Magusto 2026
Magusto de São Martinho 2026 cai numa quarta-feira, 11 de novembro de 2026, data comemorativa não feriada. Saiba mais abaixo sobre as tradições e a história desta data em Portugal.
O Magusto de São Martinho de 2026 cai a 11 de novembro, quarta-feira. Assinala-se quase sempre sob o bom tempo tardio a que se chama verão de São Martinho, e não é feriado nacional. É a festa da castanha assada e do vinho novo, provado ao fogo com água-pé e jeropiga. A seguir fica quem trabalha, a lenda que dá nome ao dia, a razão meteorológica do sol fora de época e o caminho da castanha, de Trás-os-Montes à fogueira.
O essencial
Quando é
A 11 de novembro, dia de São Martinho. Em 2026, quarta-feira.
É feriado
Não é feriado nacional. É dia útil, embora muitas escolas parem para o magusto.
O que se faz
Assam-se castanhas ao fogo, com vinho novo, água-pé e jeropiga.
Quando é o Magusto
A data é fixa a 11 de novembro, dia de São Martinho de Tours. Só o dia da semana muda de ano para ano. Em 2026 calha a uma quarta-feira.
| Ano | Data | Dia da semana |
|---|---|---|
| 2025 | 11 de novembro | terça-feira |
| 2026 | 11 de novembro | quarta-feira |
| 2027 | 11 de novembro | quinta-feira |
| 2028 | 11 de novembro | sábado |
| 2029 | 11 de novembro | domingo |
É feriado o Magusto?
A nível nacional, não. O 11 de novembro não consta dos feriados obrigatórios do artigo 234.º do Código do Trabalho nem dos facultativos do artigo 235.º. Trabalha-se e estuda-se com normalidade, salvo quando a data cai ao fim de semana, ainda que muitas escolas parem parte do dia para o seu magusto. Em teoria, a data poderia coincidir com o feriado municipal de algum concelho que tenha São Martinho por padroeiro, mas não há confirmação verificada, caso a caso, de que tal suceda em Portugal, por isso convém não o dar como certo.
A capa de São Martinho e o gesto de partilha
A festa apoia-se numa lenda antiga. Martinho de Tours foi soldado romano no século IV e, ainda antes de se converter ao cristianismo, terá partido ao meio a sua capa militar com a espada para cobrir um mendigo nu que tremia de frio junto a um portão de Amiens, em França. Nessa noite, conta a tradição, sonhou com Jesus vestido com a metade da capa que dera. É desta imagem que vem a ligação de São Martinho à partilha, e é ela que a festa do magusto, com o seu partir e repartir de castanhas em roda, prolonga até hoje. Vale tratá-la como o que é, uma narrativa hagiográfica, e não como episódio verificado ao pormenor.
O verão de São Martinho existe mesmo?
Sim, e não é só lenda. A continuação popular da história diz que, como paga do gesto de Martinho, o frio parou uns dias e voltou o sol, dando origem à expressão verão de São Martinho para o bom tempo que costuma surgir em torno de 11 de novembro. Ao contrário do que às vezes se diz, o fenómeno tem base real, pois corresponde a um período seco, estável e soalheiro do fim do outono, ligado a uma situação de anticiclone sobre a Península Ibérica, em regra o anticiclone subtropical do Atlântico Norte, o anticiclone dos Açores. A ausência de nuvens, chuva e vento traz esses dias amenos. O que varia é a intensidade e a certeza. Há anos em que o verão de São Martinho quase não aparece. A expressão, de resto, tem irmãs por toda a Europa, do Saint Martin's summer inglês ao été de la Saint-Martin francês.
A castanha, de Trás-os-Montes à mesa
O fruto que dá corpo à festa colhe-se em Portugal sobretudo entre outubro e dezembro, e o grosso vem de Trás-os-Montes. É lá que ficam três das quatro Denominações de Origem Protegida de castanha reconhecidas no país, a da Terra Fria, a dos Soutos da Lapa e a da Padrela. A Castanha da Padrela abrange freguesias dos concelhos de Chaves, Murça, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, tem na variedade Judia a sua principal e obriga a apanha manual do chão, depois de o fruto cair, sem qualquer método mecânico. Só em Valpaços há mais de 3.700 hectares de soutos e cerca de 2.000 produtores, em 18 localidades abrangidas pela denominação.
A escala nacional confirma o peso da região. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística citados pelo setor, a produção de castanha em Portugal terá rondado, em 2024, as 27 mil toneladas, das quais a larga maioria, perto de 20 mil toneladas, colhida em Trás-os-Montes. O ano de 2025 trouxe má notícia. Os incêndios florestais do verão destruíram entre 20 e 22 milhões de euros de produção de castanha, com pressão esperada sobre os preços do fruto que simboliza a data.
Água-pé e jeropiga, as bebidas do fogo
A castanha assada não anda só. Acompanha-a a água-pé, bebida de baixo teor alcoólico feita juntando água ao pé, o bagaço que sobra da prensagem da uva, por vezes com uma gota de aguardente. A seu lado corre a jeropiga, mais doce, preparada a partir do mosto de forma semelhante. Ambas são de outono e inverno e ligam-se ao magusto no Minho, em Trás-os-Montes, nas Beiras, no Ribatejo e na Estremadura. Há aqui um pormenor curioso. Ao contrário do vinho comercial, apertado pela regulação do setor, a água-pé e a jeropiga caseiras vivem num relativo vazio de enquadramento legal próprio, o que é apontado, a par da concorrência da cerveja, como uma das razões que ameaçam o desaparecimento lento destas bebidas.
O que se assa, o que se bebe e o que se faz no magusto
A festa de São Martinho junta num só serão o fruto, a bebida e a brincadeira. A matriz seguinte arruma cada peça, com a cor a marcar se é fruto, bebida, costume ou feira da data.
| O que é | Tipo | O que é no magusto |
|---|---|---|
| Castanha assada | Fruto | O fruto da festa, assado ao lume e comido ainda a escaldar. |
| Castanha da Padrela | Fruto | A castanha com denominação de origem de Trás-os-Montes, de apanha manual do chão. |
| Água-pé | Bebida | Bebida leve feita de água e do bagaço que sobra da prensagem da uva. |
| Jeropiga | Bebida | Licor doce de mosto, o par da água-pé à volta do fogo. |
| Vinho novo | Bebida | O vinho das vindimas de outubro, provado como manda o provérbio. |
| Enfarruscar | Costume | Esfregar cinza ou carvão apagado da fogueira na cara e nas mãos uns dos outros. |
| Fogueira comunitária | Costume | O lume dos largos de aldeia onde as juntas e associações assam castanha para todos. |
| Feira do Cavalo | Feira | A Feira Nacional do Cavalo da Golegã, que cai sempre no dia de São Martinho. |
Da fogueira à Feira do Cavalo da Golegã
O magusto não é uma coisa só. Nas cidades, tende a ser doméstico ou escolar, à volta de um assador; no interior Norte e Centro, sobretudo nas aldeias transmontanas, guarda uma dimensão comunitária forte, com fogueiras nos largos e as juntas de freguesia e associações a assar castanha para toda a gente. Um gesto atravessa quase todos, o enfarruscar, esfregar cinza ou carvão apagado na cara e nas mãos uns dos outros, brincadeira que fica por marca da noite de fogueira.
A data tem ainda a sua grande feira. Na Golegã, no Médio Tejo, o dia de São Martinho coincide com a Feira Nacional do Cavalo, conhecida como Feira de São Martinho da Golegã até 1972, ano em que foi rebatizada. As suas raízes recuam pelo menos ao século XVI, o que faz dela um dos maiores e mais antigos eventos equestres do país, com a vila apelidada de Capital do Cavalo. Em 2025 foi proposta para o Inventário Nacional do Património Imaterial, com vista a uma futura candidatura à UNESCO.
O magusto de norte a sul
O magusto não se vive da mesma maneira em todo o país. Muda com a terra, com a castanha que lá se dá e com o peso da tradição comunitária. O quadro resume as suas feições regionais.
| Onde | Como se vive o magusto |
|---|---|
| Trás-os-Montes | A dimensão comunitária mais forte, com fogueiras nos largos das aldeias, e o grosso da castanha do país, com três das quatro denominações de origem. |
| Padrela (Chaves, Murça, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar) | A castanha da Padrela, de variedade Judia, protegida por denominação de origem e de apanha manual do chão obrigatória. |
| Minho, Beiras, Ribatejo e Estremadura | Os magustos regados a água-pé e jeropiga, as bebidas de outono que acompanham a castanha ao fogo. |
| Cidades | O magusto mais doméstico ou escolar, à volta de um assador, com o enfarruscar por marca da festa. |
| Golegã, no Médio Tejo | O dia de São Martinho coincide com a Feira Nacional do Cavalo, um dos maiores eventos equestres do país. |
| Centro e Norte, a 1 de novembro | Um magusto antecipado, em memória dos finados, distinto do costume próprio de São Martinho a 11 de novembro. |
Provar o vinho novo, como manda o provérbio
Nenhuma outra festa portuguesa está tão amarrada a um ditado. No dia de São Martinho, prova o teu vinho, resume o costume, generalizado pelo país, de nesta data se provar o vinho novo, fermentado desde as vindimas de outubro. À sua volta juntam-se dezenas de variantes recolhidas na tradição oral, de região para região, todas em torno da mesma ideia, castanhas quentes e vinho por estrear. É o momento em que o produtor sabe, pela primeira vez, o que a colheita lhe deu, e a festa serve também de veredicto.
Magusto e Pão-por-Deus não são a mesma festa
Como as duas datas caem em novembro e ambas mexem com castanhas, é fácil trocá-las. O Pão-por-Deus, a 1 de novembro, é o peditório em que as crianças pedem pão, doces e frutos secos de porta em porta. O Magusto, a 11 de novembro, é a festa comunitária de assar castanhas ao fogo com vinho novo, água-pé ou jeropiga. Nalgumas regiões do Centro e do Norte existe um magusto antecipado ligado a 1 de novembro, em memória dos finados, mas o costume com nome, festa e calendário próprios é o de São Martinho. São dois momentos distintos do mesmo mês, não a mesma tradição.
Curiosidades do Magusto e de São Martinho
A expressão verão de São Martinho tem irmãs por toda a Europa, do Saint Martin's summer inglês ao été de la Saint-Martin francês, sinal de um fenómeno de tempo bom de fim de outono conhecido em vários países. A Feira do Cavalo da Golegã chamou-se Feira de São Martinho até 1972 e, em 2025, foi proposta para o Inventário Nacional do Património Imaterial. A água-pé e a jeropiga caseiras vivem num relativo vazio de enquadramento legal, o que é apontado, a par da concorrência da cerveja, como uma ameaça ao seu desaparecimento lento. E os incêndios do verão de 2025 destruíram entre 20 e 22 milhões de euros de produção de castanha, com pressão sobre os preços do fruto da data.
O Magusto no calendário do ano
O Magusto cai fundo no outono, a 11 de novembro, quando as castanhas amadurecem nos soutos e o vinho das últimas vindimas já se pode provar. A roda do ano mostra em que ponto da estação a festa acontece, entre o equinócio de setembro e o solstício de dezembro.
Magusto de São Martinho cai no outono, em 11 de novembro de 2026.
Perguntas frequentes sobre o Magusto
O Magusto é feriado em Portugal em 2026?
A nível nacional, não. O Magusto, a 11 de novembro, não consta dos feriados do artigo 234.º nem do 235.º do Código do Trabalho. Trabalha-se e estuda-se normalmente, ainda que muitas escolas parem parte do dia para o seu magusto.
O que se come e bebe no Magusto?
No Magusto comem-se castanhas assadas, tradicionalmente ao fogo, acompanhadas de vinho novo, de água-pé e de jeropiga. A castanha da data vem sobretudo de Trás-os-Montes, região que concentra três das quatro denominações protegidas do país.
O verão de São Martinho é só uma lenda?
Não. O verão de São Martinho nasce de uma lenda, mas corresponde a um fenómeno real, um período seco e soalheiro do fim do outono, ligado a uma situação de anticiclone sobre a Península Ibérica. A sua intensidade varia de ano para ano.
Porque se celebra o Magusto a 11 de novembro?
Porque o 11 de novembro é o dia de São Martinho de Tours, a quem a lenda da capa partilhada com um mendigo ligou o gesto de repartir. É esse gesto que a festa da castanha, comida em roda, prolonga.
O que é o enfarruscar no Magusto?
É a brincadeira de esfregar cinza ou carvão apagado da fogueira na cara e nas mãos uns dos outros, comum em magustos escolares e comunitários por todo o país, como parte da festa junto ao fogo.
De onde vem a castanha do Magusto?
Vem sobretudo de Trás-os-Montes, o principal produtor nacional. Lá ficam três denominações protegidas, entre elas a Castanha da Padrela, que abrange Chaves, Murça, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar e obriga a apanha manual do chão.
O que é a Feira Nacional do Cavalo da Golegã?
É um dos maiores eventos equestres do país, na Golegã, que coincide com o dia de São Martinho. Chamava-se Feira de São Martinho da Golegã até 1972 e tem raízes que recuam pelo menos ao século XVI.
O Magusto é o mesmo que o Pão-por-Deus?
Não. O Pão-por-Deus, a 1 de novembro, é o peditório de pão e doces de porta em porta feito pelas crianças. O Magusto, a 11 de novembro, é a festa de assar castanhas ao fogo com vinho novo. São datas e costumes distintos.
O que são a água-pé e a jeropiga do Magusto?
São as bebidas que acompanham a castanha assada no Magusto. A água-pé é uma bebida leve, feita juntando água ao bagaço que sobra da prensagem da uva. A jeropiga é mais doce, preparada a partir do mosto de forma semelhante.
Quanta castanha se produz em Portugal?
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística citados pelo setor, a produção de castanha em Portugal terá rondado, em 2024, as 27 mil toneladas, das quais perto de 20 mil colhidas em Trás-os-Montes, o principal produtor nacional do fruto do Magusto.
O que diz o provérbio de São Martinho?
O provérbio mais conhecido do Magusto é "No dia de São Martinho, prova o teu vinho", que resume o costume, generalizado pelo país, de nesta data se provar o vinho novo, fermentado desde as vindimas de outubro.
Porque se chama verão de São Martinho ao bom tempo de novembro?
O nome nasce da lenda de São Martinho, segundo a qual o frio parou uns dias como paga do gesto de partilha do santo. Hoje sabe-se que corresponde a um período seco e soalheiro do fim do outono, ligado a uma situação de anticiclone sobre a Península Ibérica.
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