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Dia de Reis em 2027

O Dia de Reis de 2027 calha a uma quarta-feira, 6 de janeiro. Veja a história do bolo-rei.

Dia de Reis

Datas de Portugal
Dia de Reis em 202706/01Quarta-feirafaltam 63 dias
É feriado?NãoDia de Reis não é feriado nacionalquarta-feira, dia útil

O que é o Dia de Reis e quando se celebra?

O Dia de Reis lembra a visita dos magos ao Menino Jesus e calha sempre a 6 de janeiro, com o nome litúrgico de Epifania. O número do dia nunca muda, mas o dia da semana sim, de ano para ano. Em Portugal, é a data dos cantares de porta em porta e do bolo-rei, ainda dentro do tempo das Janeiras.

AnoDia da semana
2026terça-feira
2027quarta-feira
2028quinta-feira

O Dia de Reis é feriado?

Não, o 6 de janeiro não é feriado em Portugal, porque não consta da lista de feriados nacionais obrigatórios. Fica assim um dia comum. Lojas, balcões e repartições seguem o horário habitual daquele dia da semana, porque a data não traz regra própria. Os cantares e o bolo-rei entram no calendário sem interromper o trabalho.

De onde vem a festa?

A festa vem do Evangelho de São Mateus, onde visitantes do Oriente procuram em Jerusalém o recém-nascido Rei dos Judeus. Guiados por uma estrela até Belém, adoram o Menino e oferecem-lhe ouro, incenso e mirra. Avisados em sonhos, regressam à sua terra por outro caminho, sem voltar a passar pelo rei Herodes.

O relato bíblico fala de magos e não lhes dá coroa, número nem nome. Belchior, Gaspar e Baltazar foram acrescentados pela tradição, que também lê um sentido nos presentes, com o ouro a representar a realeza, o incenso a divindade e a mirra o sofrimento e a morte. A figura dos três reis nasceu, assim, depois do texto de Mateus.

Epifania é palavra grega para manifestação. A festa começou no século IV nas igrejas do Oriente, e a ligação da data à visita dos magos vem do século V.

Como se cantam os Reis de porta em porta?

Os Reis cantam-se em grupo, de casa em casa, com quadras sobre o nascimento de Jesus e votos para o novo ano. Na Faia, freguesia da diocese da Guarda, uma das quadras recolhidas começa por «Ainda agora aqui cheguei, já pus o pé na escada» e acaba a louvar os moradores honrados da casa. Depois do louvor, os cantadores esperam a oferta.

Nessa freguesia, a oferta era de laranjas e figos secos. Noutras terras eram castanhas, nozes, vinho, chouriço e, mais recentemente, chocolates ou dinheiro. Havia quem invocasse pelo nome o dono e a dona da casa, e algumas quadras guardavam o insulto para quem não dava nada. No fim da volta, o grupo dividia o que recebera ou comia tudo em conjunto.

Em Fornelos, Fafe, os escuteiros do Agrupamento 961 saem à rua com viola, concertina, pandeireta e tambor, e aproveitam essas noites para angariar fundos. Nas grandes cidades, onde o porta a porta nem sempre se mantém, são câmaras, escolas e coletividades que costumam organizar os encontros, pelo que convém confirmar as datas junto da junta de freguesia.

Reis e Janeiras são a mesma coisa?

São costumes muito próximos, que se sobrepõem no calendário e muitas vezes no nome, sem fronteira fixa entre eles. As Janeiras cantam-se geralmente de 1 a 6 de janeiro, embora em algumas terras continuem pelo mês. As cantigas dos Reis ligam-se à visita dos magos, e às Janeiras atribui-se uma possível raiz em cultos ligados a Jano, o deus romano das passagens.

Em cada região pesa o nome da casa. Na Madeira, um leitor protestou na imprensa local contra uma festa de Janeiras em Câmara de Lobos, porque na ilha, escreveu, se cantam os Reis. Interrogado sobre o que eram as Janeiras, o presidente da Casa do Povo do Estreito tinha respondido que era «basicamente no fundo é cantar os Reis».

No Algarve há ainda as Charolas, sobretudo no sotavento, com acordeões, pandeiretas e ferrinhos em igrejas, praças, associações e casas particulares. Loulé, Tavira e Faro são conhecidas por elas. Em Quarteira, charolas e grupos de janeiras já partilharam o mesmo palco para celebrar os Reis.

Como chegou o bolo-rei a Portugal?

Chegou à Confeitaria Nacional, em Lisboa, pela mão de Baltazar Rodrigues Castanheiro Júnior, filho do fundador da casa aberta em dezembro de 1829. Herdou a empresa em 1869 e viajava com frequência ao estrangeiro, de onde trouxe mestres confeiteiros de Paris e de Madrid. A cronologia da própria confeitaria coloca a receita vinda de França em 1875.

Bolo-rei com frutas cristalizadas e açúcar sobre um prato dourado
Bolo-rei com fruta cristalizada. Foto de José Conçalves/Wikimedia, CC BY-SA 3.0

O modelo francês era o gâteau des rois, o bolo em coroa do sul de França. A receita da Nacional, segundo a casa, continua igual e conhecida só por duas pessoas. Aos poucos, outras confeitarias de Lisboa fizeram as suas versões. Ao Porto, o bolo-rei chegou em 1890, pela Confeitaria Cascais, com receita igualmente trazida de Paris.

Até há pouco tempo, o bolo escondia uma fava e um pequeno brinde de metal, e quem encontrasse a fava pagava o bolo seguinte. Ambos se tornaram raros, também por causa das regras sobre a sua colocação no bolo.

O próprio nome esteve em perigo com a implantação da República, em 1910. Durante algum tempo, o doce passou a chamar-se bolo de Natal, e a Confeitaria Nacional vendeu-o como bolo nacional. Chegou a ser proposto no Parlamento chamar-lhe bolo-república, mas a ideia não vingou.

Fontes

As datas à volta dos Reis

Os Reis fecham o ciclo do Natal seis dias depois da data anterior, a Passagem de Ano, quinta-feira, 31 de dezembro de 2026, e a festa seguinte da lista é o Carnaval, terça-feira, 9 de fevereiro de 2027.