Pão-por-Deus 2026
Pão-por-Deus 2026 cai num domingo, 1 de novembro de 2026, data comemorativa não feriada. Saiba mais abaixo sobre as tradições e a história desta data em Portugal.
O Pão-por-Deus de 2026 cai a 1 de novembro, domingo. É um costume português em que as crianças pedem de porta em porta pão, frutos secos e doces, recitando quadras à porta de cada casa. O dia coincide com Todos os Santos, esse sim feriado nacional, mas o peditório é tradição popular, não estatuto legal. A seguir fica como se faz, as raízes antigas que o terramoto de 1755 reforçou, os muitos nomes que toma pelo país e a diferença face ao Halloween.
O essencial
Quando é
A 1 de novembro, dia de Todos os Santos. Em 2026, domingo.
É feriado
O costume não é feriado. Mas o 1 de novembro, Todos os Santos, é feriado nacional.
O que se faz
As crianças pedem pão, frutos secos e doces de porta em porta, com quadras.
Quando é o Pão-por-Deus
É a 1 de novembro, data fixa, a mesma do Dia de Todos os Santos. Só o dia da semana muda de ano para ano. Em 2026 calha a um domingo.
| Ano | Data | Dia da semana |
|---|---|---|
| 2025 | 1 de novembro | sábado |
| 2026 | 1 de novembro | domingo |
| 2027 | 1 de novembro | segunda-feira |
| 2028 | 1 de novembro | quarta-feira |
| 2029 | 1 de novembro | quinta-feira |
É feriado o Pão-por-Deus?
O costume em si não é feriado, porque um costume popular não é uma categoria jurídica. O que é feriado é a data em que ocorre. O 1 de novembro é o Dia de Todos os Santos, feriado nacional obrigatório do artigo 234.º do Código do Trabalho. Nesse dia encerram serviços públicos, bancos e a maior parte do comércio não alimentar. O estatuto legal, porém, pertence ao feriado religioso, não ao peditório das crianças, que apenas se sobrepõe informalmente ao mesmo dia.
O peditório de porta em porta
No dia 1 de novembro, em várias regiões de Portugal, as crianças saem de manhã, em pequenos grupos e hoje muitas vezes acompanhadas por adultos, e percorrem casa a casa a pedir o Pão-por-Deus. Recitam quadras tradicionais e recebem em troca pão, broas, bolos, romãs, frutos secos como nozes, amêndoas e castanhas, e, mais recentemente, doces, chocolates ou algum dinheiro, guardados num saco de pano ou num cesto. A quadra mais divulgada a nível nacional diz assim, "Pão por Deus, Fiel de Deus, bolinho no saco, andai com Deus". Muda de palavras conforme a terra, mas a fórmula e o gesto mantêm-se.
Raízes antigas e o reforço de 1756
A origem do costume é mais funda e mais incerta do que a versão fácil sugere. As fontes disponíveis apontam que a expressão Pão por Deus já se usava antes do terramoto de 1755, ligada a um costume antigo de dar pão e alimentos aos pobres em datas próximas de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos. Por trás está a memória de cultos ainda anteriores, de oferenda de pão e bolos aos mortos, depois cristianizados e fundidos com o culto dos santos e das almas. A datação exata dessa raiz não é consensual, por isso convém falar dela com prudência.
O que o terramoto trouxe foi força nova. Depois do sismo de 1 de novembro de 1755, que caiu justamente no Dia de Todos os Santos, muitos sobreviventes de Lisboa, desalojados e esfomeados, andaram no ano seguinte, em 1756, a bater às portas a pedir ajuda, dizendo Pão, por Deus. Esse episódio dramático ligou a expressão à memória coletiva do país e deu-lhe visibilidade duradoura. É por isso um reforço, não a invenção do costume do zero, e é essa a redação correta, o terramoto popularizou um gesto que já existia.
Bolinhós, Dia do Bolinho, fiéis de Deus, caspiadas
O mesmo costume muda de nome de terra para terra, e é aí que se vê a sua riqueza. Em Coimbra e na Beira Litoral, as crianças não pedem Pão por Deus, pedem bolinhos, com uma quadra própria, "Bolinhos e bolinhós, para mim e para vós, para dar aos finados que estão mortos e enterrados, à bela, bela cruz, truz, truz". Em Leiria e em Fátima, o dia é conhecido como Dia do Bolinho, com o mesmo essencial do peditório e apenas outro nome. Em Roriz, o que os rapazes pedem chama-se fiéis de Deus. E na ilha Terceira, nos Açores, as crianças recebem as caspiadas, bolos em forma de crânio humano estilizado que os estudiosos leem como resquício visível de um culto aos mortos mais antigo, bem distinto da forma neutra do pão e da broa do continente.
| Onde | Como se chama | O que se pede |
|---|---|---|
| Grande parte do país | Pão por Deus | Pão, broas, romãs e frutos secos, com a quadra "Pão por Deus, Fiel de Deus, bolinho no saco, andai com Deus". |
| Coimbra e Beira Litoral | Bolinhos, bolinhós | Bolinhos, com quadra própria dedicada aos finados. |
| Leiria e Fátima | Dia do Bolinho | O mesmo peditório de porta em porta, com outro nome local. |
| Roriz | Fiéis de Deus | O nome que os rapazes dão ao que pedem de porta em porta. |
| Ilha Terceira, Açores | Caspiadas | Bolos em forma de crânio humano estilizado, resquício de um culto aos mortos mais antigo. |
As quadras que se recitam à porta
O peditório não se faz em silêncio. À porta de cada casa, as crianças recitam uma quadra rimada antes de receberem o saco, e é essa fórmula cantada que dá alma ao costume. As palavras mudam de terra para terra, mas o gesto é o mesmo por todo o país.
O que se dá, do pão às romãs
O nome do costume vem do que nele se pede. O alimento mais tradicional é o pão, sobretudo o de milho, a broa, ou o pão caseiro, muitas vezes ao lado de pequenos bolos secos açucarados feitos de propósito para a ocasião. A eles juntam-se os frutos secos da época, nozes, amêndoas e castanhas, e a romã, fruta de novembro carregada de simbolismo de fertilidade e abundância em várias culturas mediterrânicas. É este o cabaz antigo do Pão-por-Deus, anterior aos rebuçados e chocolates que hoje entram no saco, e é dele que vem o peso do pão no próprio nome da tradição.
O que vai no saco do peditório
O cabaz antigo do Pão-por-Deus divide-se em três famílias, o pão que dá nome ao costume, os frutos da época e os doces feitos de propósito. A matriz seguinte arruma cada um, com a cor a marcar se é pão, fruto ou doce.
| O que é | Tipo | O que é no peditório |
|---|---|---|
| Pão e broa | Pão | O alimento que dá nome ao costume, muitas vezes de milho ou pão caseiro. |
| Bolos secos | Doce | Pequenos bolos açucarados feitos de propósito para a ocasião. |
| Romã | Fruto | A fruta de novembro, carregada de simbolismo de fartura e abundância. |
| Nozes | Fruto | Fruto seco da época, a par das amêndoas e das castanhas. |
| Amêndoas | Fruto | Outro fruto seco do cabaz antigo do peditório. |
| Castanhas | Fruto | Fruto seco de novembro, ao lado do pão e da romã. |
| Bolinhos | Doce | O nome e o doce que o costume toma em Coimbra e na Beira. |
| Caspiadas | Doce | Bolos em forma de crânio da ilha Terceira, nos Açores. |
Pão-por-Deus e Halloween têm origens distintas
O Pão-por-Deus não é uma cópia portuguesa do Halloween. É um costume próprio, ligado ao culto português e ibérico de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos, ao passo que o Halloween, marcado a 31 de outubro com fantasias e o pedido de doçura ou travessura, chegou a Portugal por via mais tardia e comercial. As duas tradições coexistem hoje, e há crianças que participam em ambas, por vezes com alguma mistura na prática. Convém, ainda assim, não ir longe demais. Dizer que o Pão-por-Deus é anterior à moda comercial do Halloween em Portugal é razoável, mas afirmar uma antiguidade absoluta, medida em séculos certos, seria forçar aquilo que as fontes permitem sustentar.
O que costuma baralhar-se
Duas trocas são comuns. A primeira é dar o terramoto de 1755 como certidão de nascimento do Pão-por-Deus; na verdade, o costume vinha de trás e o sismo apenas o reforçou. A segunda é confundi-lo com o Magusto. São festas diferentes e em dias diferentes, o Pão-por-Deus a 1 de novembro, com o peditório infantil de pão e doces, e o Magusto a 11 de novembro, com as castanhas assadas ao fogo e o vinho novo. Uma terceira nota, para arrumar o dia. A visita e limpeza das campas no cemitério, a 1 de novembro, é prática de adultos e famílias e pertence a Todos os Santos, não ao peditório das crianças, ainda que ambos aconteçam na mesma data.
Curiosidades do Pão-por-Deus
A expressão Pão por Deus já corria em Portugal antes do terramoto de 1755, ligada ao costume antigo de dar pão aos pobres em datas próximas de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos. Foi o sismo, que caiu justamente a 1 de novembro, e a súplica dos sobreviventes no ano seguinte, que deram nova força ao gesto, sem o inventarem do zero. Nos Açores, na ilha Terceira, os bolos do peditório, as caspiadas, têm forma de crânio humano estilizado, lido pelos estudiosos como resquício de um culto aos mortos bem mais antigo. E a romã, uma das frutas do saco, carrega em várias culturas mediterrânicas o simbolismo da fartura e da fertilidade.
O Pão-por-Deus no calendário do ano
O Pão-por-Deus cai a 1 de novembro, em pleno outono, quando o campo já deu os frutos secos e as romãs que enchem o saco do peditório. A roda do ano marca onde fica esta data, no arranque do mês dos santos e dos fiéis defuntos.
Pão-por-Deus cai no outono, em 1 de novembro de 2026.
Perguntas frequentes sobre o Pão-por-Deus
O Pão-por-Deus é feriado em Portugal em 2026?
O Pão-por-Deus, enquanto costume, não é feriado. Ocorre a 1 de novembro, que é o Dia de Todos os Santos, esse sim feriado nacional obrigatório do artigo 234.º do Código do Trabalho. O estatuto legal pertence ao feriado religioso, não ao peditório.
O que pedem as crianças no Pão-por-Deus?
No Pão-por-Deus as crianças pedem, de porta em porta, pão, broas, bolos, romãs e frutos secos como nozes, amêndoas e castanhas, e hoje também doces ou dinheiro, guardados num saco de pano. Recitam quadras tradicionais à porta de cada casa.
O Pão-por-Deus nasceu do terramoto de 1755?
Não exatamente. A expressão e o costume de dar pão aos pobres já existiam antes de 1755. O terramoto desse ano, e a súplica dos sobreviventes em 1756, reforçaram e popularizaram o Pão-por-Deus, mas não o inventaram de raiz.
O Pão-por-Deus é o mesmo que o Halloween?
Não. O Pão-por-Deus é um costume português ligado a Todos os Santos e aos Fiéis Defuntos, distinto do Halloween, marcado a 31 de outubro e de chegada mais tardia e comercial a Portugal. As duas tradições coexistem, mas têm origens, formas e datas diferentes.
Que outros nomes tem o Pão-por-Deus em Portugal?
O Pão-por-Deus muda de nome conforme a região. Em Coimbra pede-se bolinhos, em Leiria e Fátima chama-se Dia do Bolinho, em Roriz diz-se fiéis de Deus e na ilha Terceira as crianças recebem as caspiadas, bolos em forma de crânio.
O Pão-por-Deus é o mesmo que o Magusto?
Não. O Pão-por-Deus, a 1 de novembro, é o peditório de pão e doces feito pelas crianças. O Magusto, a 11 de novembro, é a festa de assar castanhas ao fogo com vinho novo. São datas e costumes distintos, embora ambos caiam em novembro.
Que quadra se recita no Pão-por-Deus?
A quadra mais divulgada a nível nacional no Pão-por-Deus diz "Pão por Deus, Fiel de Deus, bolinho no saco, andai com Deus". Em Coimbra, onde o costume se chama bolinhos, recita-se outra, dedicada aos finados, e há variantes conforme a terra.
O que são as caspiadas do Pão-por-Deus dos Açores?
As caspiadas são os bolos que as crianças recebem no Pão-por-Deus da ilha Terceira, nos Açores. Têm forma de crânio humano estilizado e são lidas pelos estudiosos como resquício visível de um culto aos mortos mais antigo, distinto do pão e da broa do continente.
O que se dava tradicionalmente no Pão-por-Deus?
No cabaz antigo do Pão-por-Deus dava-se sobretudo pão, muitas vezes broa de milho, ao lado de pequenos bolos secos, romãs e frutos secos da época como nozes, amêndoas e castanhas. Os rebuçados e chocolates são acrescentos mais recentes.
Quem faz o peditório do Pão-por-Deus?
O peditório do Pão-por-Deus é feito pelas crianças, que saem de manhã em pequenos grupos, hoje muitas vezes acompanhadas por adultos, e percorrem casa a casa a pedir o saco com quadras à porta de cada casa.
Porque é a romã uma das frutas do Pão-por-Deus?
A romã entra no saco do Pão-por-Deus por ser fruta da época, de novembro, e por carregar, em várias culturas mediterrânicas, um forte simbolismo de fertilidade e de abundância, a condizer com o gesto de partilha do costume.
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