Dia do Trabalhador 2027
Dia do Trabalhador 2027 cai num sábado, 1 de maio de 2027, feriado nacional. Veja mais abaixo o que abre e o que fecha neste feriado ao fim de semana.
O Dia do Trabalhador celebra-se a 1 de maio e em 2027 é sábado. É feriado nacional obrigatório, assinala a jornada internacional dos trabalhadores e é marcado por desfiles e comícios sindicais de norte a sul do país. Consta do artigo 234.º do Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro) e nunca foi suspenso. Poucos sabem que só se tornou feriado em Portugal em 1974, mais de 80 anos depois de começar a ser celebrado. Esta página trata do lado prático do dia e recua depois até Chicago, à clandestinidade sob o Estado Novo e à maior manifestação da história portuguesa.
O essencial
Quando é
A 1 de maio, data fixa. Em 2027 é sábado.
É feriado
Sim, feriado nacional obrigatório em todo o país, desde 1974.
O que fecha
Serviços públicos, a banca e o grande comércio, que fecha por tradição, tal como no Natal.
Quando é o Dia do Trabalhador
A data é fixa, a 1 de maio, todos os anos, e só varia o dia da semana. Em 2027 o feriado é sábado.
| Ano | Data | Dia da semana |
|---|---|---|
| 2024 | 1 de maio | quarta-feira |
| 2025 | 1 de maio | quinta-feira |
| 2026 | 1 de maio | sexta-feira |
| 2027 | 1 de maio | sábado |
| 2028 | 1 de maio | segunda-feira |
É feriado obrigatório desde 1974
O 1 de maio é um dos treze feriados obrigatórios do artigo 234.º do Código do Trabalho, de observância em todo o país. Foi instituído poucos dias depois da revolução de 1974, pelo Decreto-Lei n.º 175/74, de 27 de abril, um dos primeiros diplomas da Junta de Salvação Nacional, cujo artigo 1.º declara feriado nacional obrigatório o dia 1 de maio, "considerado o Dia do Trabalhador". Antes desse decreto, e apesar de ser assinalado desde 1890, a data nunca tinha sido feriado oficial. O enquadramento atual está publicado no Diário da República.
O que abre e o que fecha a 1 de maio
O 1 de maio é uma das três datas em que o grande comércio fecha por tradição, ao lado do Natal e do 1 de janeiro. Os serviços do Estado encerram, e a maior parte do comércio não alimentar acompanha. A lei, porém, não impõe o encerramento, já que os horários das grandes superfícies são livres. Em 2011, várias cadeias, entre elas a Pingo Doce, o Continente e o Intermarché, decidiram abrir portas neste dia, pela primeira vez desde 1974, o que motivou críticas do sindicato do setor, que falou em desrespeito pelo simbolismo da data. A Pingo Doce justificou-se com o direito ao trabalho dos empregados e ofereceu, a quem trabalhasse no feriado, uma compensação superior a 200 por cento do salário.
| Serviço | Estado típico |
|---|---|
| Serviços públicos e finanças | encerrados |
| Bancos | balcões encerrados; multibanco a funcionar |
| Grande comércio | fechado por tradição, com exceções |
| Farmácias de serviço | abertas por escala |
| Urgências hospitalares | a funcionar |
Trabalhar no 1 de maio dá direito a quê
O regime geral aplica-se também no dia dos trabalhadores. Quem preste trabalho no 1 de maio, numa empresa que a lei não obriga a encerrar, tem direito, ao abrigo do artigo 269.º do Código do Trabalho, a descanso compensatório de metade das horas prestadas ou a um acréscimo de 50 por cento da retribuição, à escolha do empregador. É o mínimo legal. Em setores com contratação coletiva, ou por decisão da empresa, a compensação pode ser mais generosa, como no episódio de 2011 referido acima. Não existe, mesmo assim, um pagamento automático a dobrar imposto pela lei.
De Chicago ao calendário do mundo
A data nasceu de um conflito e de um julgamento. A 1 de maio de 1886, em Chicago, a Federação de Sindicatos convocou uma greve geral pela jornada de oito horas, quando muitos trabalhavam dez, doze e até dezassete horas por dia. A 3 de maio, confrontos na fábrica McCormick fizeram dois mortos. No dia seguinte, num comício de protesto no Haymarket Square, uma bomba explodiu junto à polícia e seguiram-se confrontos fatais. Cinco líderes anarquistas foram condenados sem provas diretas. Um suicidou-se na prisão e quatro foram enforcados a 11 de novembro de 1887. Ficou conhecido como o Caso Haymarket.
A 20 de junho de 1889, a Segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, escolheu o 1 de maio como dia anual de manifestação, em memória dos mártires de Chicago e da reivindicação das oito horas. A França proclamou-o feriado em 1919 e a União Soviética em 1920. Há aqui uma ironia que continua a surpreender. Os Estados Unidos, onde tudo começou, não celebram o Dia do Trabalho a 1 de maio, mas na primeira segunda-feira de setembro. Quando o Congresso o tornou feriado federal, em 1894, escolheu deliberadamente setembro para afastar a data da memória radical de Haymarket.
O 1 de maio na clandestinidade
Em Portugal, o 1 de maio começou a ser assinalado ainda no século XIX. A primeira comemoração documentada é de 1890, e a data chegou várias vezes ao Parlamento. Em 1900 o deputado Afonso Costa propôs suspender a sessão em sinal de assentimento, e em 1917 foi apresentado, sem êxito, um projeto para a tornar feriado. A jornada de oito horas e a semana de 48 horas foram instituídas a 7 de maio de 1919, depois de uma grande manifestação. Ainda assim, a legislação da Primeira República fixou em 1929 sete feriados nacionais sem incluir esta data.
Sob a ditadura instaurada pelo golpe de 28 de maio de 1926, o 1 de maio foi proibido e reprimido, com particular dureza em 1931. Já com o Estado Novo, o regime tentou esvaziá-lo de sentido, rebatizando-o "Festa do Trabalho" entre 1934 e 1939, sem conseguir apagar a reivindicação nos grandes centros. Em 1962, novas manifestações foram reprimidas em Lisboa, seguidas de greves rurais no Alentejo e no Ribatejo pela jornada de oito horas.
1 de maio de 1974, a primeira celebração livre
Cinco dias depois da Revolução dos Cravos, o 1 de maio de 1974 foi a maior manifestação da história do país até então, com multidões em cidades, vilas e aldeias. Em Lisboa, o comício central da Intersindical realizou-se no estádio da FNAT, a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, um organismo do próprio regime deposto, que a partir desse dia passou a chamar-se Estádio 1.º de Maio. A RTP da época noticiou a presença de cerca de um milhão de pessoas nessa primeira celebração livre. O número exato deve ser lido com prudência, pois vem dessa reportagem, mas a ordem de grandeza, a de uma manifestação imensa, é segura.
Quantos trabalhadores estão sindicalizados hoje
Meio século depois, a paisagem sindical é outra. A taxa de sindicalização em Portugal caiu para 7 por cento em 2024, quando em 1973 rondava os 65 por cento, segundo dados da OCDE, e já tinha descido para 14 por cento em 2020. Há grandes diferenças por setor e por dimensão da empresa. A banca e os seguros têm a taxa mais alta, perto de 45 por cento, enquanto nas empresas até nove trabalhadores mal chega a 1,4 por cento, subindo para 14,3 por cento nas que têm mais de 250. Os desfiles do 1 de maio, com as duas centrais sindicais, a CGTP-Intersindical e a UGT, continuam a ser o momento mais visível de uma representação que encolheu muito.
Como se assinala hoje, com a CGTP e a UGT
O 1 de maio continua a ser o grande dia das centrais sindicais, que o assinalam separadamente e com estilos diferentes. A CGTP-Intersindical mantém o formato mais reivindicativo, com um desfile em Lisboa, tradicionalmente entre o Martim Moniz e a Alameda Dom Afonso Henriques, seguido de comício, e com iniciativas paralelas de norte a sul do país. A UGT costuma marcar a data com um programa próprio, com atividades no Centro Desportivo Nacional do Jamor, em Oeiras, entre elas uma corrida de manhã e momentos culturais. Nos anos em que uma reforma laboral está em cima da mesa, as duas centrais, habitualmente distantes, aproximam-se e chegam a convergir nas formas de protesto, o que devolve à data parte do peso político das suas origens.
As Maias, a tradição popular do primeiro de maio
Nem tudo no 1 de maio é reivindicação. No Norte do país sobrevive o costume das Maias, de raiz pré-cristã. Na noite de 30 de abril para 1 de maio penduram-se ramos de giesta amarela à porta de casa, na crença de que o cheiro afasta o mau-olhado. A tradição remonta à Floralia romana, a festa da deusa Flora celebrada nos primeiros dias de maio em honra da fertilidade e da despedida do inverno. No Alentejo, por exemplo em Beja, "as Maias" tomam outra forma. São meninas vestidas de branco, com coroas de flores, sentadas à porta de casa ou numa esquina.
Neste dia na história de Portugal
Alguns marcos balizam o caminho da data até feriado, da primeira comemoração à primeira celebração em liberdade.
Os símbolos do 1 de maio
A data carrega ao mesmo tempo a memória de uma luta operária e uma tradição popular bem mais antiga. Estes são os elementos que a marcam, da reivindicação das oito horas aos ramos de giesta pendurados à porta.
Curiosidades do 1 de maio
Os Estados Unidos, onde tudo começou com a greve de Chicago de 1886, são um dos poucos países que não celebram o Dia do Trabalho a 1 de maio, e não por acaso, já que o Congresso escolheu deliberadamente a primeira segunda-feira de setembro, em 1894, para afastar a data da memória radical do Caso Haymarket. Em Lisboa, o palco do primeiro comício livre, em 1974, foi o estádio da FNAT, um organismo do próprio regime deposto, que passou nesse dia a chamar-se Estádio 1.º de Maio. E a tradição das Maias, com a giesta à porta, remonta à Floralia romana, a festa da deusa Flora celebrada nos primeiros dias de maio em honra da fertilidade.
O Dia do Trabalhador no calendário do ano
O Dia do Trabalhador cai em plena primavera, a meio caminho entre o equinócio de março e o solstício de junho. É um feriado de tempo já quente e dias longos, o que ajuda a explicar os desfiles e os arraiais ao ar livre que o marcam. A roda do ano marca o 1 de maio entre as estações.
Dia do Trabalhador cai na primavera, em 1 de maio de 2027.
Perguntas frequentes sobre o Dia do Trabalhador
O 1 de maio é feriado em 2027?
Sim, o 1 de maio é feriado nacional obrigatório em 2027, previsto no artigo 234.º do Código do Trabalho. Nunca esteve entre os feriados suspensos.
Desde quando o 1 de maio é feriado em Portugal?
O 1 de maio é feriado em Portugal desde 1974, instituído pelo Decreto-Lei n.º 175/74, de 27 de abril. Antes disso era celebrado desde 1890, mas não era feriado oficial.
O que se comemora a 1 de maio?
Comemora-se a jornada internacional dos trabalhadores, ligada às greves de Chicago de 1886 e ao Caso Haymarket, e recorda-se a luta pela jornada de oito horas.
Porque os Estados Unidos não celebram o 1 de maio?
Porque escolheram deliberadamente a primeira segunda-feira de setembro para o seu Dia do Trabalho, quando o tornaram feriado em 1894, de modo a afastá-lo da memória radical do Caso Haymarket de Chicago.
Como foi o 1 de maio de 1974 em Portugal?
Foi a primeira celebração livre do Dia do Trabalhador, cinco dias após o 25 de abril, e a maior manifestação da história do país até então. A RTP da época falou em cerca de um milhão de pessoas.
Quantos trabalhadores estão sindicalizados em Portugal?
A taxa de sindicalização caiu para 7 por cento em 2024, muito abaixo dos cerca de 65 por cento de 1973 segundo a OCDE. Varia bastante por setor, sendo mais alta na banca e nos seguros.
O que são as Maias do 1 de maio?
São uma tradição popular do 1 de maio, sobretudo no Norte, em que se penduram ramos de giesta amarela à porta de casa contra o mau-olhado. No Alentejo, "as Maias" são meninas vestidas de branco com coroas de flores.
Onde decorrem os desfiles do 1 de maio?
Em Lisboa, a CGTP-Intersindical realiza tradicionalmente um desfile entre o Martim Moniz e a Alameda Dom Afonso Henriques, seguido de comício, enquanto a UGT costuma organizar iniciativas no Centro Desportivo Nacional do Jamor, em Oeiras. Há ainda ações por todo o país.
O que aconteceu no Caso Haymarket?
O Caso Haymarket foi o desfecho da greve de 1 de maio de 1886 em Chicago, quando, a 4 de maio, uma bomba explodiu num comício no Haymarket Square. Cinco líderes anarquistas foram condenados sem provas diretas, e quatro deles foram enforcados a 11 de novembro de 1887.
O que é o Estádio 1.º de Maio?
É o antigo estádio da FNAT, em Lisboa, que acolheu o primeiro comício livre do Dia do Trabalhador, a 1 de maio de 1974. A partir desse dia passou a chamar-se Estádio 1.º de Maio, em memória da data.
O comércio abre no 1 de maio?
O grande comércio fecha por tradição no 1 de maio, tal como no Natal e no 1 de janeiro, mas a lei não o obriga. Em 2011, algumas cadeias decidiram abrir, o que gerou críticas sindicais.
Recebo mais por trabalhar no 1 de maio?
Se trabalhar no 1 de maio numa empresa não obrigada a encerrar, o artigo 269.º dá direito a descanso compensatório de metade das horas ou a um acréscimo de 50 por cento da retribuição, à escolha do empregador. A contratação coletiva pode prever mais.
Se o 1 de maio cair ao fim de semana, há compensação?
Não. Quando o 1 de maio coincide com sábado ou domingo, não há transferência legal do feriado para outro dia.
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