Consoada em 2026
A consoada de 2026 é na noite de quinta-feira, 24 de dezembro. Veja como o bacalhau chegou a esta ceia.
Consoada
Quando é a consoada em 2026?
A consoada é na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, em 2026 como em todos os anos. A data é fixa e só muda o dia da semana. Ficam os dias da semana dos próximos anos.
| Ano | Dia da semana |
|---|---|
| 2026 | quinta-feira |
| 2027 | sexta-feira |
| 2028 | domingo |
A hora da ceia varia de casa para casa. Há famílias que se sentam à mesa ao início da noite, para as crianças abrirem os presentes antes de dormir, e outras que só comem depois da Missa do Galo, já perto da uma da manhã.
O dia da consoada é feriado?
Não, o dia da consoada não é feriado, e o 24 de dezembro fica fora da lista de feriados obrigatórios do Código do Trabalho. O feriado nacional só chega no dia seguinte, o de Natal. Quando o 24 calha em dia de semana, é dia normal de trabalho para quem não tenha outro acordo.
Na função pública, a folga depende de tolerância de ponto, dada por despacho do Governo ano a ano. Esse despacho costuma abranger o dia 24, salvo nos serviços que têm de funcionar, mas antes de sair o desse ano nada está garantido. No setor privado, o despacho não se aplica, e conta o que estiver combinado no local de trabalho.
| Quem | O dia 24 de dezembro |
|---|---|
| Função pública | Folga só se houver tolerância de ponto nesse ano |
| Setor privado | Dia normal de trabalho, salvo acordo, convenção coletiva ou férias |
| Escolas | Já em férias de Natal |
O que abre e o que fecha na consoada?
Na consoada, cada loja decide se abre e até que horas, porque não é feriado. Os supermercados costumam abrir de manhã e fechar mais cedo, ao fim da tarde, e anunciam o horário da véspera de Natal com antecedência.
Costuma abrir
- Supermercados e comércio, em regra com fecho antecipado
- Balcões dos bancos, quando o dia 24 calha em dia útil
- Urgências hospitalares
- Farmácias de serviço, pela escala do concelho
Costuma fechar mais cedo ou reduzir
- Centros comerciais e lojas de rua, ao fim da tarde
- Metro, autocarros e comboios, com serviço reduzido à noite
- Serviços públicos abrangidos pela tolerância de ponto
Nos transportes, cada operador publica em dezembro os horários da quadra, e é nesse aviso que está a hora do último metro ou do último comboio da noite de 24.

O que é a consoada?
A consoada é a refeição da família na noite da véspera de Natal. Na maior parte das casas portuguesas leva bacalhau cozido à mesa, e em certas terras só se come depois da missa da meia-noite.

É a noite da família alargada, com avós, tios e primos à mesma mesa, e muitos emigrantes voltam a casa para ela. Depois da ceia vêm os doces, a abertura dos presentes e, para quem é católico, a Missa do Galo.
De onde vem a palavra consoada?
A palavra consoada vem, na explicação mais aceite, do latim consolata, e nomeava a refeição ligeira da noite nos dias de jejum. Na véspera de Natal era uma ceia pobre de peixe, longe da fartura que hoje enche a mesa.
Nos primeiros séculos, os fiéis passavam a vigília do nascimento de Jesus em jejum, a rezar e a cantar nas igrejas. A refeição foi ocupando esse lugar, primeiro entre os mais abastados, que comiam depois da missa. Nos campos, a véspera de Natal foi durante muito tempo uma noite igual às outras, com frio e muitas vezes fome.
Desde quando há bacalhau na consoada?
O bacalhau só se impôs na consoada em todo o país na segunda metade do século XX, e é menos antigo do que parece. Ganhou lugar primeiro no Entre-Douro-e-Minho, onde a pesca de inverno nem sempre era farta e o porto de Viana do Castelo já descarregava bacalhau desde o século XIV. Em Braga, as famílias faziam grandes sacrifícios para o comprar.
No Sul, até lá, a ceia era muitas vezes uma simples sopa de feijão. Em Castelo de Vide, a tradição pedia um peixe de coentrada, e na Beira Baixa eram as carnes que davam substância à festa.
A razão do peixe é religiosa. A véspera de Natal era dia de abstinência de carne, e o bacalhau seco, que se guardava bem e se comprava com antecedência, ficou com o lugar à mesa. Hoje serve-se quase sempre cozido com batata, couves, ovo e grão, regado com azeite e alho, num prato que muitas casas chamam bacalhau com todos.

O que se come na consoada de norte a sul?
Na consoada de hoje, o bacalhau manda em quase todo o país, mas não em todas as mesas. No Minho, o polvo também tem lugar, em arroz, com as rabanadas e os mexidos a seguir. Nas ilhas, o bacalhau divide a noite com o polvo guisado, as espetadas e as carnes em vinha-d'alhos.
| Região | Prato da consoada | Costume |
|---|---|---|
| Minho | bacalhau cozido ou polvo, também em arroz | rabanadas e mexidos no fim |
| Beira Baixa | bacalhau, com as carnes a ganhar peso na festa | madeiro aceso no adro |
| Alentejo | bacalhau, sopa de cação ou pescada frita | missadura depois da Missa do Galo em terras de Évora |
| Barrocal algarvio | sopa de cação e peixe no forno | resiste em poucas comunidades |
| Açores e Madeira | bacalhau, polvo guisado, espetadas | carnes em vinha-d'alhos |
O velho hábito da sopa de cação e dos peixes no forno resiste em raras comunidades do Alentejo e do barrocal algarvio. Em algumas terras do distrito de Évora há ainda a missadura, a consoada comida logo a seguir à Missa do Galo, com toda a variedade de carne de porco da matança feita antes do Natal. Ao jantar de 24 ficam então a sopa de cação, a pescada frita ou o bacalhau, por respeito ao antigo preceito da abstinência.
Que doces se comem na consoada?
Na consoada, os doces vêm à mesa logo depois do bacalhau e ficam lá até ao dia seguinte. Rabanadas, filhós, sonhos, coscorões, aletria e arroz-doce são os mais comuns, quase todos fritos ou feitos com pão, leite, ovos e açúcar, os ingredientes que havia em casa no inverno.
O bolo-rei também entra na noite de 24, embora o nome venha do Dia de Reis. No Norte, a aletria e os mexidos, uma espécie de papas doces com pão, mel e frutos secos, ocupam o lugar das filhós do Sul, e em muitas casas o prato dos doces faz-se de véspera, com a família toda na cozinha.
Que tradições há na noite da consoada?
Na noite da consoada, muitas casas deixam a mesa posta até de manhã, sem levantar os restos nem lavar a louça. Há duas explicações para o costume. Uma fala do respeito pelos mortos da família, e a outra diz que a comida fica para o Menino Jesus vir comer durante a noite.

Nos largos e adros alentejanos arde o madeiro, com árvores quase inteiras, e Fronteira e Barrancos mantêm um de grandes proporções na praça principal. A lenha vai-se buscar onde houver, porque se diz que é para aquecer o Menino Jesus.
Para muitos católicos, a noite acaba na igreja, à meia-noite. A Missa do Galo chegou a marcar o fim do jejum, com a ceia só depois, e deixou de se celebrar em muitas freguesias, entre a falta de párocos e os efeitos do republicanismo. Em Braga, as crianças jogavam ao rapa com os pinhões à espera da missa, e em muitas casas o Menino só entra no presépio depois da meia-noite. Se quer ir à missa, pergunte na paróquia se há celebração e a que horas.
Consoada e dia de Natal
A consoada é a ceia da noite de 24, num dia que não é feriado, e o dia de Natal é o 25, feriado nacional obrigatório. O bacalhau fica para a noite da véspera, e o almoço do dia 25 tem outros pratos, que estão na página do Natal.
Fontes
As datas à volta da Consoada
A ceia de 24 tem antes a data de novembro, o São Martinho, quarta-feira, 11 de novembro de 2026, e uma semana depois a última noite, a Passagem de Ano, quinta-feira, 31 de dezembro de 2026.
Fotos dos cartões (Wikimedia Commons): Magusto: Adriano Rei, CC BY-SA 4.0, adaptado.