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Magusto 2026: quarta-feira, 11 de novembro

O Magusto de 2026 é na quarta-feira, 11 de novembro, dia de São Martinho. Veja o que se assa, o que se bebe e o que se faz no magusto.

Faltam 31 dias · Quarta-feira, 11 de novembro de 2026

O Magusto de São Martinho de 2026 cai a 11 de novembro, quarta-feira. Costuma coincidir com o bom tempo tardio a que se chama verão de São Martinho, e não é feriado nacional. É a festa da castanha assada e do vinho novo, provado ao fogo com água-pé e jeropiga.

O essencial

Quando é

A 11 de novembro, dia de São Martinho. Em 2026, quarta-feira.

É feriado

Não é feriado nacional. É dia útil, embora muitas escolas parem para o magusto.

O que se faz

Assam-se castanhas ao fogo, com vinho novo, água-pé e jeropiga.

Quando é o Magusto

A data é fixa a 11 de novembro, dia de São Martinho de Tours. Só o dia da semana muda de ano para ano. Em 2026 calha a uma quarta-feira.

AnoDataDia da semana
202511 de novembroterça-feira
202611 de novembroquarta-feira
202711 de novembroquinta-feira
202811 de novembrosábado
202911 de novembrodomingo

É feriado o Magusto?

A nível nacional, não. O 11 de novembro não consta dos feriados obrigatórios do artigo 234.º do Código do Trabalho nem dos facultativos do artigo 235.º. Trabalha-se e estuda-se normalmente, ainda que muitas escolas parem parte do dia para o seu magusto.

A capa de São Martinho e o gesto de partilha

A festa apoia-se numa lenda antiga. Martinho de Tours foi soldado romano no século IV e, ainda antes de se converter ao cristianismo, terá partido ao meio a sua capa militar com a espada para cobrir um mendigo nu que tremia de frio junto a um portão de Amiens, em França. Nessa noite, conta a tradição, sonhou com Jesus vestido com a metade da capa que dera. É desta imagem que vem a ligação de São Martinho à partilha, e é ela que a festa do magusto, com o seu partir e repartir de castanhas em roda, prolonga até hoje. Vale tratá-la como o que é, uma narrativa hagiográfica, e não como episódio verificado ao pormenor.

O verão de São Martinho existe mesmo?

Sim, e não é só lenda. A continuação popular da história diz que, como paga do gesto de Martinho, o frio parou uns dias e voltou o sol, dando origem à expressão verão de São Martinho para o bom tempo que costuma surgir em torno de 11 de novembro. O fenómeno tem base real: corresponde a um período seco, estável e soalheiro do fim do outono, ligado a uma situação de anticiclone sobre a Península Ibérica, em regra o anticiclone subtropical do Atlântico Norte, o anticiclone dos Açores. A ausência de nuvens, chuva e vento traz esses dias amenos. O que varia é a intensidade e a certeza. Há anos em que o verão de São Martinho quase não aparece. A expressão, de resto, tem irmãs por toda a Europa, do Saint Martin's summer inglês ao été de la Saint-Martin francês.

A castanha, de Trás-os-Montes à mesa

O fruto que dá corpo à festa colhe-se em Portugal sobretudo entre outubro e dezembro, e o grosso vem de Trás-os-Montes. É lá que ficam duas das quatro Denominações de Origem Protegida de castanha reconhecidas no país, a da Terra Fria e a da Padrela. A Castanha da Padrela abrange freguesias dos concelhos de Chaves, Murça, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, tem na variedade Judia a sua principal e obriga a apanha manual do chão, depois de o fruto cair, sem qualquer método mecânico. Só em Valpaços há mais de 3.700 hectares de soutos e cerca de 2.000 produtores, em 18 localidades abrangidas pela denominação.

A escala nacional confirma o peso da região. A produção de castanha em Portugal terá rondado, em 2024, as 27 mil toneladas, das quais a larga maioria, perto de 20 mil toneladas, colhida em Trás-os-Montes. O ano de 2025 trouxe má notícia. Os incêndios florestais do verão destruíram entre 20 e 22 milhões de euros de produção de castanha, com pressão esperada sobre os preços do fruto que simboliza a data.

27 miltoneladas de castanha produzidas em Portugal em 2024
20 mildessas toneladas colhidas em Trás-os-Montes
2 de 4denominações de origem protegida de castanha ficam na região
20 a 22 M€de produção destruída pelos incêndios de 2025

Água-pé e jeropiga, as bebidas do fogo

A castanha assada não anda só. Acompanha-a a água-pé, bebida de baixo teor alcoólico feita juntando água ao pé, o bagaço que sobra da prensagem da uva, por vezes com uma gota de aguardente. A seu lado corre a jeropiga, mais doce, preparada a partir do mosto de forma semelhante. Ambas são de outono e inverno e ligam-se ao magusto no Minho, em Trás-os-Montes, nas Beiras, no Ribatejo e na Estremadura. Ao contrário do vinho comercial, apertado pela regulação do setor, a água-pé e a jeropiga caseiras vivem num relativo vazio de enquadramento legal próprio, o que é apontado, a par da concorrência da cerveja, como uma das razões que ameaçam o desaparecimento lento destas bebidas.

O que se assa, o que se bebe e o que se faz no magusto

A festa de São Martinho junta num só serão o fruto, a bebida e a brincadeira. O quadro seguinte arruma cada peça, com a cor a marcar se é fruto, bebida, costume ou feira da data.

O que éTipoO que é no magusto
Castanha assadaFrutoO fruto da festa, assado ao lume e comido ainda a escaldar.
Castanha da PadrelaFrutoA castanha com denominação de origem de Trás-os-Montes, de apanha manual do chão.
Água-péBebidaBebida leve feita de água e do bagaço que sobra da prensagem da uva.
JeropigaBebidaLicor doce de mosto, o par da água-pé à volta do fogo.
Vinho novoBebidaO vinho das vindimas de outubro, provado como manda o provérbio.
EnfarruscarCostumeEsfregar cinza ou carvão apagado da fogueira na cara e nas mãos uns dos outros.
Fogueira comunitáriaCostumeO lume dos largos de aldeia onde as juntas e associações assam castanha para todos.
Feira do CavaloFeiraA Feira Nacional do Cavalo da Golegã, que cai sempre no dia de São Martinho.

Da fogueira à Feira do Cavalo da Golegã

O magusto não é uma coisa só. Nas cidades, tende a ser doméstico ou escolar, à volta de um assador; no interior Norte e Centro, sobretudo nas aldeias transmontanas, guarda uma dimensão comunitária forte, com fogueiras nos largos e as juntas de freguesia e associações a assar castanha para toda a gente. Um gesto atravessa quase todos, o enfarruscar, esfregar cinza ou carvão apagado na cara e nas mãos uns dos outros, brincadeira que fica por marca da noite de fogueira.

A data tem ainda a sua grande feira. Na Golegã, no Médio Tejo, o dia de São Martinho coincide com a Feira Nacional do Cavalo, conhecida como Feira de São Martinho da Golegã até 1972, ano em que foi rebatizada. As suas raízes recuam pelo menos ao século XVI, o que faz dela um dos maiores e mais antigos eventos equestres do país, com a vila apelidada de Capital do Cavalo. Em 2025 foi proposta para o Inventário Nacional do Património Imaterial, com vista a uma futura candidatura à UNESCO.

séc. IVMartinho de Tours parte a capa com um mendigo, o gesto de partilha na origem da festa.
séc. XVIRecuam a esta época as raízes da Feira do Cavalo da Golegã, no dia de São Martinho.
1972A feira da Golegã passa a chamar-se Feira Nacional do Cavalo.
2025A feira é proposta para o Inventário Nacional do Património Imaterial.

O magusto de norte a sul

O magusto não se vive da mesma maneira em todo o país. Muda com a terra, com a castanha que lá se dá e com o peso da tradição comunitária. O quadro resume as suas feições regionais.

OndeComo se vive o magusto
Trás-os-MontesA dimensão comunitária mais forte, com fogueiras nos largos das aldeias, e o grosso da castanha do país, com duas das quatro denominações de origem.
Padrela (Chaves, Murça, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar)A castanha da Padrela, de variedade Judia, protegida por denominação de origem e de apanha manual do chão obrigatória.
Minho, Beiras, Ribatejo e EstremaduraOs magustos regados a água-pé e jeropiga, as bebidas de outono que acompanham a castanha ao fogo.
CidadesO magusto mais doméstico ou escolar, à volta de um assador, com o enfarruscar por marca da festa.
Golegã, no Médio TejoO dia de São Martinho coincide com a Feira Nacional do Cavalo, um dos maiores eventos equestres do país.
Centro e Norte, a 1 de novembroUm magusto antecipado, em memória dos finados, distinto do costume próprio de São Martinho a 11 de novembro.

Provar o vinho novo, como manda o provérbio

Nenhuma outra festa portuguesa está tão amarrada a um ditado. No dia de São Martinho, prova o teu vinho, resume o costume, generalizado pelo país, de nesta data se provar o vinho novo, fermentado desde as vindimas de outubro. À sua volta juntam-se dezenas de variantes recolhidas na tradição oral, de região para região, todas em torno da mesma ideia, castanhas quentes e vinho por estrear. É o momento em que o produtor sabe, pela primeira vez, o que a colheita lhe deu, e a festa serve também de veredicto.

Magusto e Pão por Deus não são a mesma festa

Como as duas datas caem em novembro e ambas mexem com castanhas, é fácil trocá-las. O Pão por Deus, a 1 de novembro, é o peditório em que as crianças pedem pão, doces e frutos secos de porta em porta. O Magusto, a 11 de novembro, é a festa comunitária de assar castanhas ao fogo com vinho novo, água-pé ou jeropiga. Nalgumas regiões do Centro e do Norte existe um magusto antecipado ligado a 1 de novembro, em memória dos finados, mas o costume com nome, festa e calendário próprios é o de São Martinho. São dois momentos distintos do mesmo mês, não a mesma tradição.

Próximas datas de Magusto de São Martinho

2026 11 novembro quarta-feira
2027 11 novembro quinta-feira
2028 11 novembro sábado
2029 11 novembro domingo
2030 11 novembro segunda-feira
2031 11 novembro terça-feira

Perguntas frequentes sobre o Magusto

O Magusto é feriado em Portugal em 2026?

A nível nacional, não. O Magusto, a 11 de novembro, não consta dos feriados do artigo 234.º nem do 235.º do Código do Trabalho. Trabalha-se e estuda-se normalmente, ainda que muitas escolas parem parte do dia para o seu magusto.

O que se come e bebe no Magusto?

No Magusto comem-se castanhas assadas, tradicionalmente ao fogo, acompanhadas de vinho novo, de água-pé e de jeropiga. A castanha da data vem sobretudo de Trás-os-Montes, onde ficam duas das quatro denominações de origem protegida de castanha do país, a da Terra Fria e a da Padrela.

O verão de São Martinho é só uma lenda?

Não. O verão de São Martinho nasce de uma lenda, mas corresponde a um fenómeno real, um período seco e soalheiro do fim do outono, ligado a uma situação de anticiclone sobre a Península Ibérica. A sua intensidade varia de ano para ano.

Porque se celebra o Magusto a 11 de novembro?

Porque o 11 de novembro é o dia de São Martinho de Tours, a quem a lenda da capa partilhada com um mendigo ligou o gesto de repartir. É esse gesto que a festa da castanha, comida em roda, prolonga.

O que é o enfarruscar no Magusto?

É a brincadeira de esfregar cinza ou carvão apagado da fogueira na cara e nas mãos uns dos outros, comum em magustos escolares e comunitários por todo o país, como parte da festa junto ao fogo.

De onde vem a castanha do Magusto?

Vem sobretudo de Trás-os-Montes, o principal produtor nacional. Lá ficam duas das quatro denominações de origem protegida de castanha do país: a da Terra Fria e a da Padrela, que abrange Chaves, Murça, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar e obriga a apanha manual do chão.

O que é a Feira Nacional do Cavalo da Golegã?

É um dos maiores eventos equestres do país, na Golegã, que coincide com o dia de São Martinho. Chamava-se Feira de São Martinho da Golegã até 1972 e tem raízes que recuam pelo menos ao século XVI.

O que são a água-pé e a jeropiga do Magusto?

São as bebidas que acompanham a castanha assada no Magusto. A água-pé é uma bebida leve, feita juntando água ao bagaço que sobra da prensagem da uva. A jeropiga é mais doce, preparada a partir do mosto de forma semelhante.

Quanta castanha se produz em Portugal?

A produção de castanha em Portugal terá rondado, em 2024, as 27 mil toneladas, das quais perto de 20 mil colhidas em Trás-os-Montes, o principal produtor nacional do fruto do Magusto.

O que diz o provérbio de São Martinho?

O provérbio mais conhecido do Magusto é «No dia de São Martinho, prova o teu vinho», que resume o costume, generalizado pelo país, de nesta data se provar o vinho novo, fermentado desde as vindimas de outubro.

Porque se chama verão de São Martinho ao bom tempo de novembro?

O nome nasce da lenda de São Martinho, segundo a qual o frio parou uns dias como paga do gesto de partilha do santo. Hoje sabe-se que corresponde a um período seco e soalheiro do fim do outono, ligado a uma situação de anticiclone sobre a Península Ibérica.

Fontes

  • Instituto Nacional de Estatística (INE), produção de castanha em 2024, em dados citados pelo setor.