Passagem de Ano 2026
Faltam 131 dias para a Passagem de Ano, numa quinta-feira, 31 de dezembro de 2026. Saiba mais abaixo sobre as tradições e a história desta data em Portugal.
A Passagem de Ano de 2026 celebra-se na noite de quinta-feira, 31 de dezembro, a passagem de 31 de dezembro para 1 de janeiro. É a noite das 12 passas comidas ao soar das badaladas e do brinde com espumante. O dia 31 não é feriado, mas o dia seguinte, 1 de janeiro, é feriado nacional. Do Terreiro do Paço à baía do Funchal, que já teve o maior espetáculo pirotécnico do mundo, o país despede-se do ano em festa de rua. Esta página reúne o estatuto do dia, a mesa e os gestos da noite e as grandes festas de norte a sul.
O essencial
Quando é
A noite de 31 de dezembro. Em 2026, quinta-feira.
É feriado
O dia 31 não é feriado. O feriado é o dia 1 de janeiro, o Ano Novo.
A tradição
As 12 passas ao soar das badaladas e o brinde com espumante à meia-noite.
O dia 31 de dezembro é feriado?
O 31 de dezembro é dia útil normal em todo o território, continente, Açores e Madeira. Não consta do artigo 234.º do Código do Trabalho, e o feriado da quadra é apenas o 1 de janeiro. O que sucede, com frequência, é o Governo conceder tolerância de ponto neste dia aos trabalhadores da administração direta do Estado e institutos públicos, por despacho anual, como aconteceu a 31 de dezembro de 2025. Trata-se de uma decisão discricionária, tomada ano a ano, que abrange a função pública e não constitui obrigação legal geral. No setor privado, quem trabalha a 31 depende do contrato ou de decisão da empresa.
Porque se comem 12 passas na Passagem de Ano
O ritual mais conhecido faz-se à meia-noite. Ao soarem as 12 badaladas, come-se uma passa de cada vez, pedindo um desejo por cada uma, um para cada mês do ano que entra. A tradição não é antiga em Portugal nem de origem portuguesa. Vem da aristocracia parisiense do final do século XVIII, que celebrava com uvas frescas e champanhe, e ganhou forma popular em Espanha. Chegada a Portugal, a uva fresca deu lugar às passas, que se conservam todo o ano, ao contrário da uva de época. Junta-se-lhe o brinde com espumante à meia-noite, fecho obrigatório da contagem. Quem quiser cumprir o ritual à risca conta pelo menos doze passas por pessoa, uma para cada badalada.
De onde vieram as 12 passas
A tradição tem uma viagem curiosa. Nasceu entre a aristocracia francesa do final do século XVIII, que fechava a noite com uvas frescas e champanhe, e foi em Espanha que se tornou costume de rua. Primeiro num protesto, em Madrid, no ano de 1880, quando um grupo se juntou na Puerta del Sol a comer uvas em tom de troça contra uma nova taxa municipal, num gesto jocoso que pegou. Depois numa jogada comercial, em 1909, quando produtores de Alicante, com excedente de colheita, venderam pacotes de "doze uvas da sorte" e fixaram o ritual. A ideia atravessou a fronteira e, em Portugal, a uva fresca de época deu lugar à passa, que dura o ano inteiro.
A mesa e os símbolos da meia-noite
A noite de 31 tem menos prato à mesa e mais ritual do que a Consoada. Ao lado das passas e do espumante entram gestos de sorte que não se comem, mas que muita gente cumpre à risca. Esta matriz reúne o que marca a noite, com a cor a assinalar o tipo de cada símbolo, do que se come ao que se veste.
| Símbolo | Tipo | O que é na noite |
|---|---|---|
| 12 passas | Comer | Uma por cada badalada da meia-noite, com um desejo à mistura. |
| Espumante | Beber | O brinde que fecha a contagem, quase sempre de produção nacional. |
| Bolo-rei | Doce | O doce transversal à quadra, que sobra do Natal para a mesa da noite. |
| Roupa interior de cor | Vestir | Azul pela paz, vermelho pela paixão, dourado pela prosperidade. |
| Entrar com o pé direito | Gesto | O gesto de sorte de raiz romana, à descida da cadeira, taça na mão. |
| Janeiras | Cantar | O cantar de porta em porta a desejar bom ano, que abre nesta noite. |
Nem tudo tem a mesma raiz. As passas e o espumante vêm da mesa, o pé direito da superstição antiga e as Janeiras do calendário religioso que se abre a seguir. O que os une é o instante da meia-noite, quando o costume manda cumprir todos de uma vez.
Os gestos de sorte da noite
À volta das passas cresceram outros gestos de sorte. O mais popular é "entrar com o pé direito", subindo a uma cadeira antes da meia-noite e descendo com o pé direito à frente, de taça na mão, num costume que se faz remontar à Roma Antiga, onde o lado direito era o da sorte e o esquerdo o do azar. Outro é a escolha da cor da roupa interior para a noite, em que o azul, ligado à paz e à serenidade, chega a esgotar nas lojas em alguns anos, enquanto o vermelho se associa à paixão e o amarelo ou dourado ao dinheiro e à prosperidade. Não há aqui uma origem única e datada, mas uma lógica de atribuição simbólica de significados às cores. É também nesta noite que, em algumas regiões, abre a época das Janeiras, o cantar de porta em porta a desejar bom ano, cujo pico pertence ao Dia de Reis. Convém guardar uma nota. Nada disto é facto comprovado, é tradição, e cada família cumpre o que lhe apetece.
O recorde Guinness do Funchal
Há uma noite de passagem de ano portuguesa que entrou para os livros. O espetáculo de fogo de artifício do Funchal na passagem de 2006 para 2007 recebeu o título Guinness World Records de maior espetáculo pirotécnico do mundo. Foram 66.326 fogos disparados a partir de 37 pontos de lançamento, 31 em terra e 6 em plataformas no mar, ao longo de oito minutos, formando um arco de fogo com seis quilómetros de extensão à volta da baía. A Guinness anunciou a decisão às 01h30 do dia 1 de janeiro de 2007, e a Madeira manteve o título até 2012. Continua a ser um dos maiores espetáculos da Europa, embora o recorde já não seja seu.
Onde ver o fogo de artifício em Portugal
A meia-noite de 31 acende o céu de norte a sul. Cada cidade tem o seu palco, do anfiteatro natural da baía do Funchal às praças cheias do continente. Estes são os quatro grandes pontos de encontro da noite.
| Onde | Palco | Porquê aqui |
|---|---|---|
| Funchal | Baía do Funchal, Madeira | O anfiteatro de encostas sobre o mar, com um fogo que já foi recorde Guinness e continua entre os maiores da Europa. |
| Lisboa | Terreiro do Paço | A maior concentração do continente, com dez minutos de fogo sobre o Tejo e concertos antes da contagem. |
| Porto | Avenida dos Aliados | As 12 badaladas ouvidas em conjunto no coração da cidade, com fogo sobre os edifícios. |
| Albufeira | Praia dos Pescadores, Algarve | A festa "Carpe Nox" na areia, com fogo sobre a praia, o segundo destino mais procurado do país. |
As grandes festas de rua, de Lisboa a Albufeira
No continente, a maior concentração de gente é em Lisboa. A passagem de 2024 para 2025 juntou cerca de 130 mil pessoas no Terreiro do Paço, com dez minutos de fogo de artifício à meia-noite e concertos antes da contagem. No Porto, a Avenida dos Aliados reúne mais de cem mil pessoas para ouvir as 12 badaladas, entre concertos e fogo sobre a cidade. E no Algarve, Albufeira tornou-se o segundo destino mais procurado do país para a noite de 31, com a festa "Carpe Nox", na Praia dos Pescadores, a juntar mais de 230 mil pessoas, segundo a autarquia, entre residentes e visitantes, com a imprensa regional a apontar mesmo mais de 350 mil numa edição anterior. São números que variam de ano para ano e de fonte para fonte, por isso valem como ordem de grandeza da enchente, não como conta certa.
Metade dos portugueses fica em casa
Nem toda a gente sai à rua. Segundo dados citados pela imprensa, cerca de metade dos portugueses prefere passar a noite de 31 em casa, com um quarto a admitir gostar de a viver fora, num hotel, num restaurante ou noutra cidade. É o reverso das praças cheias. Enquanto uns rumam ao Terreiro do Paço ou à baía do Funchal, a maioria fecha o ano à mesa de casa, com as passas à mão e a televisão ligada à contagem.
O espumante português no brinde
O brinde da meia-noite alimenta uma indústria com raízes fundas. Portugal produz entre onze e doze milhões de garrafas de espumante por ano, com a Bairrada a certificar cerca de 3,3 milhões e a região de Távora-Varosa cerca de 2,7 milhões. Estima-se em 3,5 milhões o número de consumidores de espumante e champanhe no continente, perto de 42 por cento dos residentes adultos, com clara preferência pelo espumante nacional face ao champanhe francês de importação, por razões de preço. Assim, boa parte das rolhas que saltam na noite de 31 de dezembro é de produção portuguesa.
Enganos que convém desfazer
Há três equívocos frequentes. O primeiro é tratar o 31 de dezembro como feriado, quando não é, é dia útil, e o feriado é o 1 de janeiro. O segundo é julgar as 12 passas uma tradição portuguesa antiga, quando chegaram a Portugal via Espanha, que as popularizou entre finais do século XIX e o início do XX, e a troca da uva fresca pela passa é posterior. O terceiro é supor que o recorde do fogo de artifício da Madeira ainda está de pé, quando foi da Madeira entre 2006 e 2012, mas hoje já não detém o título Guinness.
Curiosidades da noite de 31
A passa que se come em Portugal é uma adaptação nacional da uva fresca espanhola, escolhida por durar o ano inteiro. O recorde do Funchal foi anunciado já depois da meia-noite, às 01h30 do dia 1 de janeiro de 2007, quando a festa mal tinha acabado. E a corrida à roupa interior azul chega a esgotar essa cor em algumas lojas nos dias que antecedem a noite, por ser a cor associada à paz e à serenidade.
A Passagem de Ano no calendário
A noite de 31 de dezembro fecha o ano em pleno inverno, logo a seguir ao solstício de dezembro, quando os dias ainda são os mais curtos mas já começam a crescer. A roda do ano mostra o instante em que o calendário vira a página.
Passagem de Ano cai no inverno, em 31 de dezembro de 2026.
Perguntas frequentes sobre a Passagem de Ano
A Passagem de Ano é feriado em 2026?
Não. O 31 de dezembro é dia útil normal e não consta dos feriados nacionais obrigatórios do artigo 234.º do Código do Trabalho. O feriado da quadra é o dia 1 de janeiro.
Tenho folga a 31 de dezembro?
Depende. A administração pública teve tolerância de ponto a 31 de dezembro de 2025, por despacho do Governo, mas é uma decisão anual e discricionária. No setor privado, depende do contrato ou da empresa.
Porque se comem 12 passas na Passagem de Ano?
Come-se uma passa por cada uma das 12 badaladas da meia-noite, pedindo um desejo por cada uma, um para cada mês do ano seguinte. É uma tradição chegada de Espanha.
A tradição das 12 passas é portuguesa?
Não na origem. Nasceu na aristocracia parisiense, popularizou-se em Espanha com o protesto de Madrid em 1880 e a campanha de Alicante em 1909, e chegou a Portugal já com a passa a substituir a uva fresca.
Porque se usam passas em vez de uvas frescas na Passagem de Ano?
Porque as passas, uvas secas, conservam-se o ano inteiro, ao contrário da uva fresca, que só há na época da colheita. Quando o costume espanhol chegou a Portugal, a uva deu lugar à passa por essa razão prática.
Qual foi o maior espetáculo de fogo de artifício do Funchal?
O da passagem de 2006 para 2007, com 66.326 fogos disparados de 37 pontos, que valeu ao Funchal o título Guinness de maior espetáculo pirotécnico do mundo, mantido até 2012.
Onde ver o fogo de artifício na Passagem de Ano em Portugal?
Os quatro grandes palcos da Passagem de Ano são a baía do Funchal, na Madeira, o Terreiro do Paço em Lisboa, a Avenida dos Aliados no Porto e a Praia dos Pescadores em Albufeira, no Algarve.
Quantas pessoas vão ao Terreiro do Paço na Passagem de Ano?
A passagem de 2024 para 2025 juntou cerca de 130 mil pessoas no Terreiro do Paço, em Lisboa, com fogo de artifício à meia-noite e concertos antes da contagem decrescente.
O que significa entrar com o pé direito no ano novo?
É um gesto de sorte da noite de passagem de ano, com raiz na Roma Antiga, em que o lado direito simbolizava a sorte. Costuma fazer-se descendo de uma cadeira com o pé direito à frente à meia-noite. É tradição, não facto comprovado.
Que cor de roupa interior se usa na Passagem de Ano?
A escolha da cor é uma tradição simbólica da noite. O azul liga-se à paz e à serenidade, o vermelho à paixão e o amarelo ou dourado ao dinheiro e à prosperidade. É um costume popular, sem origem única e datada.
O espumante da Passagem de Ano é português?
Em boa parte, sim. Portugal produz entre onze e doze milhões de garrafas de espumante por ano, sobretudo na Bairrada e em Távora-Varosa, e os consumidores preferem o nacional ao champanhe importado.
Onde se junta mais gente na Passagem de Ano em Portugal?
No continente, em Lisboa, no Terreiro do Paço, com cerca de 130 mil pessoas. Albufeira, no Algarve, é apontada como o segundo destino mais procurado, com mais de 230 mil pessoas na Praia dos Pescadores segundo a autarquia.
A maioria dos portugueses passa a noite de 31 em casa ou na rua?
Segundo dados citados pela imprensa, cerca de metade dos portugueses prefere passar a noite de 31 de dezembro em casa, enquanto um quarto admite gostar de a viver fora, num hotel, num restaurante ou noutra cidade.
Próximas datas de Passagem de Ano
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