Restauração da Independência 2026
Restauração da Independência 2026 cai numa terça-feira, 1 de dezembro de 2026, feriado nacional. Há uma ponte possível com segunda-feira, 30 de novembro de 2026.
A Restauração da Independência celebra-se a 1 de dezembro e em 2026 é terça-feira. É feriado nacional obrigatório e assinala a revolução de 1 de dezembro de 1640, o golpe dos "Quarenta Conjurados" que pôs fim a 60 anos de União Ibérica e aclamou D. João IV, Duque de Bragança, como rei. Consta do artigo 234.º do Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro), mas esteve suspenso entre 2013 e 2015 e foi reposto em 2016. Esta página parte do enquadramento prático e legal e recua depois até à manhã da conjura, à guerra de 28 anos que se seguiu e ao obelisco que a recorda em Lisboa.
O essencial
Quando é
A 1 de dezembro, data fixa. Em 2026 é terça-feira.
É feriado
Sim, feriado nacional obrigatório, reposto em 2016 depois de três anos suspenso.
O que fecha
Serviços públicos e a banca. Por ser o arranque do Natal, os centros comerciais costumam abrir.
Quando é a Restauração da Independência
A data é fixa, a 1 de dezembro, todos os anos, e só muda o dia da semana. Em 2026 o feriado é terça-feira.
| Ano | Data | Dia da semana |
|---|---|---|
| 2024 | 1 de dezembro | domingo |
| 2025 | 1 de dezembro | segunda-feira |
| 2026 | 1 de dezembro | terça-feira |
| 2027 | 1 de dezembro | quarta-feira |
| 2028 | 1 de dezembro | sexta-feira |
Porque voltou a ser feriado obrigatório
O 1 de dezembro voltou a constar do artigo 234.º do Código do Trabalho após a reposição de 2016, como feriado obrigatório de observância em todo o país. É um dos treze feriados nacionais e o único cuja data comemora um episódio do século XVII. O texto legal está publicado no Diário da República.
O que abre e o que fecha a 1 de dezembro
Por ser feriado obrigatório, os serviços do Estado encerram e suspende-se a atividade que a lei não admite ao domingo, ao abrigo do artigo 236.º. Nas lojas, os horários são livres desde 2015, por isso fechar é decisão de cada estabelecimento. Como o 1 de dezembro cai já no arranque da época de Natal, é comum os centros comerciais e o comércio de rua manterem-se abertos para as compras, ao contrário do que sucede em feriados de pleno inverno mais recolhido.
| Serviço | Estado típico |
|---|---|
| Serviços públicos e finanças | encerrados |
| Bancos | balcões encerrados; multibanco a funcionar |
| Centros comerciais | habitualmente abertos, época de Natal |
| Comércio não alimentar de rua | varia; muitos abrem |
| Urgências hospitalares | a funcionar |
Trabalhar no 1 de dezembro dá direito a quê
Quem trabalha no 1 de dezembro, numa empresa que a lei não obriga a encerrar, tem direito à compensação do artigo 269.º do Código do Trabalho, ou seja, descanso compensatório de metade das horas prestadas ou acréscimo de 50 por cento da retribuição dessas horas, à escolha do empregador. Não há em Portugal pagamento a dobrar. Para os restantes trabalhadores, o dia é de descanso com retribuição normal.
A suspensão e a reposição do feriado
O 1 de dezembro foi um dos quatro feriados obrigatórios eliminados pela Lei n.º 23/2012, de 25 de junho, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2013, ao lado do Corpo de Deus, do 5 de outubro e do 1 de novembro. Esteve suspenso em 2013, 2014 e 2015. A reposição chegou com a Lei n.º 8/2016, de 1 de abril, aprovada na Assembleia da República a 23 de fevereiro de 2016, com votos a favor de PS, PCP, Bloco de Esquerda, Os Verdes e PAN, e abstenção de PSD e CDS-PP. Na primeira cerimónia depois de reposto, a 1 de dezembro de 2016, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que o feriado "nunca deveria ter sido suspenso" e sublinhou que "a nossa pátria depende da nossa independência".
A conjura de 1 de dezembro de 1640
A independência tinha-se perdido em 1580, quando Filipe II de Espanha herdou o trono português na crise dinástica aberta pela morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir e pelo curto reinado do Cardeal-Rei D. Henrique. Seguiram-se 60 anos de União Ibérica, com três Filipes a reinar também sobre Portugal. O plano para lhe pôr fim foi urdido por um grupo de cerca de 50 homens, quase todos fidalgos de 40 famílias nobres, que a história fixou como os "Quarenta Conjurados", em alusão aos brasões envolvidos.
Na manhã de 1 de dezembro de 1640, os Conjurados invadiram o Paço da Ribeira, sede do poder em Lisboa, onde estavam a vice-rainha Margarida de Sabóia, Duquesa de Mântua, e o seu secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos, figura odiada por ser vista como instrumento da centralização castelhana. A Duquesa escondeu-se num armário. Vasconcelos foi descoberto e morto, e o corpo atirado pela janela e arrastado pela multidão. Ali mesmo, os Conjurados aclamaram D. João IV, Duque de Bragança, rei de Portugal, ao grito de "Liberdade!", dando início à Casa de Bragança.
A Guerra da Restauração, 28 anos de fronteira
A aclamação de 1640 não trouxe paz imediata. A Guerra da Restauração prolongou-se por 28 anos, até 1668, travada sobretudo na fronteira do Alentejo, e só terminou quando a Espanha reconheceu formalmente a independência e a Casa de Bragança, pelo Tratado de Lisboa, assinado a 13 de fevereiro de 1668. Quatro batalhas marcaram a viragem.
| Batalha | Data | Local |
|---|---|---|
| Montijo | 26 de maio de 1644 | perto de Badajoz |
| Linhas de Elvas | 14 de janeiro de 1659 | Elvas |
| Ameixial | 8 de junho de 1663 | a 5 km de Estremoz |
| Montes Claros | 17 de junho de 1665 | entre as serras da Vigária e de Ossa |
A decisão veio em Montes Claros, em 1665, quando um exército português sob o Conde de Schomberg, com 15 mil infantes e 5 mil cavaleiros, derrotou uma força espanhola bem maior comandada pelo Marquês de Caracena. Foi essa vitória, somada a um tratado com a França em 1667, que empurrou Madrid para o reconhecimento definitivo.
O Monumento aos Restauradores
A memória da Restauração ganhou pedra no centro de Lisboa. O Monumento aos Restauradores, obelisco de 30 metros na praça com o mesmo nome, foi inaugurado a 28 de abril de 1886, com um custo de 45 contos de réis, financiado por subscrição pública em Portugal e no Brasil, sob comissão presidida pelo Marquês de Sá da Bandeira. A arquitetura é de António Tomás da Fonseca e as figuras alegóricas do "génio da Vitória" e do "génio da Independência" são de José Simões de Almeida e de Alberto Nunes. Nas quatro faces do obelisco estão inscritos, em bronze, os nomes e as datas das principais batalhas da guerra. Foi junto a este monumento que, a 1 de dezembro de 1910, poucos dias após a implantação da República, se apresentou oficialmente a bandeira do novo regime, nas comemorações do 270.º aniversário da Restauração.
Como se assinala hoje em Portugal
A cerimónia oficial de 1 de dezembro realiza-se todos os anos na Praça dos Restauradores, organizada em parceria pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal e pela Câmara Municipal de Lisboa, uma colaboração que remonta a 1861. Inclui a deposição de flores junto ao obelisco, em homenagem aos heróis da Restauração e da Guerra da Aclamação. O Presidente da República preside às comemorações de forma continuada desde 2016, o ano seguinte à reposição do feriado. Em 2025, a cerimónia assinalou o 385.º aniversário da Restauração.
Os símbolos da Restauração
A data condensou-se numa figura, num grito, num obelisco e na sociedade que há mais de um século a mantém viva. São estas as referências que voltam sempre que se fala do 1 de dezembro.
Curiosidades do 1 de dezembro
No dia da conjura, a vice-rainha, a Duquesa de Mântua, terá tentado esconder-se num armário, enquanto o seu odiado secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos, foi descoberto, morto e atirado pela janela, com o corpo depois arrastado pela multidão. O obelisco dos Restauradores foi pago por subscrição pública em Portugal e no Brasil, e traz inscritos em bronze, nas quatro faces, os nomes e as datas das principais batalhas da guerra. Foi também junto a este monumento que, a 1 de dezembro de 1910, poucos dias depois da implantação da República, se apresentou oficialmente a bandeira do novo regime.
Erros comuns sobre o 1 de dezembro
Há confusões que convém arrumar. A mais frequente é misturar a Restauração de 1640 com a fundação do reino, associada ao Tratado de Zamora de 1143. São episódios de "independência" distintos, separados por cerca de 500 anos. O de 1143 diz respeito à origem de Portugal, o de 1640 à recuperação da independência depois de 60 anos de União Ibérica. Outra ideia errada é a de que o feriado foi sempre comemorado sem falhas desde 1640, quando na verdade esteve suspenso entre 2013 e 2015. E há quem julgue que a guerra terminou logo após a aclamação de D. João IV, mas ela arrastou-se por 28 anos, até 1668.
A Restauração no calendário do ano
A Restauração da Independência cai no fim do outono, às portas do inverno e do solstício de dezembro, no arranque da época natalícia. Abre o mês de dezembro e o último troço do ano civil. A roda do ano situa o 1 de dezembro entre as estações.
Restauração da Independência cai no outono, em 1 de dezembro de 2026.
Perguntas frequentes sobre a Restauração da Independência
O 1 de dezembro é feriado em 2026?
Sim, o 1 de dezembro é feriado nacional obrigatório em 2026, desde a reposição pela Lei n.º 8/2016. Consta do artigo 234.º do Código do Trabalho.
O que se comemora a 1 de dezembro?
Comemora-se a Restauração da Independência de 1640, o golpe dos Quarenta Conjurados que pôs fim a 60 anos de União Ibérica e aclamou D. João IV como rei de Portugal.
Quem foram os Quarenta Conjurados?
Foram o grupo de cerca de 50 homens, na maioria fidalgos de 40 famílias nobres, que planearam a conjura de 1 de dezembro de 1640. O nome vem dos 40 brasões de armas envolvidos.
A independência de 1640 é a mesma coisa que a fundação de Portugal?
Não. A fundação de Portugal liga-se ao Tratado de Zamora de 1143, enquanto o 1 de dezembro comemora a Restauração de 1640, a recuperação da independência depois da União Ibérica. São dois episódios distintos, separados por cerca de 500 anos.
Quanto tempo durou a Guerra da Restauração?
A Guerra da Restauração durou 28 anos, de 1640 a 1668, e só terminou com o Tratado de Lisboa, em que a Espanha reconheceu a independência de Portugal e a Casa de Bragança.
Quais foram as batalhas decisivas da Guerra da Restauração?
As batalhas decisivas foram Montijo (1644), Linhas de Elvas (1659), Ameixial (1663) e Montes Claros (1665), esta última a vitória que pesou no reconhecimento espanhol da independência.
O feriado do 1 de dezembro já esteve suspenso?
Sim. O 1 de dezembro esteve suspenso em 2013, 2014 e 2015 pela Lei n.º 23/2012, e foi reposto pela Lei n.º 8/2016. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou em 2016 que o feriado "nunca deveria ter sido suspenso".
Onde decorre a cerimónia oficial do 1 de dezembro?
A cerimónia oficial do 1 de dezembro decorre na Praça dos Restauradores, em Lisboa, junto ao obelisco do Monumento aos Restauradores, organizada pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal e pela Câmara Municipal desde 1861.
O que aconteceu a Miguel de Vasconcelos no 1 de dezembro de 1640?
Miguel de Vasconcelos, secretário de Estado visto como instrumento da centralização castelhana, foi descoberto no Paço da Ribeira durante a conjura, morto e atirado pela janela pelos Conjurados, com o corpo depois arrastado pela multidão nas ruas de Lisboa.
O que é o Monumento aos Restauradores?
É o obelisco de 30 metros no centro da Praça dos Restauradores, em Lisboa, inaugurado a 28 de abril de 1886 e financiado por subscrição pública em Portugal e no Brasil. Nas quatro faces estão inscritas, em bronze, as principais batalhas da Guerra da Restauração.
Quem organiza a cerimónia do 1 de dezembro?
A cerimónia oficial do 1 de dezembro é organizada, na Praça dos Restauradores, pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, uma colaboração que remonta a 1861. O Presidente da República preside às comemorações desde 2016.
O comércio abre no 1 de dezembro?
Como o 1 de dezembro cai no arranque da época de Natal, os centros comerciais e boa parte do comércio de rua costumam abrir, embora os serviços do Estado e a banca encerrem. Desde 2015 os horários do comércio são livres.
Recebo mais por trabalhar no 1 de dezembro?
Se trabalhar no 1 de dezembro numa empresa não obrigada a encerrar, o artigo 269.º dá direito a descanso compensatório de metade das horas ou a um acréscimo de 50 por cento da retribuição, à escolha do empregador. Não há pagamento automático a dobrar.
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