 de dezembro, a maior do género no país. Prepara-se desde 7 de dezembro e arde vários dias.

O que são as Missas do Parto da Madeira?

As Missas do Parto são nove missas de madrugada celebradas na Madeira de 16 a 24 de dezembro, a comemorar a gravidez de Maria. Há registo delas na ilha desde 1685.

A que horas é a Missa do Galo na Consoada?

A Missa do Galo celebra-se à meia-noite de 24 para 25 de dezembro, no arranque simbólico do dia de Natal mas dentro da noite da Consoada. Reza-se em quase todas as paróquias do país.

Porque se chamam rabanadas "fatias paridas"?

As rabanadas eram tradicionalmente oferecidas a mulheres que tinham acabado de dar à luz, pela crença de que o leite e os ovos ajudavam a amamentar. Daí o nome alternativo de "fatias paridas".

Quanto bacalhau se come na Consoada?

Estima-se que se consumam entre quatro e cinco mil toneladas de bacalhau só na noite de 24 de dezembro em Portugal, cerca de um terço de todo o bacalhau consumido no país ao longo do ano.

O que é a tradição açoriana do "O Menino mija?"

É um costume dos Açores em que grupos percorrem as casas de familiares e amigos entre o dia 24 e o Dia de Reis, quase obrigados a fazer a pergunta "O Menino mija?" antes de entrar em cada casa.

A quadra de Natal é igual em todo o país?

Não. O estatuto do dia 24 é o mesmo, dia útil, mas as tradições mudam muito, do polvo em Trás-os-Montes ao Madeiro nas Beiras, às Missas do Parto na Madeira e ao "O Menino mija?" nos Açores.

Próximas datas de Consoada

2026 24 dezembro quinta-feira
2027 24 dezembro sexta-feira
2028 24 dezembro domingo
2029 24 dezembro segunda-feira
2030 24 dezembro terça-feira
2031 24 dezembro quarta-feira

Sobre Consoada

Esta página serve para Consoada, ou seja, conhecer a data, a origem e as tradições de Consoada em Portugal. A referência oficial é calendário civil português e fontes documentais.

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