Domingo de Páscoa 2027
Domingo de Páscoa 2027 cai num domingo, 28 de março de 2027, feriado nacional. Veja mais abaixo o que abre e o que fecha neste feriado ao fim de semana.
O Domingo de Páscoa é a festa maior do calendário cristão e cai sempre a um domingo, entre 22 de março e 25 de abril. Em 2027 é domingo. É um feriado nacional obrigatório de data móvel, previsto no artigo 234.º do Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro). Por cair sempre ao domingo, coincide com o descanso semanal e não acrescenta, na prática, um dia de folga a quem trabalha de segunda a sexta. Aqui fica como se fixa a data, quando cai nos próximos anos, o que a distingue da Sexta-Feira Santa e do Corpo de Deus, e o que se come e se celebra na Páscoa portuguesa, do folar transmontano ao Compasso.
O essencial
Quando é
Sempre a um domingo, entre 22 de março e 25 de abril. A data de 2027 está na tabela abaixo.
É feriado
Sim, feriado nacional obrigatório, embora caia sempre ao domingo.
O que fecha
Como é domingo, aplica-se a rotina de fim de semana. Serviços públicos e a banca não abrem.
Quando é a Páscoa
Em 2027, o Domingo de Páscoa é domingo. A data muda todos os anos porque não está fixada num dia do calendário e depende do ciclo lunar e do equinócio da primavera. A tabela seguinte reúne as datas confirmadas para um intervalo de cinco anos.
| Ano | Domingo de Páscoa |
|---|---|
| 2024 | 31 de março |
| 2025 | 20 de abril |
| 2026 | 5 de abril |
| 2027 | 28 de março |
| 2028 | 16 de abril |
Porque muda a data todos os anos
A regra vem do Concílio de Niceia, no ano 325. A Páscoa é o primeiro domingo depois da primeira lua cheia eclesiástica que se segue ao equinócio da primavera, fixado por convenção litúrgica em 21 de março. Como a lua cheia se desloca de ano para ano em relação ao calendário solar, a data resultante oscila dentro de uma janela larga, e o mais cedo que a Páscoa pode calhar é 22 de março, ao passo que o mais tarde é 25 de abril. Toda a cadeia de feriados móveis do ano parte daqui.
Feriados ligados à Páscoa
Vários feriados dependem da data da Páscoa e deslocam-se com ela. A Sexta-Feira Santa é a sexta imediatamente anterior, dois dias antes. O Corpo de Deus cai 60 dias depois, sempre a uma quinta-feira. Nos Açores, e só nos Açores, a Segunda-feira do Espírito Santo é feriado regional 50 dias após a Páscoa, do mesmo ciclo pós-pascal mas sem correspondência no continente nem na Madeira.
| Feriado | Regra |
|---|---|
| Sexta-Feira Santa | Páscoa menos 2 dias |
| Domingo de Páscoa | a própria data |
| Corpo de Deus | Páscoa mais 60 dias (quinta-feira) |
| Segunda-feira do Espírito Santo (só Açores) | Páscoa mais 50 dias |
É feriado obrigatório em todo o país
O Domingo de Páscoa consta expressamente do artigo 234.º do Código do Trabalho, entre os treze feriados obrigatórios. Como cai sempre a um domingo, não gera folga adicional para quem já descansa ao fim de semana, mas mantém-se previsto na lei para efeitos legais, com o mesmo regime de encerramento aplicável ao descanso semanal. A base legal está publicada no Diário da República. A Páscoa continua a ser a data central do calendário para a maioria dos portugueses, já que nos Censos de 2021, 80,2 por cento das pessoas com mais de 15 anos que responderam se identificaram como católicas, uma descida ligeira face aos 81 por cento de 2011, segundo dados do INE. No mesmo período, a fatia de quem se declara sem religião subiu de 6,84 para 14,09 por cento, sinal de uma quadra que se mantém culturalmente forte mesmo onde a prática religiosa recua. A adesão não se reparte por igual pelo território, e a leitura dos Censos aponta o Norte e o interior do Centro como as zonas de catolicismo praticante mais vivo, ao passo que o litoral de Lisboa, o Alentejo e o Algarve concentram maior percentagem de quem não professa religião.
Trabalhar no Domingo de Páscoa dá direito a quê
Quem trabalha ao domingo trabalha, em regra, num dia que já é de descanso semanal, por isso a questão do feriado quase nunca se coloca de forma isolada. Ainda assim, quando há prestação de trabalho normal num feriado, numa empresa não obrigada a suspender o funcionamento, o Código do Trabalho garante uma compensação. O artigo 269.º dá direito a descanso compensatório de metade das horas prestadas ou a um acréscimo de 50 por cento no pagamento desse dia, cabendo a escolha ao empregador. O incumprimento constitui contraordenação grave. Não existe em Portugal o pagamento automático a dobrar, e o que a lei fixa é este direito à compensação, nos termos descritos.
De onde vem e o que significa
A Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus Cristo ao terceiro dia após a morte na cruz, e é o ponto mais alto do ano litúrgico. Fecha a Semana Santa, que se abre no Domingo de Ramos e passa pela Quinta-Feira Santa e pela Sexta-Feira Santa. A palavra vem do hebraico Pesach, a Páscoa judaica que assinala a libertação do Egito, e a coincidência de datas não é acaso, já que os relatos evangélicos situam a Paixão em plena celebração pascal judaica. Deste enraizamento vem também a natureza móvel da data, presa ao calendário lunar e não a um dia fixo.
A mesa da Páscoa, do folar às amêndoas
Nenhuma outra data do calendário português tem um pão tão seu como a Páscoa tem o folar. De região para região muda o recheio, a forma e o próprio nome, do salgado transmontano recheado de carnes fumadas ao doce da Beira Baixa perfumado com funcho. Esta matriz reúne o essencial da mesa, com a cor a separar o pão de festa do doce da quadra.
| Iguaria | Tipo | Onde manda e traço próprio |
|---|---|---|
| Folar salgado | Pão de festa | Trás-os-Montes e Bragança, de massa levedada com presunto, salpicão e toucinho fumados. |
| Folar de Valpaços | Pão de festa | Distrito de Vila Real, o único com Indicação Geográfica Protegida registada na União Europeia. |
| Folar de Chaves | Pão de festa | Alto Tâmega, a bola de carnes da mesma sub-região transmontana do de Valpaços. |
| Folar doce | Doce | Beira Baixa, perfumado com funcho e canela e decorado com ovos cozidos pintados. |
| Amêndoa coberta | Doce | De norte a sul, o doce que os padrinhos oferecem aos afilhados no Domingo de Páscoa. |
A leitura das cores diz quase tudo. Os pães de festa salgados reinam a norte, sobretudo em Trás-os-Montes, e as versões doces predominam mais a sul, com a amêndoa a atravessar o país inteiro como presente da quadra.
Tradições portuguesas da Páscoa
A mesa manda na Páscoa portuguesa, e manda com o folar. É o pão da quadra, presente em quase todo o país, com uma variedade regional que raramente se encontra noutra data. Em Trás-os-Montes e em Bragança faz-se o folar salgado, de massa levedada, enriquecida com ovos, banha e azeite, recheada com presunto, salpicão e toucinho fumados, cozida em forma redonda ou retangular. Já na Beira Baixa o folar é doce, perfumado com funcho e canela, e decorado com ovos cozidos pintados. Noutras regiões o folar leva um ovo cozido inteiro ao centro, símbolo antigo de renascimento.
O caso mais forte desta cozinha é o folar de Valpaços, no distrito de Vila Real, que tem Indicação Geográfica Protegida registada na União Europeia. É o que o separa do folar transmontano genérico, pois a massa de pão de trigo, enriquecida com ovos e azeite de Trás-os-Montes, recebe carne de porco salgada e seca, toucinho, salpicão, linguiça e presunto, num pão de festa reconhecido pela lei. Na mesma sub-região faz-lhe companhia o folar de Chaves, uma bola de carnes. Os folares salgados reinam a norte, e as versões doces predominam mais a sul.
A par do pão, a amêndoa coberta é o doce que define a época. A amêndoa está de tal modo ligada à quadra que a procura da Páscoa puxa por boa parte das vendas do ano. O consumo por habitante em Portugal subiu de 276 gramas em 2012 para 414 gramas em 2023, segundo dados do INE citados pela imprensa económica. A produção nacional triplicou entre 2018 e 2023, e o Alentejo responde por mais de 43 por cento do total.
Ainda ligado à quadra, mantém-se em muitas famílias o gesto dos padrinhos, que oferecem aos afilhados o folar, ovos de chocolate, amêndoas, roupa ou dinheiro no Domingo de Páscoa. E há um costume que merece capítulo à parte, o Compasso, a bênção pascal das casas, tratado a seguir.
O Compasso, a Visita Pascal no Minho
O nome engana quem o associa ao instrumento de desenho. Compasso vem de "cum Passo", a presença da cruz paroquial com a imagem do crucifixo que dá solenidade ao ato de bênção. A prática tem traços documentados desde o início do século XVII, segundo o estudo do historiador beneditino Geraldo Coelho Dias, e continua viva sobretudo no Minho e no Alto Minho, em terras como Ponte de Lima, Paredes de Coura, Viana e Braga, onde nunca chegou a desaparecer.
A casa que quer receber a cruz anuncia-o à porta, com um tapete de flores de camélias e funcho e vasos à entrada, e lá dentro forra-se a melhor toalha na sala grande, com arroz-doce polvilhado de canela e vinho da casa ou vinho do Porto para o brinde. A comitiva não é só o pároco. Chega com o mordomo e a cruz alçada ornamentada, que se leva a beijar por uma ordem certa. O pároco entra a dar a bênção e a aspergir água benta, e a cruz passa primeiro pelo chefe de família e pelo cônjuge, depois pelos restantes, até ao filho mais novo. No fim organiza-se a procissão de regresso à igreja, com cânticos. Era também durante esta visita que o folar era tradicionalmente entregue ao clero pelas famílias, o que prende o pão da quadra ao ritual. O costume regrediu em algumas paróquias, e houve anos, como 2020 e 2021, de Compasso sem o beijar da cruz por razões sanitárias.
Tradições por região
Além do folar e do Compasso, há costumes de Páscoa que pertencem a terras concretas. Um dos mais curiosos é a Queima do Judas, no Sábado de Aleluia, véspera do Domingo de Páscoa, em que se queima um boneco de trapos ou palha batizado de "Judas", precedido da leitura de um "testamento" satírico sobre os episódios locais do ano. Tem maior incidência nas Beiras e no Norte, com celebrações documentadas pelas autarquias em Águeda, Lamego, Viana do Castelo e Palmela. A região de Coimbra mantém também procissões e festividades pascais próprias, divulgadas pela entidade regional de turismo.
| Tradição | Onde |
|---|---|
| Folar salgado com carnes fumadas | Trás-os-Montes e Bragança |
| Folar doce com funcho e canela | Beira Baixa |
| Queima do Judas | Águeda, Lamego, Viana do Castelo, Palmela |
| Compasso ou Visita Pascal | Minho e Alto Minho (Ponte de Lima, Paredes de Coura, Viana, Braga) |
No plano legal não há divergência entre o continente e as regiões autónomas, e o Domingo de Páscoa é feriado obrigatório em todo o território, sem exceção. O que diverge são os costumes locais e o calendário de feriados vizinhos, como a Segunda-feira do Espírito Santo, própria dos Açores.
Curiosidades
A Sexta-Feira Santa, que antecede a Páscoa, é feriado nacional em Portugal, Espanha e Alemanha, mas não em Itália, apesar da forte tradição católica italiana, onde é tratada como dia de reflexão litúrgica sem estatuto civil. Outro engano frequente é supor que a Quinta-feira da Ascensão é feriado nacional português, quando nunca constou do artigo 234.º, em nenhuma das suas redações, e só é feriado municipal em Vila Franca de Xira. Por fim, o facto de o Domingo de Páscoa cair sempre a um domingo leva muita gente a concluir que não é feriado, quando na verdade consta da lei com efeitos próprios.
Vale ainda um número que ajuda a ler o calendário. Cada feriado a meio da semana tem um custo para a economia, calculado em 2011 pelo consultor do Banco Mundial Luís Bento, em declarações ao PÚBLICO, em cerca de 37 milhões de euros diretos, perto de meio por cento da riqueza produzida no país no conjunto do ano. O Domingo de Páscoa escapa a essa conta, pois por cair sempre a um domingo não retira um dia útil, ao contrário dos feriados que calham a meio da semana.
A Páscoa no calendário do ano
A Páscoa cai sempre na primavera, e essa ligação não é acaso. A regra que lhe fixa a data parte precisamente do equinócio de março, o momento em que o dia volta a igualar a noite, por isso o Domingo de Páscoa acontece sempre nas semanas seguintes, com a estação já a arrancar. A roda do ano mostra o lugar da data entre as estações.
Domingo de Páscoa cai na primavera, em 28 de março de 2027.
Perguntas frequentes sobre a Páscoa
A Páscoa é feriado em 2027?
Sim. O Domingo de Páscoa consta do artigo 234.º do Código do Trabalho como feriado obrigatório, ainda que coincida sempre com um domingo.
Quando é a Páscoa em 2027?
Em 2027, o Domingo de Páscoa é domingo, como sempre. A data exata está na tabela da página e varia todos os anos entre 22 de março e 25 de abril.
Porque muda a data da Páscoa todos os anos?
Porque é calculada a partir da primeira lua cheia eclesiástica que se segue ao equinócio da primavera, e não por uma data fixa. A regra vem do Concílio de Niceia, no ano 325.
Qual é a diferença entre a Sexta-Feira Santa e a Páscoa?
A Sexta-Feira Santa é a sexta anterior, dois dias antes, e o Domingo de Páscoa é o domingo de ressurreição. Ambos são feriados obrigatórios em Portugal.
A Segunda-feira de Páscoa é feriado em Portugal?
Não é feriado nacional. Distinta dela, a Segunda-feira do Espírito Santo é feriado regional apenas nos Açores, 50 dias após a Páscoa.
O que é o folar da Páscoa?
O folar é o pão da Páscoa portuguesa. Varia por região, sendo salgado com carnes fumadas em Trás-os-Montes, doce com funcho e canela na Beira Baixa, ou com um ovo cozido ao centro noutras terras.
O que é o Compasso ou Visita Pascal?
É a bênção pascal das casas, em que o pároco percorre a freguesia com a cruz alçada, acompanhado do mordomo, para abençoar as famílias, que a levam a beijar por ordem, do chefe de família ao filho mais novo. Mantém-se vivo sobretudo no Minho e no Alto Minho.
O Compasso tem relação com o instrumento de desenho?
Não. No caso da Páscoa, Compasso vem de "cum Passo", a presença da cruz paroquial com o crucifixo que soleniza a bênção das casas, sem qualquer ligação ao compasso de traçar círculos.
O que é o folar de Valpaços?
É o folar salgado de Valpaços, no distrito de Vila Real, com Indicação Geográfica Protegida registada na União Europeia. Leva carne de porco salgada e seca, toucinho, salpicão, linguiça e presunto numa massa de pão enriquecida com ovos e azeite de Trás-os-Montes.
O que é a Queima do Judas?
A Queima do Judas é a queima de um boneco de trapos ou palha no Sábado de Aleluia, precedida de um "testamento" satírico sobre a vida local. Realiza-se em Águeda, Lamego, Viana do Castelo e Palmela, entre outras terras.
Porque se comem amêndoas na Páscoa?
A amêndoa coberta é o doce tradicional da quadra e um presente clássico dos padrinhos aos afilhados. A procura da Páscoa é responsável por boa parte do consumo anual, que rondou os 414 gramas por habitante em 2023.
O comércio abre no Domingo de Páscoa?
Muitos estabelecimentos funcionam, com o regime livre de horários em vigor desde 2015, mas parte do comércio encerra por opção. Por ser domingo, aplica-se na prática a rotina de fim de semana.
Recebo mais por trabalhar no Domingo de Páscoa?
Quando há trabalho num feriado, numa empresa não obrigada a encerrar, o artigo 269.º dá direito a descanso compensatório de metade das horas ou a um acréscimo de 50 por cento, à escolha do empregador. Não existe pagamento automático a dobrar.
A Quinta-feira da Ascensão é feriado nacional em Portugal?
Não. A Quinta-feira da Ascensão nunca constou do artigo 234.º e é apenas feriado municipal em Vila Franca de Xira.
Quanto custa um feriado à economia portuguesa?
Uma estimativa citada pelo PÚBLICO em 2011 apontava cerca de 37 milhões de euros de custo direto por feriado e perto de meio por cento do produto interno bruto no conjunto do ano. O Domingo de Páscoa foge a essa conta, por cair sempre a um domingo e não retirar um dia útil.
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