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Carnaval 2027

Terça-feira de Carnaval 2027 cai numa terça-feira, 9 de fevereiro de 2027, data comemorativa não feriada. Saiba mais abaixo sobre as tradições e a história desta data em Portugal.

Faltam 171 dias · Terça-feira, 9 de fevereiro de 2027

Em 2027, a Terça-feira de Carnaval cai entre o início de fevereiro e o início de março, sempre a uma terça. Não é feriado nacional obrigatório. É feriado facultativo nos termos do artigo 235.º do Código do Trabalho, e o Governo costuma conceder tolerância de ponto na função pública. A data é móvel, 47 dias antes do Domingo de Páscoa, por isso muda todos os anos. Por trás da folia está o Entrudo, festa de raiz antiga que em Portugal vai das matrafonas de Torres Vedras aos caretos de Podence, hoje património da humanidade. Aqui fica quem pode ter folga, de onde vem a festa e onde se festeja de norte a sul.

O essencial

Quando é

Sempre a uma terça-feira, entre fevereiro e março. É data móvel, 47 dias antes da Páscoa.

É feriado

Não é feriado obrigatório. É facultativo, nos termos do artigo 235.º do Código do Trabalho.

Quem tem folga

A função pública, quando o Governo concede tolerância de ponto. No privado, só se o contrato o previr.

Quando é o Carnaval

A Terça-feira de Carnaval antecede em 47 dias o Domingo de Páscoa, na véspera da Quarta-feira de Cinzas, que abre a Quaresma. Como depende da Páscoa, a data varia de ano para ano, mas cai sempre a uma terça, entre inícios de fevereiro e inícios de março.

AnoTerça-feira de CarnavalDomingo de Páscoa
20254 de março20 de abril
202617 de fevereiro5 de abril
20279 de fevereiro28 de março
202829 de fevereiro16 de abril
202913 de fevereiro1 de abril

Quem tem folga no Carnaval

Todos os anos o Governo pondera conceder tolerância de ponto aos funcionários da administração direta do Estado e institutos públicos na Terça-feira de Carnaval, através de despacho do Primeiro-Ministro. Em 2026, a tolerância foi concedida para 17 de fevereiro pelo Despacho n.º 1853/2026, de 13 de fevereiro, publicado no Diário da República, ao abrigo da alínea d) do artigo 199.º da Constituição. É uma prática recorrente na última década, com a exceção de 2021, no auge da pandemia. Esta tolerância é um ato administrativo emitido ano a ano, não uma regra permanente, e aplica-se apenas à administração pública direta do Estado, não ao setor privado nem automaticamente às autarquias.

Do Entrudo às ruas de farinha

A palavra "Entrudo" vem do latim introitus, "entrada", a entrada na Quaresma que começa logo a seguir. Aparece já no português medieval, com formas como "Entroydo" no século XIII, e o costume tem raízes em rituais pagãos de fertilidade e nas festas romanas da Saturnália, depois encaixadas na pré-Quaresma cristã. O Entrudo tradicional português, anterior ao corso urbano com carros alegóricos, era feito de brincadeiras de rua, com água, farinha, tintas e ovos podres atirados de uns aos outros, sem poupar sequer, no passado, as roupas de seda das cortes. É esse fundo antigo que ainda hoje sobrevive por baixo da folia mais recente.

Os grandes carnavais portugueses

O Carnaval de Torres Vedras gaba-se de ser "o mais português de Portugal", por resistir à influência do samba que domina outros festejos. A pretensão tem lastro. A primeira referência documentada ao seu Entrudo remonta a 1574, num registo do tempo de D. Sebastião, e desde 2022 o carnaval torreense é Património Cultural Imaterial Nacional. Pela avenida desfilam as matrafonas, homens travestidos de mulher, ao lado dos cabeçudos e dos Zés-Pereiras. Em 2026 celebrou-se o centenário das matrafonas.

Mais a sul, o Carnaval de Loulé é um dos corsos mais antigos do país, com primeira edição em 1906, nascido do desejo de um festejo mais "civilizado" do que os anteriores. Ficou conhecido como Batalha das Flores, porque os carros são cobertos de flores de papel feitas à mão ao longo de meses, talvez em eco das amendoeiras em flor do Algarve nesta época. O Carnaval de Ovar, organizado desde o primeiro cortejo de 1952, seguiu o caminho oposto e abraçou as escolas de samba. Em três corsos, com mais de dois mil figurantes, ultrapassou os cem mil foliões em 2019, ao ponto de a câmara ter passado a controlar os acessos. Coexistem ainda outros corsos com história, como o de Estarreja, a rondar desde 1897, e o de Sesimbra, junto ao mar. O tempo, porém, tem a última palavra. Em fevereiro de 2026, o mau tempo obrigou vários concelhos, incluindo Torres Vedras e Estarreja, a cancelar desfiles.

1574ano da primeira referência ao Entrudo de Torres Vedras
1906primeira edição do Carnaval de Loulé, um dos corsos mais antigos do país
2019ano em que os Caretos de Podence entraram no património da humanidade
100 milfoliões que o Carnaval de Ovar ultrapassou em 2019
1574Primeira referência documentada ao Entrudo de Torres Vedras, num registo do tempo de D. Sebastião.
1906Loulé estreia o corso da Batalha das Flores, um dos mais antigos de Portugal.
1952Ovar organiza o seu primeiro cortejo, que viria a abraçar as escolas de samba.
2019A UNESCO inscreve os Caretos de Podence como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
2022O Carnaval de Torres Vedras é classificado Património Cultural Imaterial Nacional.

Caretos de Podence e máscaras de Lazarim

No interior de Trás-os-Montes, o Carnaval guarda a sua face mais arcaica. Os Caretos de Podence, na aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, são Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 12 de dezembro de 2019. Vestem máscara de couro ou latão pintada de amarelo, vermelho e preto, fatos de franjas de lã e chocalhos à cintura, e correm a aldeia em "chocalhadas" dirigidas sobretudo às mulheres, gesto ligado a antigos ritos de fertilidade e ao fim do inverno. O "Entrudo Chocalheiro" chega a atrair dezenas de milhar de pessoas à pequena aldeia ao longo de quatro dias.

A poucas dezenas de quilómetros, em Lazarim, no concelho de Lamego, esculpem-se máscaras de madeira de amieiro, muitas vezes deixadas por pintar para honrar a mão de quem as talhou. As figuras dividem-se entre caretos e senhorinhas, umas carrancudas, outras animalescas, com cornos, barbichas e lagartos esculpidos. Lazarim disputa com Podence o título de Entrudo mais tradicional do país, mas são tradições distintas, uma de tecido e lã, com selo da UNESCO, outra de madeira esculpida, transmitida de pai para filho.

Os carnavais de Portugal, de norte a sul

Não há um só Carnaval português, há muitos, e mudam de feição conforme a terra. Uns puxam à raiz ibérica antiga, outros abraçaram o samba, e cada um guarda a sua marca. O quadro reúne os corsos e Entrudos com história própria.

CarnavalOndeA marca da festa
Torres VedrasOeste"O mais português de Portugal", com matrafonas, cabeçudos e Zés-Pereiras, e Património Cultural Imaterial Nacional desde 2022.
OvarAveiroEscolas de samba e três corsos com mais de dois mil figurantes, que ultrapassaram os cem mil foliões em 2019.
LouléAlgarveA Batalha das Flores, com carros cobertos de flores de papel feitas à mão, num dos corsos mais antigos do país, de 1906.
PodenceMacedo de Cavaleiros, Trás-os-MontesOs caretos de máscara e chocalhos, Património Cultural Imaterial da Humanidade desde 2019.
LazarimLamego, BeiraAs máscaras de madeira de amieiro esculpidas à mão, entre caretos e senhorinhas.
EstarrejaAveiroUm dos corsos mais antigos do país, a rondar desde 1897, com grupos de folia e samba.
SesimbraSetúbalCinco dias de festa junto ao mar, com escolas de samba, cegadas e desfiles escolares.
MealhadaBeira LitoralCorso carnavalesco com escolas de samba e grupos apeados a partir do centro da vila.

Matrafonas, caretos e batalhas de flores

O Carnaval português vive de figuras e gestos com nome próprio. Uns são personagens que desfilam, outros são máscaras de raiz ancestral, outros ainda brincadeiras de rua. Estes são os que dão cara à folia.

As matrafonas de Torres VedrasHomens travestidos de mulher que desfilam ao lado dos cabeçudos e dos Zés-Pereiras. Em 2026 celebrou-se o seu centenário.
Os caretos de PodenceMáscara de couro ou latão pintada de amarelo, vermelho e preto, fatos de franjas de lã e chocalhos à cintura, em chocalhadas pela aldeia.
As máscaras de LazarimTalhadas em madeira de amieiro, muitas deixadas por pintar, divididas entre caretos carrancudos e senhorinhas.
A Batalha das Flores de LouléCarros alegóricos cobertos de flores de papel feitas à mão ao longo de meses, talvez em eco das amendoeiras em flor do Algarve.
O Entrudo de ruaA face mais antiga da festa, feita de água, farinha, tintas e ovos atirados de uns aos outros, anterior ao corso urbano.
As escolas de sambaA herança brasileira que Ovar, Sesimbra e Mealhada abraçaram no século XX, com carros alegóricos e figurantes aos milhares.

Filhós, sonhos e malassadas

A mesa do Entrudo tem uma lógica antiga, gastar a banha e o açúcar de casa antes do jejum da Quaresma. Daí a fartura de fritos. As filhós, com receitas próprias de norte a sul, e os sonhos, bolinhos de massa frita polvilhados de açúcar, aparecem em todo o país. Nos Açores, as filhós levam raspa de limão e aguardente; na Madeira, mel de cana. E é também madeirense a malassada, massa levedada, achatada e frita, coberta de açúcar e canela, um dos doces mais associados ao Carnaval no arquipélago. A variação da doçaria entre continente, Açores e Madeira é uma das divergências regionais mais saborosas da época.

A matriz abaixo junta o que se come e o que se veste na folia, com a cor a separar os doces fritos das máscaras e das personagens que enchem os corsos.

O que éTipoO que é na festa
FilhósDoceFritos com receitas próprias de norte a sul, para gastar a gordura de casa antes da Quaresma.
SonhosDoceBolinhos de massa frita polvilhados de açúcar, presentes em todo o país.
MalassadasDoceMassa levedada e frita da Madeira, coberta de açúcar e canela.
MatrafonasPersonagemOs homens travestidos de mulher que desfilam em Torres Vedras.
CabeçudosPersonagemOs bonecos gigantes que acompanham as matrafonas e os Zés-Pereiras.
Caretos de PodenceMáscaraAs máscaras de couro ou latão e os fatos de lã com chocalhos, património da humanidade.
Senhorinhas de LazarimMáscaraAs figuras femininas de madeira de amieiro esculpida, ao lado dos caretos.
Zés-PereirasPersonagemOs grupos de bombos que dão o som ao desfile de Torres Vedras.

Onde viver o Carnaval em Portugal

Cada corso tem o seu palco. Em Torres Vedras, a folia toma a avenida da cidade com as matrafonas, os cabeçudos e os carros satíricos. Em Ovar, três corsos e mais de dois mil figurantes enchem as ruas de samba, com tal afluência que a câmara passou a controlar os acessos. No Algarve, Loulé desfila a sua Batalha das Flores, com os carros vestidos de flores de papel. Já para o Entrudo de raiz mais antiga, o caminho é o interior, com Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros, a atrair dezenas de milhar de pessoas ao longo dos quatro dias do "Entrudo Chocalheiro", e Lazarim, no concelho de Lamego, a mostrar as suas máscaras de madeira.

Há um senão que convém guardar. Estes são festejos de rua em pleno fim de inverno, e o tempo tem a última palavra. Em fevereiro de 2026, o mau tempo obrigou vários concelhos, entre eles Torres Vedras e Estarreja, a cancelar desfiles, sinal de como o Carnaval português vive à mercê do céu.

Curiosidades do Carnaval português

A primeira referência ao Entrudo de Torres Vedras, de 1574, no tempo de D. Sebastião, fala de uns rapazes a brincar com um galo pela Terça-feira Gorda. O Carnaval de Ovar cresceu tanto que, depois de ultrapassar os cem mil foliões em 2019, a câmara instalou torniquetes de controlo de acesso. Os Caretos de Podence entraram no património da humanidade a 12 de dezembro de 2019, numa reunião da UNESCO em Bogotá, na Colômbia. E a fartura de fritos do Entrudo tem uma razão prática antiga, gastar a banha e o açúcar de casa antes do jejum da Quaresma.

Enganos que convém desfazer

Há quem julgue que a Terça-feira de Carnaval é feriado obrigatório. Não é, é facultativo, e a folga depende de tolerância de ponto na função pública ou de previsão em contrato no privado. Outro engano é ver o samba como matriz de todo o carnaval português. Convivem no mesmo país tradições de raiz ibérica antiga, como o Entrudo, Podence e Lazarim, e corsos de influência brasileira, como Ovar e Loulé. Por fim, Podence e Lazarim não são a mesma coisa, já que ficam em concelhos diferentes, usam materiais diferentes e só Podence tem classificação da UNESCO.

O Carnaval no calendário do ano

A Terça-feira de Carnaval cai no fim do inverno, 47 dias antes do Domingo de Páscoa, e por isso salta entre os inícios de fevereiro e os inícios de março de ano para ano. A roda do ano mostra a folia a abrir caminho à primavera, mesmo antes de a Quaresma começar.

Terça-feira de Carnaval cai no inverno, em 9 de fevereiro de 2027.

JANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ9 FEVInverno
PrimaveraVerãoOutonoInverno

Perguntas frequentes sobre o Carnaval

A Terça-feira de Carnaval é feriado em 2027?

A Terça-feira de Carnaval não é feriado obrigatório. É feriado facultativo do artigo 235.º do Código do Trabalho, por isso só há folga se estiver prevista em contrato ou instrumento coletivo, ou se houver tolerância de ponto.

Vou ter folga no Carnaval?

Depende. Na função pública, apenas se o Governo conceder tolerância de ponto nesse ano, como aconteceu em 2026 pelo Despacho n.º 1853/2026. No privado, apenas se o contrato ou o instrumento coletivo o previrem.

Porque muda a data do Carnaval todos os anos?

Porque a Terça-feira de Carnaval é fixada 47 dias antes do Domingo de Páscoa, que é data móvel. Por isso cai sempre a uma terça, entre fevereiro e inícios de março.

A tolerância de ponto no Carnaval vale para toda a gente?

Não. A tolerância de ponto aplica-se à administração pública direta do Estado e institutos públicos. Não abrange o setor privado nem automaticamente as autarquias.

Qual é o carnaval mais antigo de Portugal?

Depende do que se conta. Entre os corsos, o de Estarreja arranca em 1897 e o de Loulé, a Batalha das Flores, em 1906, ambos dos mais antigos do país. Mais recuado ainda é o Entrudo de Torres Vedras, com referência documentada em 1574, embora nessa época não como corso organizado.

Porque é que os Caretos de Podence são património da humanidade?

Os Caretos de Podence foram inscritos pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade a 12 de dezembro de 2019, pelo valor do "Entrudo Chocalheiro", com as suas máscaras, fatos de lã e chocalhadas de raiz ancestral.

O que são as matrafonas de Torres Vedras?

As matrafonas são homens travestidos de mulher que desfilam no Carnaval de Torres Vedras, ao lado dos cabeçudos e dos Zés-Pereiras. Em 2026 celebrou-se o seu centenário.

Que doces se comem no Carnaval?

Comem-se sobretudo fritos, para gastar a gordura antes da Quaresma, com filhós e sonhos por todo o país, e as malassadas madeirenses, massa frita coberta de açúcar e canela.

Podence e Lazarim são a mesma tradição?

Não. São tradições distintas. Podence, em Macedo de Cavaleiros, usa máscaras de couro e latão e tem selo da UNESCO, enquanto Lazarim, em Lamego, esculpe máscaras de madeira de amieiro.

O que é o Entrudo?

O Entrudo é o nome antigo do Carnaval em Portugal. A palavra vem do latim introitus, "entrada", a entrada na Quaresma que começa logo a seguir. O Entrudo tradicional fazia-se de brincadeiras de rua com água, farinha, tintas e ovos atirados de uns aos outros.

Qual é o maior Carnaval de Portugal?

Em afluência, o Carnaval de Ovar está entre os maiores, com três corsos, mais de dois mil figurantes e mais de cem mil foliões em 2019, ao ponto de a câmara passar a controlar os acessos. Torres Vedras e Loulé são outros dos grandes cartazes do país.

O que é a Batalha das Flores do Carnaval de Loulé?

A Batalha das Flores é o nome do Carnaval de Loulé, no Algarve, um dos corsos mais antigos do país, de 1906. Chama-se assim porque os carros alegóricos são cobertos de flores de papel feitas à mão ao longo de meses.

Onde se vive o Entrudo mais tradicional no Carnaval?

O Entrudo de raiz mais antiga vive-se no interior, em Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros, com os caretos de lã e chocalhos, e em Lazarim, no concelho de Lamego, com as máscaras de madeira esculpida. Torres Vedras diz-se "o mais português de Portugal".

Próximas datas de Terça-feira de Carnaval

2027 9 fevereiro terça-feira
2028 29 fevereiro terça-feira
2029 13 fevereiro terça-feira
2030 5 março terça-feira
2031 25 fevereiro terça-feira
2032 10 fevereiro terça-feira

Sobre Terça-feira de Carnaval

Esta página serve para Terça-feira de Carnaval, ou seja, conhecer a data, a origem e as tradições de Terça-feira de Carnaval em Portugal. A referência oficial é calendário civil português e fontes documentais.

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