Magusto de São Martinho em 2026
O Magusto de São Martinho de 2026 calha a uma quarta-feira, 11 de novembro. Veja a lenda da capa de São Martinho.
Magusto de São Martinho
Quando é o magusto em 2026?
O magusto tem como referência o 11 de novembro, dia de São Martinho, em 2026 como em todos os anos. A data é fixa e só muda o dia da semana. Não é a única, porque há terras que fazem o magusto pelo Dia de Todos os Santos.
| Ano | Dia da semana |
|---|---|
| 2026 | quarta-feira |
| 2027 | quinta-feira |
| 2028 | sábado |
Na prática, o magusto estende-se por boa parte de novembro. Escolas, associações e juntas de freguesia marcam-no para o fim de semana mais próximo do São Martinho, e há aldeias que o fazem no próprio dia 1, à volta das fogueiras de Todos os Santos.
O dia do magusto é feriado?
Não, o dia do magusto não é feriado nacional, e o 11 de novembro fica fora da lista de feriados obrigatórios. Pode calhar em dia de trabalho, com lojas e serviços no horário normal, e há festas que passam para um dia próximo.
A exceção está nos concelhos que têm aí o seu feriado municipal, como Pombal, onde a Loja do Cidadão encerra a 11 de novembro. Nesses concelhos, os serviços da câmara e muito comércio local fecham, e o magusto faz-se em dia de folga.
O que é o magusto?
O magusto é a festa de assar castanhas ao lume, com merenda e bebida. Liga-se ao São Martinho ou a Todos os Santos. A tradição pede uma fogueira, e para um magusto em casa as castanhas também podem ir à brasa ou ao forno, golpeadas na casca para não rebentarem.

Nas aldeias, o magusto juntava a vizinhança à volta do lume depois da apanha. Comiam-se as castanhas tiradas das brasas, bebia-se o vinho novo e, no fim, era costume enfarruscar a cara uns dos outros com a cinza e o carvão da fogueira, uma brincadeira que ainda se repete em muitos magustos.

De onde vem a palavra magusto?
A origem da palavra magusto continua incerta, e a pista mais citada leva ao fogo. Uma origem possível é ustus, queimado, do verbo latino urere. Outras obras dão a etimologia como desconhecida, mas admitem essa ligação em parte.
O costume é partilhado com a Galiza e o norte de Espanha. Em galego e em espanhol a palavra irmã é magosto, e nas Astúrias diz-se amagüestu, sinal de uma festa de castanhas comum a todo o noroeste da Península.
Quem foi São Martinho, o santo do magusto?
São Martinho foi um soldado romano nascido na Panónia, hoje Hungria, que deixou o exército e chegou a bispo de Tours em 371. Discípulo de Santo Hilário de Poitiers, fundou em Ligugé o mais antigo mosteiro conhecido na Europa. Foi enterrado a 11 de novembro de 397, e é esse o dia da sua festa.
A fama popular vem de um gesto dos tempos de militar, num dia de frio e chuva. Ao ver um mendigo gelado, cortou a capa ao meio com a espada e deu-lhe metade, e numa das versões entregou o resto a outro pobre mais adiante. Na noite seguinte, Cristo apareceu-lhe em sonho, envolto na capa.
Em Portugal, a recompensa ficou no tempo. O verão de São Martinho são os três dias de sol e calor que se diz virem por esta altura, vistos como prémio pelo agasalho repartido, e o povo resume-o num ditado que todos conhecem, «o verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho».
Porque se juntam castanhas, água-pé e vinho novo no magusto?
No magusto juntam-se castanhas, água-pé e vinho novo porque chegam na mesma altura do ano. A castanha colhe-se entre outubro e dezembro, e no dia de São Martinho o ditado manda ir à adega provar o vinho. A água-pé sai do bagaço da uva, a que se junta água, e tem pouco álcool.

A água-pé bebe-se nos magustos sobretudo no Minho, em Trás-os-Montes, na Beira Interior, no Ribatejo e na zona saloia da Estremadura, com a jeropiga como alternativa. A jeropiga é mosto de uva a que se junta aguardente para parar a fermentação, e por isso fica doce e mais forte.
| Bebida | Como se faz | Como é |
|---|---|---|
| Vinho novo | vinho da vindima desse ano | jovem, provado pela primeira vez no São Martinho |
| Água-pé | bagaço da uva com água | leve, com pouco álcool |
| Jeropiga | mosto com aguardente | doce e forte |
De onde vem a castanha do magusto?
A castanha do magusto vem sobretudo de Trás-os-Montes, que produz mais de 85% das castanhas do país. Só o concelho de Vinhais soma perto de 10 mil hectares de soutos, os bosques de castanheiros, e cerca de 2500 produtores.

Portugal tem quatro castanhas com Denominação de Origem Protegida, a da Terra Fria, a da Padrela, a dos Soutos da Lapa e a de Marvão-Portalegre. A Castanha da Terra Fria, de concelhos como Bragança, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, junta variedades como a Longal e a Judia, e os castanheiros não podem levar tratamentos fitoquímicos.
Nas cidades, a castanha chega pelos assadores de rua, que aparecem nas esquinas em outubro com os fogareiros a fumegar. Vendem-se num cartucho de papel, quentes e com sal grosso, e o cheiro anuncia o outono antes do calendário.
O que tem a Golegã com o São Martinho do magusto?
A Golegã tem a feira que nasceu com o nome de São Martinho, com raízes na Feira de São Martinho do século XVI. Hoje junta-a à Feira Nacional do Cavalo e à Feira Internacional do Cavalo Lusitano, num conjunto inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Nos dias de feira, os assadores de castanhas instalam-se sobretudo no Largo do Arneiro, e o cheiro espalha-se pela vila ribatejana. Os cavaleiros desfilam na manga, a pista central da feira, e à volta bebe-se água-pé e jeropiga.
Magusto e Pão por Deus
As duas tradições partilham castanhas e romãs e, em algumas terras, o mesmo dia. O Pão por Deus é o peditório das crianças na manhã de 1 de novembro, um feriado, e o magusto é a festa da fogueira, mais ligada ao 11 de novembro, que não é feriado. O peditório tem página própria, a do Pão por Deus.
Fontes
As datas à volta do Magusto
As castanhas de São Martinho vêm dez dias depois da data anterior, o Pão por Deus, domingo, 1 de novembro de 2026, e antes de a Consoada, quinta-feira, 24 de dezembro de 2026.