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Outono 2026

Outono 2026 termina num domingo, 20 de dezembro de 2026, daqui a 75 dias. Veja mais abaixo as tradições e atividades típicas da estação.

Faltam 75 dias · Domingo, 20 de dezembro de 2026

O outono de 2026 começa a 23 de setembro, no equinócio de setembro, em Portugal continental. Não é feriado, é o instante em que o dia volta a igualar a noite e, a partir daí, no hemisfério norte, as noites passam a ser mais longas do que os dias. É a estação do regresso às aulas, das primeiras chuvas depois do verão seco e das vindimas, a única do ano que atravessa as duas horas legais do país, e a que traz o verão de São Martinho e a apanha da castanha. A barra de progresso mostra em que ponto da estação estamos e quantos dias faltam para o fim.

O essencial em três linhas

Quando começa

A 23 de setembro de 2026, no equinócio de setembro, em hora legal de Lisboa.

É feriado

Não. O início do outono é um marco astronómico, e não uma data que dê folga.

O que marca a estação

O regresso das chuvas atlânticas, a mudança para a hora de inverno e as vindimas do norte.

Estamos no outono15%
15% concluído, faltam 75 dias para o fim
23 de setembro de 202620 de dezembro de 2026

Quando começa e quando acaba o outono

O outono abre no equinócio de setembro e fecha no solstício de dezembro. A data e a hora do início são calculadas a partir das efemérides astronómicas, em hora legal de Lisboa. Como o país ainda está em hora de verão no arranque da estação, a hora de Lisboa corresponde a UTC mais uma hora. A conta decrescente para o próximo outono aparece na barra de progresso, no topo desta página.

AnoInício (equinócio de setembro)Hora de Lisboa
202522 de setembro19h19
202623 de setembro01h05
202723 de setembro07h02

Porque é que o outono salta entre 22 e 23 de setembro

Como mostra a tabela, o outono não começa sempre no mesmo dia, salta entre 22 e 23 de setembro. A razão é o ano trópico, o intervalo entre dois equinócios, que dura cerca de 365,2422 dias e não um número inteiro. Esse quarto de dia a mais faz o instante do equinócio deslizar ano após ano, e os anos bissextos corrigem a maior parte do desvio sem o apagarem por completo. Por isso a ideia escolar de que a estação entra sempre a 21 é uma simplificação já desatualizada.

Há ainda duas contagens que convém não confundir. O outono astronómico é o do equinócio, que Portugal segue, como quase toda a Europa. O outono meteorológico é o trimestre fixo de 1 de setembro a 30 de novembro, usado pela Organização Meteorológica Mundial e pelos serviços de clima para comparar anos entre si com um calendário estável. São réguas diferentes para a mesma estação, e ambas estão certas dentro da sua lógica.

O clima do outono, região a região

O motor do tempo português tem nome, o anticiclone dos Açores, uma massa de ar subtropical que regula o clima ao longo do ano. No verão, forma uma crista sobre o país e afasta as nuvens. No outono, recua para sul e abre caminho às depressões e às frentes que chegam do Atlântico. É essa retirada, mais do que qualquer outra coisa, que explica o regresso da chuva depois do verão seco, primeiro e com mais força a norte, e mais tarde no sul. O número diz tudo. Em Lisboa, agosto tem em média apenas 5,4 milímetros de chuva, mas outubro salta para 110,6 milímetros e torna-se o mês mais chuvoso do ano, segundo as normais climatológicas de 1991 a 2020.

friocalor
Grande Lisboa
Outono · ref. Lisboa
Temperatura típica
11° min · 27° max
Chuva no mês (mm)
94 mm
outubro é o mês mais chuvoso do ano

Valores representativos das Normais Climatológicas (1991-2020); cidade de referência por região. Selecione a estação e clique numa região.

O outono revela o maior contraste do clima português, o fosso entre o noroeste húmido e o sul seco. O litoral norte, em torno do Porto, recebe cerca de 1.147 milímetros de chuva por ano, enquanto Faro, no sotavento algarvio, fica pelos 455 milímetros, menos de metade. No interior, o arrefecimento é mais rápido do que no litoral suavizado pelo mar, e em Bragança, a mais de seiscentos metros de altitude, a época das geadas abre já em outubro. As manhãs de nevoeiro, comuns nos vales do interior e no litoral oeste, são outra assinatura da estação. Nos arquipélagos, o outono abre a época das chuvas, que nos Açores se estende sobretudo de outubro a fevereiro, sem quebrar o clima ameno que ali quase apaga a diferença entre estações.

5,4 para 110,6 mmsalto da chuva média de Lisboa de agosto para outubro, o mês mais chuvoso
1.147 mmchuva média por ano no Porto, o litoral norte húmido
455 mmchuva média por ano em Faro, o extremo seco do sul
53 diasde geada por ano em Bragança, onde a época começa em outubro
Horas de luz por cidade no dia do equinócio, 23 de setembro de 2026
Porto (Norte)12h07
Lisboa (Centro)12h07
Faro (Sul)12h07
Funchal (Madeira)12h07
Do nascer ao pôr do sol. No equinócio, o dia passa um pouco das 12 horas em todo o país, porque o nascer e o pôr contam o disco do Sol e a refração do ar.

Os cinco climas de Portugal no outono

Portugal é pequeno, mas cabem nele vários climas. No outono, essa variedade fica bem à vista, com o noroeste já debaixo de chuva enquanto o sul ainda vive tardes de verão. Estes são os cinco grandes retratos da estação.

ClimaOndeCidade típicaO outono aqui
Atlântico do norteMinho e litoral nortePortoAs primeiras tempestades atlânticas chegam cedo, a chuva regressa com força e caem as folhas.
Continental do interiorTrás-os-Montes, Beira interior e Alentejo interiorBragançaArrefece depressa, a amplitude térmica é grande e as primeiras geadas surgem logo em outubro.
Mediterrânico do sulAlgarve e litoral alentejanoFaroAinda ameno e com tardes quentes, a chuva a sério só costuma chegar em novembro.
Atlântico das ilhasAçores e MadeiraPonta Delgada e FunchalTemperado o ano inteiro, começam os meses mais chuvosos, sem frio de continente.
De montanhaSerra da Estrela e terras altasGuardaFrio de altitude, com a primeira neve possível na Serra da Estrela já em outubro.

Insolação, horas de luz e índice UV

A grande mudança do outono é a luz. A partir do equinócio, o dia encurta a olhos vistos, um minuto após outro. À entrada da estação, em Lisboa, o dia dura cerca de doze horas, iguais à noite, mas até ao solstício de dezembro cai para pouco mais de nove horas e meia. Quanto mais a norte, maior o corte, e o Porto perde ainda mais luz de tarde do que a capital. As ilhas, mais a sul, guardam dias um pouco mais equilibrados.

Com a luz, desce também o risco solar. O índice ultravioleta, que no verão trepa a valores muito elevados, recua ao longo do outono de valores elevados em outubro para valores moderados em novembro, num sul que se mantém sempre um degrau acima do norte.

1-2 baixo3-5 moderado6-7 elevado8-10 muito elevado11+ extremo
CidadeNascer do solPôr do solDuração do diaÍndice UV ao meio-dia (céu limpo, ozono médio)
Porto07h1017h2510h152 Baixo
Bragança07h0417h1710h132 Baixo
Lisboa07h0817h3210h243 Moderado
Faro07h0017h3010h303 Moderado
Funchal07h2918h1410h454 Moderado
Ponta Delgada07h1217h4010h283 Moderado

O nascer e o pôr do sol e a duração do dia são calculados para 5 de novembro, o meio da estação, na hora local de cada cidade, com os Açores uma hora atrás do continente. O índice ultravioleta é calculado para céu limpo ao meio-dia solar da mesma data, com a fórmula do TEMIS e o ozono médio de 2016 a 2025 para esse dia, e lido na escala do IPMA. Não é uma previsão: o valor real do dia depende das nuvens e do ozono desse dia, e sobe de norte para sul e do inverno para o verão.

O gráfico seguinte mostra, mês a mês, como a temperatura e a chuva de Lisboa desenham a estação, do fim do verão seco à chuva de outubro e novembro.

Valores médios aproximados (normais climatológicas 1991-2020). Descreve o clima histórico, não é previsão do tempo.

O que acontece em Portugal nesta estação

O outono põe o país inteiro em movimento, do campo ao mar. Enquanto o norte vindima e apanha a castanha, o sul começa a azeitona e o interior enche-se de cogumelos. Estes cartões reúnem o que marca a estação, e a fonte de cada facto está no fim da página.

Agricultura
Vindima no Douro Douro e Dão
A colheita das uvas do Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial, concentra-se entre setembro e outubro.
Agricultura
Castanha e magusto Trás-os-Montes
A apanha da castanha da Padrela culmina no São Martinho, a 11 de novembro, com o magusto.
Natureza
Apanha de cogumelos Trás-os-Montes
As primeiras chuvas trazem os cogumelos silvestres aos soutos e matos do interior norte.
Clima
Regresso das chuvas todo o país
O anticiclone dos Açores recua e as depressões atlânticas voltam; outubro é o mês mais chuvoso em Lisboa.

No meio da chegada do frio, o outono guarda uma trégua muito portuguesa, o verão de São Martinho. Por volta de 11 de novembro costuma regressar um punhado de dias secos, estáveis e soalheiros, quando o anticiclone volta a estender-se sobre a Península Ibérica e afasta a chuva. Não é lenda, corresponde a uma situação atmosférica real, mas não é garantido todos os anos e a sua intensidade varia. É também no outono, a partir de 1 de setembro, que abre a época de nomeação das tempestades atlânticas, gerida pelo IPMA em conjunto com os serviços de meteorologia de Espanha, França e outros países do sudoeste da Europa.

O que muda na rotina quando o outono chega

Para milhões de famílias, o outono é antes de mais o regresso às aulas. O ano letivo arranca tipicamente a meio de setembro, poucos dias antes do equinócio, e traz de volta as rotinas, os horários e o trânsito das cidades. À mesa, o arrefecimento repõe as sopas quentes e os cozidos, com o caldo verde, de couve fina e chouriço, a voltar aos menus à medida que as noites esfriam. Em casa, saem os edredões e as mantas, e o fim da tarde, que com a mudança de hora passa a escurecer mais cedo, muda o ritmo dos dias.

O que o outono traz de bom. Tempo mais fresco para caminhar e passear, ar limpo depois das primeiras chuvas, a época das vindimas e do enoturismo no Douro, castanhas e vinho novo no magusto, e o fim do calor extremo e do maior risco de incêndio do verão.

O que pede cuidado. As primeiras chuvas fortes e o nevoeiro tornam a condução mais exigente, o escurecer mais cedo encurta os passeios ao ar livre, e a mudança de tempo e de horário costuma pesar no sono e no ânimo nos primeiros dias.

Diferenças entre o outono e a primavera

O outono e a primavera são as duas estações do equinócio, quando o dia e a noite quase se igualam. Parecem-se, mas caminham em sentidos opostos. Uma abre a porta ao frio, a outra ao calor.

 OutonoPrimavera
Marco astronómicoEquinócio de setembroEquinócio de março
Os diasEncurtam rumo ao invernoAlongam rumo ao verão
O tempoA chuva atlântica regressaA chuva vai diminuindo
No campoVindima, castanha e azeitonaFloração, favas e ervilhas
Mudança de horaPara a hora de inverno, em outubroPara a hora de verão, em março
A sensaçãoArrefece e recolhe-seAquece e sai-se de casa

Onde ir em Portugal no outono

É uma das melhores estações para viajar dentro do país. O calor extremo passou, as multidões do verão dispersaram e a paisagem entra na sua fase mais colorida. Estas são algumas sugestões da estação.

DestinoRegiãoPorquê no outono
Vale do DouroDouroA vindima e as encostas de socalcos a mudarem de verde para ouro e vermelho.
Trás-os-MontesTerra FriaOs soutos da Padrela, a apanha da castanha e os magustos de aldeia.
Serra da EstrelaCentroCogumelos silvestres, cores de outono e a possibilidade da primeira neve.
Termas do centro e norteSão Pedro do Sul, GerêsA tradição das águas quentes ganha sentido quando o tempo arrefece.

Frutas e gastronomia do outono

Nenhuma estação enche tanto o cesto português como o outono. É o tempo da castanha e da uva, mas também do marmelo, do kiwi do noroeste e dos cogumelos silvestres, sem esquecer a caça, que abre época e leva ao prato o javali, o coelho e a perdiz. Na cozinha, é o regresso do caldo verde, das sopas encorpadas e das castanhas assadas ao lume, provadas com o vinho novo em torno do São Martinho.

Castanhade fim de outubro a novembro, Trás-os-Montes, com a Padrela por denominação de origem
Uvasetembro a outubro no Douro, no Dão e no Vinho Verde
Kiwioutubro a dezembro, Entre Douro e Minho, cerca de 70% da área nacional
Marmelosetembro a outubro por todo o país, a base da marmelada
Figo vindimoo segundo figo do ano, que se estende pelo início da estação
Cogumelos silvestresoutubro a dezembro, Trás-os-Montes, Beira Baixa e Alentejo
Caçajavali, coelho e perdiz, com a época a abrir no outono
Castanhas assadaso petisco do magusto, com vinho novo em torno do São Martinho

O calendário agrícola do outono

No campo, o outono é ao mesmo tempo colheita e sementeira. Colhe-se o que o ano deu, das uvas às castanhas, e semeia-se o pão que só se ceifará no verão seguinte. Esta matriz resume o que anda a acontecer nas principais culturas, mês a mês.

CulturaRegiãoSetembroOutubroNovembro
Uva (vindima)Douro e DãoColheColhe–
CastanhaTrás-os-Montes–ApanhaApanha
KiwiEntre Douro e Minho–ColheColhe
Cogumelos silvestresTrás-os-Montes e Beira Baixa–ApanhaApanha
AzeitonaAlentejo––Apanha
Cereais de outono (trigo, centeio)Alentejo e BeirasSemeiaSemeiaSemeia
Hortícolas de inverno (couve, grelos)Todo o paísSemeiaSemeia–

É também em outubro que os rebanhos descem da Serra da Estrela para os vales, fechando o ciclo da transumância que os levara à serra na primavera. E no fim da estação arranca a grande campanha da azeitona, que atravessa o inverno inteiro e faz do país um dos maiores produtores de azeite do mundo.

Festas e tradições do outono

O ponto alto festivo da estação chega a 11 de novembro, com o São Martinho e o magusto, as castanhas assadas e o vinho novo em torno da fogueira. O nome vem da lenda de São Martinho de Tours, o soldado romano que partiu a capa ao meio para cobrir um mendigo, e o bom tempo que se seguiu foi lido como recompensa do gesto. Tudo isto fica detalhado na página do Magusto. Antes dele, a 1 de novembro, celebra-se o Pão por Deus, quando as crianças batem às portas a pedir o saco, uma tradição bem portuguesa e anterior às festas importadas do fim de outubro.

A vindima é a outra grande tradição da estação. No Vale do Douro, em terras da Régua, do Pinhão e de Alijó, a apanha manual, cesto a cesto, mantém-se em muitas quintas como experiência de enoturismo, herança de uma tradição secular. É o berço do vinho do Porto, e o Alto Douro Vinhateiro foi classificado Património Mundial pela UNESCO em 2001. Por todo o interior, o outono é ainda tempo de feiras de outono, de mostras da castanha e de festas do vinho novo que enchem as praças das aldeias.

Cuidados práticos no outono

A estação pede alguns ajustes, sobretudo na estrada e no relógio. Depois de um verão seco, o primeiro piso molhado é dos mais perigosos do ano, e o nevoeiro dos vales do interior reduz a visibilidade sem aviso.

Na condução, a primeira chuva depois do verão levanta as gorduras acumuladas no asfalto e torna o piso muito escorregadio, por isso convém reduzir a velocidade e aumentar a distância. No nevoeiro, usam-se os médios e o farol de nevoeiro, nunca os máximos, que reduzem ainda mais a visibilidade. E no último domingo de outubro muda a hora, a madrugada ganha sessenta minutos e o fim da tarde passa a escurecer mais cedo, uma boa altura para verificar as luzes e os travões do carro. O calendário exato da troca fica na página da mudança de hora.

O outono no calendário do ano

No equinócio de setembro, o Sol atravessa o plano do equador celeste e a sua declinação passa por zero, desta vez no sentido de norte para sul. O dia e a noite ficam com duração muito próxima em quase toda a Terra. A causa é sempre a mesma inclinação do eixo terrestre, de cerca de 23,44 graus, que ao longo do ano muda o ângulo com que a luz chega a cada hemisfério. Depois deste ponto, no hemisfério norte, o Sol nasce cada vez mais tarde e põe-se cada vez mais cedo, até ao dia mais curto, no solstício de dezembro. A roda do ano mostra onde estamos, e o diagrama ao lado explica porque o equinócio iguala o dia e a noite.

AgoraOutono
PrimaveraVerãoOutonoInverno
No equinócio de outono, o eixo não aponta nem para o Sol nem para longe: o dia e a noite quase se igualam.
NSeixo inclinado 23,5°
Globo: Twemoji (CC BY 4.0)

A igualdade entre dia e noite é aproximada, não exata. O dia costuma ganhar alguns minutos de luz, porque o Sol é visto como um disco e não como um ponto, e porque a refração atmosférica levanta a sua posição aparente junto ao horizonte, adiantando o nascer e atrasando o pôr. Ao dia de igualdade perfeita entre luz e escuridão os astrónomos chamam equilux, e ele ocorre num dia próximo, mas distinto, do equinócio, variando com a latitude.

Factos e curiosidades do outono

O cheiro a terra molhada das primeiras chuvas tem nome de ciência, petricor. E a crença de que as cegonhas só voltam na primavera é falsa, a maioria das adultas já cá está entre novembro e janeiro, e muitas já nem migram, fixando-se em Portugal o ano inteiro, sobretudo a sul do Tejo.

Próximas datas de outono

2027 23 setembro quinta-feira
2028 22 setembro sexta-feira
2029 22 setembro sábado
2030 23 setembro segunda-feira
2031 23 setembro terça-feira
2032 22 setembro quarta-feira

Perguntas frequentes sobre o outono

Quando começa o outono em 2026?

O outono de 2026 começa a 23 de setembro, no equinócio de setembro, em hora legal de Lisboa. Como os Açores estão sempre uma hora atrás do continente, aí o momento conta-se uma hora mais cedo.

O outono é feriado em Portugal?

Não. O início do outono é um marco astronómico e não consta dos feriados nacionais do artigo 234.º do Código do Trabalho. Trabalha-se e estuda-se com normalidade.

Porque cai o outono umas vezes a 22 e outras a 23 de setembro?

Porque o instante do equinócio de setembro muda de ano para ano. O ano trópico dura cerca de 365,2422 dias, e não um número inteiro, o que faz a data deslizar. Os anos bissextos corrigem quase todo o desvio e mantêm o equinócio entre 22 e 23 de setembro.

Qual a diferença entre o outono astronómico e o meteorológico?

O outono astronómico começa no equinócio de setembro, em data variável, e é o que Portugal usa. O outono meteorológico é o trimestre fixo de 1 de setembro a 30 de novembro, adotado pela Organização Meteorológica Mundial para comparar anos com um calendário estável.

Quando muda a hora no outono?

A mudança de hora do outono ocorre no último domingo de outubro. A hora legal recua sessenta minutos e entra-se na hora de inverno. As 2h00 do continente e da Madeira voltam a ser 1h00 e, nos Açores, a 1h00 volta a 0h00. O calendário ano a ano fica na página da mudança de hora.

Porque chove mais no outono em Portugal?

Porque o anticiclone dos Açores, que no verão afasta a chuva, recua para sul no outono e deixa entrar as depressões atlânticas. Em Lisboa, a chuva média sobe de 5,4 milímetros em agosto para 110,6 milímetros em outubro, o mês mais chuvoso, nas normais climatológicas.

O verão de São Martinho acontece todos os anos?

Não é garantido. O verão de São Martinho é um padrão real de tempo seco e soalheiro à volta de 11 de novembro, ligado a uma situação de anticiclone sobre a Península Ibérica, mas a sua ocorrência e intensidade variam de ano para ano.

Porque é o outono a estação das vindimas?

Porque a colheita das uvas se concentra entre o final do verão e o início do outono. No norte, no Douro e no Vinho Verde, a vindima tende a fazer-se entre setembro e outubro, já com o outono a entrar, com apanha manual em muitas quintas do Douro.

O que se colhe no campo português no outono?

No outono colhem-se as uvas da vindima, os cogumelos silvestres de Trás-os-Montes, a castanha e o kiwi do noroeste, e começa a apanha da azeitona. Semeiam-se também os cereais de outono e inverno, como o trigo e o centeio.

É verdade que as cegonhas só voltam na primavera?

Não. A maioria das cegonhas adultas já está em Portugal no outono e no início do inverno, entre novembro e janeiro, e muitas já nem migram. Só as cegonhas juvenis chegam de facto na primavera, atrasadas na primeira viagem.

O dia do equinócio de setembro tem mesmo doze horas de dia e doze de noite?

Não exatamente. Por o Sol ser visto como um disco e pela refração atmosférica, o dia costuma ter alguns minutos de luz a mais. A igualdade perfeita ocorre num dia próximo, o equilux, que varia com a latitude.

O outono começa à mesma hora em todo o país?

Não. O continente e a Madeira partilham a hora legal, por isso começa à mesma hora. Nos Açores, uma hora atrás, o mesmo instante do equinócio ocorre uma hora mais cedo no relógio local.

Fontes

  • Instituto de Mecânica Celeste francês (IMCCE) e Observatório Naval dos Estados Unidos (USNO), confirmação dos valores de referência do início da estação.
  • IPMA, normais climatológicas de 1991 a 2020, estação Lisboa (Geofísico); escala e padrão do índice ultravioleta; regresso das chuvas.
  • DGADR, vindima no Douro e apanha da castanha.
  • ICNF, apanha de cogumelos.
  • Cálculo astronómico para o Sol (nascer e pôr do sol e duração do dia).
  • TEMIS (KNMI e ESA), fórmula do índice ultravioleta de céu limpo e coluna de ozono de 2016 a 2025; IPMA, altitude da estação de Bragança.