Pão por Deus em 2027
O Pão por Deus de 2027 é na segunda-feira, 1 de novembro, dia de Todos os Santos. Veja como se faz o peditório.
Pão por Deus
Quando é o Pão por Deus em 2027?
O Pão por Deus é na manhã de 1 de novembro, Dia de Todos os Santos, em 2027 como em todos os anos. A data é fixa e só muda o dia da semana. Ficam os dias da semana dos próximos anos.
| Ano | Dia da semana |
|---|---|
| 2026 | domingo |
| 2027 | segunda-feira |
| 2028 | quarta-feira |
O peditório faz-se de manhã, e em muitas terras acaba ao meio-dia. A tarde fica para a família, para a visita ao cemitério e, em algumas aldeias, para o primeiro magusto do outono.
O dia do Pão por Deus é feriado?
Sim, o dia do Pão por Deus é feriado nacional, porque o costume calha a 1 de novembro, que consta da lista de feriados obrigatórios do Código do Trabalho. O feriado é o do Dia de Todos os Santos, e o Pão por Deus é uma tradição desse dia.
Como em qualquer feriado nacional, as Lojas do Cidadão encerram, e as crianças estão sem escola para sair à rua de manhã. Nas escolas açorianas, quando o 1 de novembro cai ao domingo, a festa pode passar para a sexta-feira. O que abre e fecha no dia está na página de Todos os Santos.
O que é o Pão por Deus?
O Pão por Deus é o peditório das crianças à porta dos vizinhos. Em pequenos grupos, levam um saco de pano e recebem o que cada casa tem para dar. Algumas aldeias chamam-lhe Dia dos Bolinhos, e nas Beiras há quem diga santoro.

Os sacos costumam ser feitos em casa ou na escola, de pano ou de retalhos. As crianças batem à porta, dizem a quadra do dia e esperam a oferta, e quem abre a porta já tem preparado um cesto com o que vai dar.
| Nome | Onde se usa |
|---|---|
| Pão por Deus | Lisboa e grande parte do país |
| Dia dos Bolinhos | algumas aldeias |
| Bolinhos, bolinhós | Coimbra, no pregão das crianças |
| Santoro | aldeias da Beira, como Aranhas, em Penamacor |

O Pão por Deus nasceu mesmo depois do sismo de 1755?
O sismo de 1755 é a origem mais contada do Pão por Deus, sem que a prova esteja feita. A versão habitual diz que Lisboa já vivia na pobreza, que o abalo a agravou e que os lisboetas saíram à rua em 1756 para pedir pão. Outra leitura admite que o peditório já existisse e tenha ganho fama depois de 1 de novembro de 1755.
Há ainda quem lembre que a explicação de 1756 aparece sem documentação histórica, e o início continua em aberto. A ligação aos mortos aponta para um costume mais antigo, em que se dava comida em nome dos defuntos da família no dia de Todos os Santos e no seguinte, o dos Fiéis Defuntos.
Mais perto de nós, o Estado Novo impôs limites. Nas décadas de 60 e 70, só crianças com menos de 10 anos podiam pedir, e só até ao meio-dia.
O que se dá no Pão por Deus?
No Pão por Deus davam-se antigamente pão, broas, bolos, romãs, nozes, amêndoas e castanhas, e por vezes uma moeda. Mais tarde chegaram os chocolates, os rebuçados e as pastilhas. Em Torres Vedras, Pão-por-Deus chegou a ser o nome de umas broas.

Noutros tempos, a comida servia também para lembrar os mortos, e havia pedidos feitos em nome deles. As broas dos Santos, feitas com farinha, mel ou açúcar, canela e erva-doce, ainda se vendem nas pastelarias nesta altura, e muitas casas fazem-nas para dar às crianças e aos vizinhos.
Que versos se dizem à porta no Pão por Deus?
À porta, no Pão por Deus, diz-se uma quadra curta, que pede ou agradece conforme o momento. Uma das fórmulas conhecidas é «Pão por Deus, fiel de Deus, bolinho no saco, andais com Deus». Em Coimbra, ouvia-se «Bolinhos, bolinhós».
Depois da oferta vinha a resposta, de elogio ou de troça. Nas casas generosas cantava-se «Esta casa cheira a broa, aqui mora gente boa». Quem não dava nada arriscava-se a ouvir «Esta casa cheira a alho, aqui mora um espantalho», e a vingança das crianças ficava nas palavras.
Como é o Pão por Deus em Aranhas, onde se chama santoro?
Em Aranhas, aldeia do concelho de Penamacor, e nas aldeias beirãs vizinhas, o Pão por Deus chama-se santoro. As crianças anunciam-se com o pregão «Santoro ó dia, já é meio-dia». A mesma palavra designa o bolo que os padrinhos encomendam para os afilhados, e quem não tem padrinho contenta-se com fruta e dinheiro. Para os adultos ficam as castanhas, as romãs, os tremoços e a jeropiga.
Noutros tempos, a necessidade pesava mais do que a festa. Vinha muita gente das terras vizinhas, porque havia quem fosse muito pobre. Davam-se batatas, alhos, cebolas e frutos secos, e os figos secos das casas mais ricas eram os que mais alegravam as crianças.
Como se faz o Pão por Deus nos Açores?
Nos Açores, o Pão por Deus passa muito pelas escolas, com as católicas à frente e as públicas do ensino básico a recuperá-lo como tradição cultural. Em Angra do Heroísmo, as crianças mais pequenas do Colégio de Santa Clara costumam ir pedir aos locais de trabalho dos pais, com sacas feitas na escola, cada vez mais de materiais reciclados.
A mesa açoriana tinha um pão próprio para o dia, as escaldadas, um pão doce do tipo da massa sovada. Com o tempo, a mudança na alimentação e a emigração para os Estados Unidos enfraqueceram o costume e aproximaram-no do modelo americano. As sacas de tecido rarearam, e passou a dar-se sobretudo doces.
Pão por Deus e Halloween
O Halloween é na noite de 31 de outubro e vive de disfarces e sustos, e o Pão por Deus é da manhã seguinte, de tradição católica. Se a casa não dá nada, as crianças respondem com uma quadra e não com travessuras. Em Coimbra, os grupos levavam uma abóbora esvaziada com uma vela dentro, o que mostra que a abóbora iluminada também tem registo português.
Fontes
As datas à volta do Pão por Deus
O Pão por Deus sai à rua no feriado de Todos os Santos, e tem como vizinhos o Santo António, domingo, 13 de junho de 2027, e, dez dias depois, o São Martinho, quinta-feira, 11 de novembro de 2027.
Fotos dos cartões (Wikimedia Commons): Santos Populares: Duarte Briz, CC BY-SA 4.0, adaptado; Magusto: Adriano Rei, CC BY-SA 4.0, adaptado.